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sábado, 7 de fevereiro de 2015

Astrônomo do Vaticano: 'Não estamos atrás de alienígenas para evangelizá-los'

O primeiro registro sobre um observatório do Vaticano é de 1582
  • O primeiro registro sobre um observatório do Vaticano é de 1582
No topo de uma montanha no sudoeste dos Estados Unidos, no Observatório do Vaticano, padres católicos estudam planetas habitáveis - o que pode parecer estranho para muita gente, dado as grandes diferenças, algumas incompatíveis, entre ciência e religião.

Para os próprios padres, no entanto, a pesquisa no observatório representa uma forma de "se conectar com o criador".

"Não, nós não estamos fazendo nada estranho", disse à BBC o vice-diretor do observatório do Vaticano, padre Paul Gabor. "Nós estamos realmente fazendo ciência, não estamos atrás de alienígenas para evangelizá-los'".

Os dez astrofísicos empregados pela igreja dizem que estão tentando conquistar avanços sobre o conhecimento que temos atualmente sobre o universo.

"O Observatório do Vaticano é uma operação muito pequena por causa da maneira curiosa como recrutamos nossos funcionários. Em outras palavras, para trabalharmos aqui, precisamos ser padres", explicou o padre Gabor.

Cientistas, entretanto, dizem que há razões para não se confiar em pesquisas patrocinadas por religiões.

"Levando em consideração a natureza sobre o que é requisitado para trabalhar no Observatório do Vaticano, você não iria esperar que os melhores cientistas fossem querer fazer parte disso, porque os melhores cientistas, em geral, são ateus", disse o físico também ateu, Lawrence Krauss.

"Até pelo senso intelectual, claro que ciência e a doutrina das religiões mundiais são completamente incompatíveis. E isso tem sido assim por séculos e séculos."

Ciência e religião

Essa crítica, porém, é rechaçada pelos astrônomos do Vaticano. Para eles, especialmente na astrofísica, os limites entre ciência e religião não existem.

O Observatório do Vaticano foi transferido para Tucson, no Arizona, em 1981, quando a qualidade ruim do ar da Itália tornou impossível a continuidade das pesquisas por lá. Desde então, os trabalhos dos astrônomos católicos têm sido feitos da Universidade do Arizona.

"Acho que pessoas que são destinadas para as grandes questões sobre fé também estão destinadas à astronomia, porque nela você também faz grandes questionamentos", comentou Buell Jannuzi, chefe do observatório da Universidade do Arizona.

A primeira menção a um observatório do Vaticano de que se tem registro é de 1582, mas sua existência só foi confirmada oficialmente em 1891, pelo papa Leão 13.

À época, ele disse que seu objetivo era deixar claro que a Igreja Católica Romana "não se opunha à verdadeira e sólida ciência".

O padre jesuíta Paul Gabor acredita que, se há outros planetas habitáveis no universo, provavelmente deve haver vida neles. Ele diz também que consegue, cada vez mais, entender a grande conexão entre astrofísica e religião.

"Quem tenta entender isso consegue ver que o universo, de fato, quer ser compreendido."

Você sabia que a maior parte das células do seu corpo não é humana?

Tatiana Pronin, do UOL, em São Paulo,

Micróbios infestam nosso corpo: mas sem eles, ninguém é tão humano
Micróbios infestam nosso corpo: mas sem eles, ninguém é tão humano
É de deixar qualquer um espantado: 90% das células presentes no nosso corpo não são humanas. Em outras palavras, você é muito mais micróbios do que você mesmo. Esses "invasores", embora "invisíveis", são fundamentais para o nosso equilíbrio. Mas qualquer deslize nesse ecossistema pode causar doenças, muitas delas graves. Por isso, não se descuide: o perigo mora dentro de você e também fora, na superfície da sua pele.
Especialista no tema, o pesquisador Luis Caetano Antunes, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz, explica que os seres humanos são colonizados por mais de 35 mil espécies diferentes de bactérias, segundo algumas estimativas. "Lembrando que esse número não leva em conta vírus, protozoários etc", esclarece.
Considerando apenas um indivíduo, a estimativa é de mais de mil espécies diferentes. "Já se você considerar cepas (que são indivíduos pertencentes à mesma espécie, mas com características peculiares), esse número sobe para mais de 7 mil", diz. Se você pudesse colocar todas elas numa balança, os ponteiros marcariam aproximadamente 1 kg, uma vez que as células das bactérias são bem menores que as humanas.
Essa microbiota (flora e fauna microscópica de uma região) é formada assim que chegamos ao mundo. Antunes afirma, inclusive, que bebês nascidos por parto normal têm micróbios diferentes daqueles que nascem por cesariana, pois o contato com o canal vaginal da mãe funciona como um "primeiro banho" de micro-organismos.

Intestino é albergue

Apesar de se estabilizar depois que a pessoa completa 1 ano de idade, a população de micro-organismos está sempre em evolução, graças ao contato com o ambiente externo. Assim, a variedade e a quantidade são maiores em locais mais expostos, como boca, pele, olhos, estômago, intestino, tratos respiratórios, genitais e urinários.
A parte do nosso corpo mais colonizada é de longe o intestino, com 70% do total de bactérias, segundo o pesquisador. "Um dos motivos é que o intestino possui uma quantidade grande de nutrientes para as bactérias. Além disso, ainda existem secreções, células humanas mortas etc", diz Luis Caetano Antunes.
O especialista também chama atenção para o tamanho desse órgão, que é cheio de vilosidades (dobras, basicamente). "O intestino humano, quando esticado, tem área equivalente a uma quadra de tênis, ou cerca de 200 metros quadrados", informa.
Médicos, cientistas e nutricionistas têm alertado para a importância da microbiota intestinal. Não é à toa que produtos com lactobacilos se tornaram mais comuns nas prateleiras dos supermercados.
Antunes descreve três funções principais desse exército de micróbios. A primeira é a nutrição: "Os micro-organismos intestinais auxiliam na degradação de nutrientes que o ser humano, sozinho, não conseguiria degradar", diz. Além disso, eles produzem substâncias, como vitaminas, que nós não produzimos, e afetam as células para que elas consigam extrair mais energia da dieta.
A segunda é treinar o sistema imunológico, fazendo-o identificar o que representa ou não uma ameaça ao nosso organismo. "Um exemplo dessa função vem da observação de que hoje em dia as taxas de doenças relacionadas ao sistema imune (doenças alérgicas, principalmente) está muito mais alta, e isso tem sido associado ao uso indiscriminado de antibióticos, aumento no número de partos por cesariana e excesso de limpeza", comenta o pesquisador.
A terceira (e não menos importante) missão da microbiota é nos defender contra agentes nocivos. "Sem as bactérias naturais do nosso corpo ficamos muito mais vulneráveis aos ataques de bactérias perigosas", garante Luis Caetano Antunes, lembrando que há uma série de infecções que são mais comuns em pessoas com histórico de uso recente de antibióticos. "Eles matam as bactérias inofensivas, abrindo espaço para que outras bactérias invadam o nosso organismo e causem doenças."

Boca cheia

Um dos primeiros cientistas a observar a existência de comunidades de bactérias em nosso corpo foi o holandês Antonie van Leeuwenhoek, que no século 17 analisou um raspado da superfície de seus dentes e descobriu um grande número de seres vivos minúsculos.
Uma organização também holandesa, chamada TNO, divulgou recentemente, após um estudo, que nossa boca abriga cerca de 700 variedades diferentes de bactérias. Os pesquisadores descobriram que um único beijo de língua é capaz de transferir 80 milhões de bactérias de uma boca para outra. Os dados foram publicados na revista Microbine.
Algumas pessoas podem ficar enojadas, mas a verdade é que beijar pode ser uma maneira de fortalecer o sistema imunológico, tomando por base a lógica descrita pelo pesquisador da Fiocruz.

Pele que habito

Se os micróbios do intestino representam um exército estratégico dentro do corpo, os que habitam nossa pele são a linha de frente. "É a armadura que nos protege contra agentes externos", considera o médico Jayme de Oliveira Filho, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Assim como na selva a falta de leões pode levar ao excesso de zebras, qualquer desequilíbrio na microbiota da pele pode levar a problemas variados. A integridade pode ser afetada por banhos longos e quentes, e até pelo uso excessivo de álcool em gel e sabonetes antibacterianos. "Se você usa um produto que promete matar 99% das bactérias, ainda sobrarão muitas, mas você pode matar aquelas que são úteis à pele", diz o médico.
Tomar muito sol sem filtro também é uma forma de agredir a cútis. É por isso que muita gente tem crises de herpes labial, doença provocada por vírus, depois que volta da praia. Ou adquire manchas nos braços e nas costas (pitiríase versicolor), provocadas por um tipo de fungo. O médico avisa que algumas famílias são mais predispostas a certos tipos de micro-organismos. Se a integridade da pele é afetada, você pode desenvolver um problema que nunca havia aparecido antes. E, acredite, pode até pegar gripe com mais facilidade.
 

sábado, 19 de julho de 2014

É possível criar um “drogômetro”?


Aparelho pode ajudar a verificar se substâncias encontradas em cenas de crimes são ou não ilícitas

Há muito tempo já existe o bafômetro. Esse aparelho portátil, por meio de reações químicas, fornece informações sobre a ingestão ou não de bebidas alcoólicas. Ele é usado principalmente por policiais, já que dirigir alcoolizado é um crime. Mas e se alguém ingeriu alguma droga ilícita? É possível que o policial afirme com certeza que essa pessoa não poderia estar dirigindo? É complicado, já que até o momento não existem aparelhos como o bafômetro que detectam se alguém está drogado.
ImagemPela aparência, não dá para saber que substância é essa
Porém, um grupo coordenado por Marcelo Firmino de Oliveira, do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, resolveu criar um aparelho que poderá auxiliar os policiais e os peritos na identificação de drogas de abuso. Por enquanto, ainda não foi desenvolvido um método para verificar se a pessoa usou ou não a droga, portanto não é ainda um “drogômetro”, mas é um aparelho que poderá verificar se substâncias encontradas em cenas de crimes são ou não ilícitas.
Esse aparelho ajudará, assim, a identificar drogas como cocaína, maconha, LSD e ecstasy. Para os peritos, é difícil confirmar se uma substância é ou não uma droga, já que a cocaína, por exemplo, é um sólido branco muito parecido com amido de milho ou farinha, enquanto o ecstasy é vendido na forma de comprimidos que podem ser disfarçados, podendo ser confundidos, por exemplo, com medicamentos.
ImagemMarcelo Firmino coordenou a pesquisa
Tal aparelho funciona com eletrodos quimicamente modificados. Assim, quando em contato com a droga, há uma reação eletroquímica que mostra se a substância é ou não a droga. Até o momento, os testes são feitos com reagentes colorimétricos. Por meio de uma reação química, cuja evidência é a mudança de cor, o perito sabe se a substância é ou não uma droga. Porém, a reação química não é tão específica, pois o perito pode encontrar uma substância que parece ser cocaína, que é ilícita, quando na verdade é a lidocaína ou a procaína, que são substâncias lícitas, usadas como analgésicos.
Outros aparelhos já bem conhecidos e usados pelos cientistas, como o cromatógrafo a gás, também podem ser usados com muita especificidade. Mas esses aparelhos são caros, pesados, grandes e não podem ser levados para a cena do crime. Assim, a amostra deve ser levada para um laboratório.
ImagemAparelho inventado por Marcelo
O aparelho inventado por Marcelo é mais específico que o método colorimétrico e mais portátil que o cromatógrafo a gás. Além de verificar se é ou não uma substância ilícita, ainda mostra a quantidade de substância que está presente na amostra. Esse valor é determinado por meio da corrente elétrica que é gerada na reação eletroquímica. Sabendo o teor da droga na amostra, os policiais podem saber de onde ela veio e, assim, podem ir atrás do traficante.
Tomara que a pesquisa avance e que, em breve, seja possível saber por um aparelho semelhante ao bafômetro se uma pessoa ingeriu ou não determinada droga, sem ser preciso fazer um exame toxicológico de sangue. Só a existência desse “drogômetro” já poderia diminuir a ingestão de drogas de abuso por motoristas, que ficariam preocupados com altas multas, prisões e outras sanções legais.
Publicada em: 14/07/2014

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Pesquisadores deixam método de Jacobi 200 vezes mais rápido

O método de Jacobi permite resolver sistemas lineares de equações, mas é muito lento em comparação com métodos mais atuais
Cientistas melhoram método matemático interativo de Jacobi, descartado no passado por ser lento e pesado demais
O método de Jacobi é um método numérico para resolver um sistema de equações matriciais para uma matriz que não tenha zeros em sua diagonal principal. Ele é um método interativo em que se propõe uma solução para o sistema linear e se usa essa solução proposta para calcular uma nova solução. A seguir, repete-se o processo usando como entrada a solução calculada na etapa anterior. Repetindo esse processo um número suficiente de vezes, a solução calculada a cada etapa se aproxima cada vez mais da solução correta do sistema.
Quando a solução se aproxima da correta, o valor da solução obtida em uma etapa e o valor da solução da etapa anterior ficam próximos uns dos outros. Esse critério é usado para determinar quando devemos parar o processo iterativo.
Esse é um método robusto, mas é pouco usado no dia a dia, pois ele converge muito lentamente. Isto é, é necessário repetir o procedimento muitas vezes antes de se obter a resposta correta para o sistema. Sendo assim, ele não é o método de escolha da maioria dos softwares que calculam numericamente a solução de equações matriciais.
 O método foi proposto em 1845 pelo matemático alemão Carl Gustav Jakob Jacobi. Na época, ele foi um método revolucionário que tornou a resolução de sistemas lineares muito mais rápida. 
Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins propuseram alterações no método de Jacobi, que o deixaram 200 vezes mais rápido
Desde então, no entanto, muitos métodos alternativos foram propostos e a maioria deles tem um tempo de computação menor (ou seja, são mais rápidos) que o método de Jacobi.
O aluno de pós-graduação Xiang Yang e seu professor de mecânica Rajat Mittal, da Universidade Johns Hopkins (nos Estados Unidos),  uniram-se para trabalhar esse problema e descobriram uma forma de torná-lo muito mais rápido. Testes feitos por esses pesquisadores usando as modificações propostas conseguiram fornecer o resultado correto e o fizeram cerca de 200 vezes mais rápido que com o método de Jacobi original.
O método de Jacobi, que já estava praticamente esquecido pelos softwares computacionais, pode voltar a ser implementado rotineiramente. O trabalho completo encontra-se na edição de junho doThe Journal of Computational Physics.

Será que o valor que usamos para a velocidade da luz está errado?

A velocidade da luz no vácuo é uma constante fundamental para a física
Físico dos Estados Unidos apresenta estudo que indica que a velocidade da luz pode ser menor do que se calculava até hoje
Na física, há muitas constantes que são consideradas fundamentais. Entre elas, estão a massa de algumas partículas subatômicas (elétrons, prótons, nêutrons), a carga do elétron, o número de Avogadro, a constante de Stefen-Boltzmann e a velocidade da luz. Essas constantes são tidas como fundamentais, pois é a partir delas que muitas outras podem ser definidas.
A velocidade da luz, por exemplo, é usada na mais atual definição do metro. Em 1983,  foi decidido que o metro seria definido como a distância percorrida por um raio de luz no vácuo em 1/299.792.458 segundos. Com essa definição, a velocidade da luz no vácuo passou a ser exatamente 299.792.458 m/s. Isso foi feito porque o padrão usado para medir o tempo (e definir o segundo) era mais preciso que o que era usado anteriormente para medir o metro.
Dados da supernova de 1987 podem indicar que a velocidade da luz no vácuo é menor do que pensávamos
O valor 299.792.458 m/s é usado, também, na Teoria da Relatividade Geral. Na equação E = mc2, o “c” corresponde a 299.792.458 m/s. Sendo uma unidade tão fundamental, é de extrema importância que o seu valor seja bem definido.
Em um trabalho publicado em junho, o físico James Franson, da Universidade de Maryland (Estados Unidos), sugere, no entanto, que esse valor está errado, que na verdade a velocidade de propagação da luz no vácuo é menor do que se acreditava.
 A razão pela qual Franson está sugerindo essa possibilidade é a de que, em fevereiro de 1987, uma supernova chamada de SN 1987A explodiu e pesquisadores aqui na Terra tentaram capturar fótons emitidos por ela.  No horário previsto para a chegada dos fótons da supernova, nenhum atingiu os detectores. No entanto, quase 5 horas depois, houve um grande grupo de fótons que chegou ao detector.
Se, de fato, a velocidade da luz for menor do que acreditávamos, muitos resultados terão de ser revistos
Na época, os cientistas argumentaram que os fótons detectados deveriam ser provenientes de outro evento. Mas e se esse não fosse o caso? Franson avaliou essa pergunta e desenvolveu um modelo em que, à medida que os fótons se propagam no vácuo, eles sofrem um processo chamado de polarização de vácuo, em que eles se separam em um par elétron-pósitron (antipartícula do elétron) e se unem novamente. De acordo com os seus cálculos, esse processo facilmente poderia explicar o atraso de 5 horas na chegada dos fótons.
Se Franson estiver correto, muitos resultados de cosmologia precisarão ser revistos e recalculados. Até a pergunta “quanto tempo a luz do Sol leva para nos atingir?” pode ganhar uma nova resposta.
Mais testes são necessários para confirmar se esse efeito de fato ocorreu. Mas a comunidade científica está certamente ciente da importância desse efeito. O trabalho completo encontra-se na edição de junho de 2014 da revista New Journal of Physics.

sábado, 12 de julho de 2014

Os diversos tempos da Copa do Mundo


Um gol marcado às 15h31 no Rio de Janeiro é comemorado em Los Angeles às 11h31; em Paris, às 20h31; em Hong Kong, às 2h41 do dia seguinte – embora todos gritem ao mesmo tempo
Enquanto evento internacional, a Copa nos faz lembrar dos fusos horários existentes no mundo
A Copa do Mundo de futebol tem apelo internacional e, por isso, é transmitida pela TV em tempo real para todos os países do mundo, com bilhões de espectadores e outros tantos bilhões de dólares em direitos de exibição e em contratos de publicidade.
A transmissão ao vivo via satélite de um evento global lembra que o nosso planeta é dividido em fusos horários, a fim de minimizar os problemas com as diferenças de horários, ainda mais num mundo cada vez mais globalizado. Como você se lembra, em razão do movimento de rotação, sempre em um lado da Terra é dia, enquanto no lado oposto é noite. Portanto, tempos diversos coexistem. Em algum lugar do planeta, enquanto você almoça, há alguém jantando. São ao todo 24 fusos, cada qual equivalente a cada hora do dia. Por isso, uma vez que a transmissão dos jogos de futebol é simultânea, aqueles torcedores que quiseram acompanhar as partidas a distância, em outro país, tiveram de assisti-las no horário local.
Por isso, na Copa de 2002, que aconteceu na Coreia do Sul e no Japão, os brasileiros assistiram aos jogos pela manhã ou mesmo durante a madrugada, por causa da grande diferença de fuso horário entre o Brasil e aqueles países.
Neste ano, as partidas começaram às 13h, às 15h, às 17h ou às 19h, no horário de Brasília. Estes foram escolhidos para que a maioria dos telespectadores do globo pudesse ver os jogos ao vivo. Os torcedores do México, por exemplo, acompanharam as partidas com duas horas de diferença para menos, isto é, às 11h, às 13h, às 15h e às 17h. Já os japoneses, com 13 horas de diferença para mais, à 1h, às 3h, às 5h e às 7h do dia seguinte, fazendo bastante silêncio na torcida!
 Os diversos fusos horários do planeta
Agora faça uma pausa e tente descobrir, pesquisando na internet, em que horários os torcedores na Alemanha viram os jogos. Acertou se você calculou 18h, 20h, 22h e meia-noite. Qual é a diferença de horário entre Brasília e Berlim?
Mesmo sem sair do Brasil, podemos sentir essa diferença. Os estádios dessa Copa localizados em dois fusos horários diferentes – a Arena Pantanal, em Cuiabá, no Mato Grosso, e a Arena da Amazônia, em Manaus, no Amazonas – estão na área do Brasil que está uma hora atrasada em relação ao horário de Brasília, que, por sua vez, vigora nos estados onde estão localizados os outros dez estádios que sediaram jogos.
O que quer dizer que, embora a maioria dos brasileiros tenha, por exemplo, assistido ao jogo entre Itália e Inglaterra a partir das 19 horas, o árbitro apitou o início da partida às 18 horas nas terras manauaras. E o contrário também é verdadeiro: os habitantes de Manaus viram os demais jogos sempre com uma hora de antecedência no horário local.
A próxima Copa do Mundo será realizada na Rússia, em 2018, em onze cidades-sede localizadas em três zonas de fusos horários diferentes. Se a Fifa mantiver os mesmos horários locais da Copa deste ano, considerando esses fusos horários russos, as partidas exibidas pelas emissoras brasileiras terão início entre as 5h e as 14h. Como se vê, a torcida vai começar logo cedo!

sábado, 5 de julho de 2014

Desvantagens da energia nuclear

Resíduos radioativos

O rejeito radioativo de usinas nucleares é normalmente baixo, mas representa um problema pois os elementos contidos no combustível queimado, principalmente os produtos de fissão, demoram um tempo muito longo para decairem em outros elementos e apresentam alta radioatividade, portanto é necessário que eles fiquem confinados em um depósito próprio onde não possa haver nem interferência humana externa nem interferência ambiental (já que a inteferência ambiental pode causar vazamentos e deslocamento dos elementos).
Mesmo não representando considerável perigo na forma conhecida por "intoxicação metais pesados", o plutônio mostra-se particularmente tóxico se inalado. Sua toxidade por inalação supera em cerca de 10.000 vezes sua toxidade por ingestão, e a aspiração de minúsculas quantidades deste elemento pode levar - a médio prazo - a uma morte por câncer de pulmão. 
Em um ano, um reator nuclear de 1200 MW (como p. ex. o de Angra 2) produz 265kg desse material, que tem uma meia-vida de 24.000 anos, e há material de sobra para se produzirem danos consideráveis às populações humanas e meio ambiente em geral.

Acidentes nucleares

O acidente no reator de Chernobyl (ex-URSS) contaminou radioativamente uma área de aproximadamente 150.000km² (corresponde mais de três vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro), sendo que 4.300km² possuem acesso interditado indefinidamente. Até 180 quilômetros distantes do reator situam-se áreas com uma contaminação de mais de 1,5 milhões de Becquerel por km², o que as deixa inabitáveis por milhares de anos.
Um reator nuclear precisa de resfriamento, mesmo em estado desligado, pois os processos de decaimento espontâneos desenvolvem uma quantidade de calor que pode chegar até 10% da força máxima do reator. Caso todos os sistemas de resfriamento falhem, o reator se esquenta, fazendo com que os metais dos combustíveis entrem em fusão, que acontece a temperaturas em volta de 2000°C. Nesse caso existe perigo do combustível fundir um buraco no contêiner de segurança, com a inevitável contaminação radioativa dos arredores da usina. Para evitar tal caso, uma usina nuclear tem cascatas de sistemas de resfriamento.
A falha de resfriamento pode ser causado por erros humanos, impacto de catástrofes naturais ou ataques terroristas. Foram falhas de funcionários no caso do acidente da usina Three Mile Island perto de Harrisburg, Pennsylvania, E.U.A que levou a destruição completa do reator e o vazamento de substâncias radioativas com mais de 1,6 · 1015 Bq no dia 28 de março de 1979 (nível 5 na escla INES).
Um terremoto da 8,9 na escala Richter e o subsequente tsunami levou ao acidente nuclear de Fukushima I (nível 7 na escala INES). A falha de resfriamento fez os níveis de água nos tanques de de arrefecimento baixar, provocando aquecimento dos combustíveis e a formação de hidrogênio em 4 dos 6 blocos da central. As seguintes explosões destruiram os prédios e causaram vazamentos em contêineres de segurança com liberação de materias radioativos.
Em 1993 uma pessoa demente ultrapassou as barricadas de segurança da usina "Three Mile Island" com um carro e chegou até o salão de turbinas. Nesse momento o reator estava em operação sob plena carga. Foi condenada sob acusação de causar ou arriscar a uma catástrofe e internada em psiquiatria.

Perigos aos funcionários

Principalmente todo funcionário operando na proximidade de substâncias radioativas está exposto ao risco de contaminação e portanto deve cumprir regras rígidas de segurança radiológica. Mesmo assim, já aconteceram vários imprevistos na história da energia nuclear, nem todos classificados pela Agência Internacional de Energia Nuclear (IAEO).
Um funcionário do instituto de pesquisa nuclear belga em Mol (EURATOM) sofreu um acidente em 1980 que o expôs a Plutônio-239 e provavelmente o levou a morte por leucemia 8 anos depois. Pesquisas feitas em cachorros, motivadas por esse incidente, demonstraram que 3,24 microgramas de Plutônio-239 absorvidos pelo pulmão resultam em morte por câncer. 

Segurança

Agência Internacional de Energia Atômica alertou que terroristas poderiam vir a comprar resíduos radioativos, por exemplo de países da ex-URSS ou de países com ditaduras que usam tecnologias nucleares, tais como Irã ou Coreia do Norte, e construir uma chamada "bomba suja".
O quão fácil é desviar materiais altamente radioativos é demonstrado pelo exemplo do acidente radiológico de Goiânia, no Brasil em 1987, onde uma cápsula contendo Césio-137 foi encontrada por moradores em um lixão, contida dentro de uma máquina hospitalar em um hospital abandonado.

Gases de estufa

Os insumos necessários e auxiliares à produção da energia nuclear, como a fabricação de recipientes próprios e refinamento do combustível nuclear, ou seja, para operacionalizá-la de forma geral, leva a uma consequente produção de gases de estufa entre 3 e 6 vezes maior comparada com a energia hídrica e eólica.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Aeronáutica do Chile divulga imagem que confirma observação de OVNI

Objeto não identificado em Collahuasi, no Chile (Foto: CEFAA)Objeto não identificado em Collahuasi, no Chile (Foto: CEFAA)
Santiago do Chile, 1 jul (EFE).- Cientistas do "Centro de Estudos de Fenômenos Aéreos Anômalos" (CEFAA), vinculada à direção geral de Aeronáutica Civil do Chile, concluíram que uma observação de abril de 2013 é mesmo de um objeto voador não identificado (OVNI), e divulgaram nesta terça-feira as imagens do objeto.
Após um ano de análise com cientistas de alto nível, "que geralmente são muito céticos", o órgão concluiu que a observação de abril de 2013 no norte do Chile se tratava de "um Objeto Voador Não Identificado (Ovni), pois não se parece com nada conhecido", explicou hoje à Agência Efe Ricardo Bermúdez, diretor do CEFAA.
O titular do CEFAA, único órgão do tipo no mundo, negou que se trate de uma "desclassificação" da imagem porque, afirmou: "nós não temos segredos".
Nesta matéria "ninguém é dono da verdade, por isso optamos por compartilhar a informação que temos, não ocultá-la", explicou Bermúdez, que ressaltou que o Chile, "é o único país onde existe total transparência" no que se refere aos OVNIS.
"Trabalhamos abertamente com quem avista objetos voadores, que geralmente são pilotos de avião ou operadores de radar, mas também com pessoas comuns que costumam filmá-los ou fotografá-los", ressaltou.
Uma das fotografias tiradas na mina mostra um disco no centro do céu limpoUma das fotografias tiradas na mina mostra um disco no centro do céu limpo
Segundo ele astrônomos, químicos, universidades, Forças Armadas e polícia também participam da análise de testemunhos e imagens, que "na maioria das vezes resultam ser aves, globos aerostáticos, sondas ou outro tipo de objetos sem mistério", detalhou.
Neste caso, 35 trabalhadores e profissionais da mina Collahuasi, situada a 4.300 metros acima do nível do mar, na região de Tarapacá, viram e fotografaram um disco prateado que se manteve visível por cerca duas horas, a cerca de 600 metros de altitude, em um dia absolutamente limpo, sem nenhuma nuvem no céu, em meados de abril de 2013.
"Era um disco prateado, de uns dez metros de diâmetro, que fez deslocamentos verticais e horizontais que nenhum avião pode realizar, mas que parecia seguir um plano de voo predeterminado", explicou Bermúdez.
O objeto passou a fazer parte dos 3% de visualizações registradas no Chile desde 1998 que foram reconhecidos oficialmente como OVNIS. EFE

domingo, 22 de junho de 2014

Em artigo inédito, a epidemiologista Maria do Carmo Leal, pesquisadora da Ensp/ Fiocruz escreve como são conduzidos os partos hoje no país         POR 09/06/2012 14:00

A gravidez é um tempo de muitas mudanças e expectativas na vida da mulher e das suas famílias porque implica em novas responsabilidades afetivas, sociais e legais decorrentes da maternidade. Mas, no nosso país, no ano passado, apenas 45% das gestações que terminaram em um nascimento foram planejadas para acontecer no momento em que elas ocorreram. Das não planejadas, 30% foram consideradas gestações não desejadas pelas mulheres.
Esse aspecto do não planejamento da gravidez, mais frequente ainda em adolescentes, torna a gestação também um motivo de angustia para uma grande parte das mulheres. Estima-se que houve cerca de um milhão de abortos em 2008, ou seja, uma gravidez em cada quatro terminou em aborto naquele ano no Brasil (Victora ET AL 2011). A ilegalidade atribuída ao aborto no país faz com que essa prática seja de alto risco, frequentemente realizada fora do sistema oficial de saúde, muitas vezes por leigos, sem a presença de profissionais qualificados, estando, em qualquer das situações, fora do controle sanitário e profissional vigentes. A situação de vulnerabilidade é maior para mulheres de baixa escolaridade, negras e jovens (Victora ET AL 2011).
Assim, desejar estar grávida é o primeiro componente para o sucesso e bem-estar da gestação. Dados recentemente publicados na “World Health Statistics” da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2010, 97% das gestantes brasileiras realizaram consultas pré-natais, sendo que 86% fizeram mais de quatro consultas e que 99% dos partos ocorreram dentro dos serviços de saúde, colocando o Brasil em uma situação próxima aos indicadores de cobertura dos países desenvolvidos (WHO, 2012). Dados preliminares do Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, realizado em 2011, mostram que mais de 80% das mulheres entrevistadas usaram os serviços públicos de saúde para acompanhar suas gestações e seus partos, sem diferenças entre as regiões geográficas, capital e interior, denotando a importância do SUS para o alcance daquele desempenho em âmbito internacional. Entretanto, persistem ainda problemas na qualidade da atenção oferecida, o que pode ser constatado pelas altas taxas de morbidade e mortalidade por patologias possíveis de serem evitadas por uma assistência bem feita no pré-natal e no parto (Vettore ET AL 2011).
Durante a gestação a mulher planeja o seu parto, a forma como vai receber o seu filho. Aqui no Brasil recebe influência da opinião do seu médico, dos familiares e amigos sobre as vantagens de fazer um parto normal ou cesáreo. Para gestantes que têm plano de saúde a escolha da via de parto (vaginal ou abdominal) pode se constituir em motivo de estresse. Ao início da gravidez a maioria delas prefere que o seu parto seja vaginal, opinião essa que vai mudando no decorrer da gestação.
Um estudo realizado no Rio de Janeiro, em 2008, por nosso grupo de pesquisa em hospitais do Sistema de Saúde Suplementar, onde as cesarianas atingem cifras próximas a 90%, mostrou que as mulheres mudam de ideia sobre o tipo de parto, durante a gravidez. No início um pouco mais de 30% delas gostariam de ter um parto cesariano, ao chegarem à maternidade, 70% havia se decidido pela cesárea, mas, ao saírem das maternidades, apenas 10% teve um parto por via vaginal. O medo da dor foi o principal motivo alegado inicialmente para desejar fazer uma cesárea e continuou sendo importante para ela mudar de opinião durante a gestação. Foi protetor estar bem informada sobre as vantagens do parto vaginal e o desejo do companheiro por essa modalidade de parto. As mulheres referiram com muita frequência (mais de 50%) que a sua decisão de mudança foi compartilhada com o medico (Dias et al 2008).
Em relação à cesariana, o que se sabe hoje é que essa cirurgia produz danos para a vida reprodutiva futura da mulher, aumentando o risco de placentação anormal, ruptura uterina, hemorragia pós-parto, infecção, admissão em UTI e mortalidade. É, portanto, um procedimento que não deve ser banalizado e que deve ser utilizado quando necessário, em situações em que esteja em risco a vida da gestante e do recém-nascido. Para o recém-nascido também são reportados prejuízos advindos de uma cesariana: mais frequentemente necessitam de suporte ventilatório para respirar ao nascer e usam mais a UTI neonatal, sendo essa necessidade tão maior quanto menor for a idade gestacional do recém-nascido (Hansen et AL, 2008). Outros danos tão importantes quanto esses são o retardo do contato da mãe com o filho no momento do nascimento e a baixa prática do aleitamento materno na sala de parto. Esses últimos aspectos jogam um importante papel no apego da mãe ao seu bebê e vice-versa (Buccolini ET AL 2008).
Nos serviços públicos brasileiros as gestantes que fazem parto vaginal são submetidas a uma excessiva manipulação, ficam presas ao leito, impedidas de deambular e se alimentar, usam ocitocina e dão à luz em posição de decúbito dorsal, com auxilio de episiotomia. Esses procedimentos, além de produzirem um trabalho de parto muito doloroso, são hoje não recomendados pela Organização Mundial de Saúde. Ou seja, tanto pelo excesso de cesarianas quanto pela inadequação do modelo ofertado para atendimento ao parto vaginal, no Brasil a pratica obstétrica é obsoleta, não segue as recomendações baseadas em evidencias cientificas e precisa ser modificada.
No Reino Unido e em outros países da Comunidade Econômica Europeia as gestantes também escolhem o tipo de parto que melhor convém a elas, levando em conta suas expectativas, as do seu companheiro e da sua família. Mas, diferente daqui, a escolha que elas fazem não é se o parto será cirúrgico ou não, mas qual a posição que elas desejam parir, se de cócoras, sentada, de joelhos, dentro da água, ou outra. Além dos cuidados pré-natais habituais, durante a gestação as mulheres se preparam psicológica e emocionalmente para o momento do parto, aprendendo técnicas de respiração, concentração e relaxamento que ajudarão no alívio das dores e aumentarão a segurança e tranquilidade para condução do seu parto. O parto tem um profundo significado para o encontro da mulher com a sua feminilidade e, por isso, naqueles países, os aspectos emocionais da parturição são também objeto de considerações pelos serviços de saúde, que cumprem um papel de dar suporte, amparo e garantia de segurança à escolha da gestante na condução do seu parto, em uma ambiência de conforto material, afetivo e emocional que inclui a presença da família no cenário das maternidades. Nesses países, os protocolos de atendimento ao parto recomendam o parto vaginal, com um mínimo de intervenção, sendo a decisão por uma cesariana, geralmente da responsabilidade do serviço de saúde, diante das condições e necessidades reais de cada caso clínico.
Esse modelo de atenção, baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento (também conhecido como parto humanizado), conduzido por enfermeiras obstétricas (midwives) e encontrado em quase todos os países europeus, tem ótimos resultados perinatais e está em franco contraste com o modelo que temos implantado aqui no Brasil. Com mais de 50% de cesarianas, cada vez mais as mulheres brasileiras têm parido anestesiadas, passando pelo processo do parto sem sentirem dor, mas também sem sentirem acontecer o próprio parto dos seus filhos. Por outro lado, a maioria dos nossos bebês tem sido retirada do útero pelos médicos, não fazem força para nascer, ficando subtraídos dessa experiência humana e vital tão significativa. Não temos nenhuma avaliação dos resultados do nosso modelo extremamente medicalizado de atenção ao parto sobre as crianças a médio e longo prazo, mas podemos reconhecer, sem muito esforço, que ele se constitui em uma ruptura com a maneira como nasceram as gerações brasileiras anteriores e que, do ponto de vista populacional, é uma experiência não avaliada previamente.
As mulheres brasileiras, mesmo que desejem, têm pouca chance de vivenciarem um parto do tipo humanizado porque esse modelo de atenção está implantado em pouquíssimas maternidades dos serviços de saúde. E, para as mulheres de nível socioeconômico mais elevado que são esclarecidas e desejam ter um parto vaginal, uma opção tem sido o parto domiciliar, geralmente realizado por enfermeiras obstétricas.
No Brasil a decisão sobre a realização de um parto cirúrgico sem indicação clínica tem sido considerado um direito de escolha da gestante. Ocorre que o exercício desse direito não tem se acompanhado de informações claras sobre o risco de um parto operatório. Ou seja, a escolha tem sido feita sem informações adequadas para a tomada de uma decisão consciente. Em parte porque os obstetras que as assiste também ou não têm essas informações, ou não baseiam sua pratica em evidencias cientificas. Ambas as situações são graves, sobretudo porque os manuais técnicos do Ministério da Saúde trazem recomendações corretas sobre a atenção ao parto e nascimento e estão disponíveis para todos.
Está em curso no país um movimento pela adoção de um modelo de atenção baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento. Iniciativas importantes do Ministério da Saúde tais como Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, Lei do acompanhante, Programa de Qualificação das Maternidades no Nordeste e Amazônia Legal e, mais recentemente a Rede Cegonha, são exemplos desse esforço. Em paralelo, verifica-se um renascimento dos movimentos sociais das mulheres pelo resgate do protagonismo da mulher na condução do seu parto e do nascimento dos seus filhos. Um grande número de grupos associativos de mulheres vem surgindo no país, tendo a ReHuNa — Rede pela Humanização do Parto e Nascimento – uma organização da sociedade civil criada em 1993 com o objetivo de formar uma rede em defesa do parto humanizado, um papel importante na articulação desse movimento pela mudança do modelo obstétrico vigente (http://www.rehuna.org.br/index.php/seminario). Existe hoje um consenso de que se necessita urgentemente reformar o modo de atender ao parto e nascimento das mães e crianças brasileiras.
Bibliografia
Victora CG, Aquino EM, do Carmo Leal M, Monteiro CA, Barros FC, Szwarcwald
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Dias MAB, Domingues RMSM; Pereira APE; Fonseca SCF; Gama GN; Theme Filha
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caesarean section: cohort study. BMJ, v.336, n.7635, Jan 12, p.85-7, 2008
BOCCOLINI, et al. Fatores que interferem no tempo entre o nascimento e a primeira
mamada. Cadernos de Saúde Pública, v.24, p.2681-2694, 2008


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Darpa estaria desenvolvendo chips que podem implantar ou apagar memórias

Um chip no cérebro capaz de implantar e remover memórias é a possível nova tecnologia da Darpa para mentes humanas no futuro. A agência militar norte-americana, segundo a imprensa internacional, já estaria desenvolvendo primeiras unidades do pequenos produtos, que podem ser bastante polêmicos.
Chip criado pela DARPA pode inserir memórias falsa no cérebro (Foto: Divulgação/IBM)Chip criado pela DARPA pode inserir memórias falsa no cérebro (Foto: Divulgação/IBM)

Os cientistas acreditam que possa estar começando uma “era dourada” nesse campo. Apesar de parecer um pouco assustadora, a ideia pode ser útil para o tratamento de várias doenças, especialmente relacionadas a depressão, vícios e ansiedade.
“Eles parecem estar a todo vapor neste tipo de tecnologia. Querem implantar chips nos cérebros. Seria como uma prótese. Ao invés de mover o seu braço, você já estaria fixando uma memória. Mas não tenho ideia de como eles fariam isso”, afirmou.
A possibilidade de “programar mentes”, o que já vem sendo testado com ratos há algum tempo, parece já estar próxima de ser uma realidade. O especialista e neurocientista Joseph LeDoux afirma que não sabe como isso será feito, mas que certamente vai acontecer em breve.
Recentemente, a mesma Darpa causou polêmica com outras duas tecnologias: chips para autenticação de informações biométricas e tatuagens eletrônicas que permitiriam leitura de informações das mentes dos usuários.
Men in Black (MIB) e o Neuralyzer, que apaga memórias (Foto: Reprodução/MIB)Men in Black (MIB) e o Neuralyzer, que apaga memórias (Foto: Reprodução/MIB)

A tecnologia da Darpa lembra o neuralyzer, um dispositivo usado pelos personagens do filme Men in Black (MIB), no Brasil, Homens de Preto. No formato de um tubo metálico, o aparelho dá um flash brilhante que apaga as memórias do passado de horas antes, dias, semanas, meses ou mesmo anos.
Via Global Research   por   Para o TechTudo

domingo, 4 de maio de 2014

Heartbleed: a importância da falha de segurança em sistemas criptográficos

Sites como Yahoo!, Tumblr e Flicker podem apresentar falhas no sistema criptográfico, um Heartbleed, deixando vazar informações sigilosas dos usuários na rede.

A troca de informações, que devem ser sigilosas, entre usuários e páginas se tornou algo rotineiro
Nos dias atuais, a comunicação é feita sobretudo através dainternet. Trocas de e-mail ou mensagens via redes sociais são algo rotineiro. Compras são frequentemente feitas pela web. Todas essas atividades envolvem a troca de informações entre o usuário e o servidor da página e, muitas vezes, essa informação deve ser mantida em sigilo. Ao se digitar o número de um cartão de crédito durante uma compra, o usuário deseja que apenas a página da loja em questão tenha acesso a essa informação. 
Esse sigilo é garantido através do uso da criptografia. Um protocolo de criptografia frequentemente usado por lojas, redes sociais e e-mails é o SSL (Secure Sockets Layer). Quando há “HTTPS“ antes do endereço da página no browser, é esse o protocolo que está sendo usado.

A criptografia é usada para garantir a segurança dos dados trocados entre usuários e servidor
No protocolo SSL, cada servidor possui um par de chaves criptográficas que são autenticadas por um certificado emitido por uma autoridade confiável. Uma das chaves é pública e a outra é privada e mantida em segredo. Materiais criptografados pela chave pública só podem ser lidos pela chave privada e vice-versa. Quando há comunicação de modo seguro com o servidor de uma página, o browser checa a identidade desse servidor, avaliando o seu certificado. Se o browser confia no certificado, ele envia uma mensagem ao servidor usando a chave pública. O servidor envia, então, um reconhecimento digital e uma seção segura se inicia.

Um erro de programação pode expôr os dados pessoais de diversos usuários

Para ser usado, o SSL precisa ser implementado em um software que é, então, incorporado a um produto maior, como um servidor. A forma de implementação mais comum é chamada de OpenSSL. 
Descobriu-se a presença de erro de programação nessa implementação, que permite que um sistema com OpenSSL seja enganado, revelando os conteúdos presentes na memória do servidor. Essa vulnerabilidade foi chamada de Heartbleed. 
O conteúdo revelado a cada instante pode ser qualquer coisa: um nome de usuário, um número de cartão de crédito ou, até mesmo, a chave criptográfica privada do servidor! Além disso, não fica registrado em nenhum lugar qual o conteúdo revelado. Como não há como saber que informação foi copiada, é possível que nunca saibamos qual a extensão dos danos causados por essa falha. 
Dentre os sites afetados por essa falha encontram-se o Yahoo!, Tumblr e Flickr. Essas páginas iniciarão medidas como a alteração das chaves privadas e outras correções para voltar a apresentar conexões seguras.

sábado, 3 de maio de 2014

A Física pode auxiliar a minimizar danos feitos por terremotos

Pesquisadores testam novos materiais a fim de poder modificar o solo de locais suscetíveis a terremotos, o que garantiria, por exemplo, a segurança das construções nessas regiões.

Um terremoto pode trazer diversos danos a uma cidade
Os terremotos podem causar muitos danos em uma cidade. O tremor pode fazer com que prédios colapsem total ou parcialmente, colocando em risco a vida de muitas pessoas. Em regiões onde tremores são frequentes, isso é levado em consideração ao se construir um prédio.
Se o solo abaixo de um prédio é firme e sólido a fundação do prédio ficará presa durante o tremor, mas o prédio pode vir a se soltar da fundação. Nesses casos, a união do prédio à sua fundação pode ser feita de modo mais forte para garantir que prédio e fundação se movam como uma única estrutura. Toda a estrutura pode tremer com o terremoto, mas as chances de desmoronamentos se tornam menores.

Em locais onde tremores são frequentes, muitos prédios já são construídos de modo a minimizar a destruição proveniente dos terremotos

 Outra abordagem usada é chamada de isolamento de base. Nesse caso, coloca-se entre o prédio e sua fundação um conjunto de molas para que a energia do tremor seja dissipada e o prédio não se mova muito.
Há, ainda, outras abordagens, mas, em geral, todas envolvem o amortecimento e dissipação da energia absorvida por um prédio quando esse é atingido por uma onda sísmica. Em março de 2014, o físico Sebastien Guenneau e colegas do Instituto Fresnel e Companhia de Geoengenharia Ménard, propuseram uma abordagem diferente. Eles sugerem a modificação do chão ao redor de um prédio para desviar asondas sísmicas do prédio. 

Uma nova estratégia sugere o uso de metamateriais no chão para blindar um prédio das vibrações de um terremoto
Essa ideia faria uso de metamateriais, que são materiais artificiais com propriedades não encontradas em materiais naturais. Um exemplo disso são metamateriais com índices de refração negativos. Esses estão sendo usados no desenvolvimento de mantos de invisibilidade por alterarem o trajeto de ondas eletromagnéticas. De acordo com os pesquisadores, metamateriais sísmicos poderiam ser usados de modo semelhante. Se for possível controlar a sua densidade e a elasticidade, eles podem, em teoria, alterar o trajeto de ondas sísmicas de modo que a vibração de um prédio se torne menor.
 Para testar essa hipótese, os pesquisadores enterraram uma fonte de vibração que vibra a 50Hz. A alguns metros de distância foram colocados detectores para medir a vibração do chão. A seguir, eles fizeram alguns buracos no chão de modo a deixá-lo com uma densidade e elasticidade diferente. Os pesquisadores viram que na presença dos buracos a vibração medida pelo detector era muito menor que na ausência deles. Isso mostrou que um solo modificado pode, de fato, reduzir bastante a energia da onda sísmica que chega em um ponto.
Muito ainda precisa ser feito antes que essa estratégia se torne um produto comercial. Porém, os dados obtidos até então são promissores.
O trabalho completo encontra-se na revista Physical Review Letters.