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sábado, 7 de fevereiro de 2015

Astrônomo do Vaticano: 'Não estamos atrás de alienígenas para evangelizá-los'

O primeiro registro sobre um observatório do Vaticano é de 1582
  • O primeiro registro sobre um observatório do Vaticano é de 1582
No topo de uma montanha no sudoeste dos Estados Unidos, no Observatório do Vaticano, padres católicos estudam planetas habitáveis - o que pode parecer estranho para muita gente, dado as grandes diferenças, algumas incompatíveis, entre ciência e religião.

Para os próprios padres, no entanto, a pesquisa no observatório representa uma forma de "se conectar com o criador".

"Não, nós não estamos fazendo nada estranho", disse à BBC o vice-diretor do observatório do Vaticano, padre Paul Gabor. "Nós estamos realmente fazendo ciência, não estamos atrás de alienígenas para evangelizá-los'".

Os dez astrofísicos empregados pela igreja dizem que estão tentando conquistar avanços sobre o conhecimento que temos atualmente sobre o universo.

"O Observatório do Vaticano é uma operação muito pequena por causa da maneira curiosa como recrutamos nossos funcionários. Em outras palavras, para trabalharmos aqui, precisamos ser padres", explicou o padre Gabor.

Cientistas, entretanto, dizem que há razões para não se confiar em pesquisas patrocinadas por religiões.

"Levando em consideração a natureza sobre o que é requisitado para trabalhar no Observatório do Vaticano, você não iria esperar que os melhores cientistas fossem querer fazer parte disso, porque os melhores cientistas, em geral, são ateus", disse o físico também ateu, Lawrence Krauss.

"Até pelo senso intelectual, claro que ciência e a doutrina das religiões mundiais são completamente incompatíveis. E isso tem sido assim por séculos e séculos."

Ciência e religião

Essa crítica, porém, é rechaçada pelos astrônomos do Vaticano. Para eles, especialmente na astrofísica, os limites entre ciência e religião não existem.

O Observatório do Vaticano foi transferido para Tucson, no Arizona, em 1981, quando a qualidade ruim do ar da Itália tornou impossível a continuidade das pesquisas por lá. Desde então, os trabalhos dos astrônomos católicos têm sido feitos da Universidade do Arizona.

"Acho que pessoas que são destinadas para as grandes questões sobre fé também estão destinadas à astronomia, porque nela você também faz grandes questionamentos", comentou Buell Jannuzi, chefe do observatório da Universidade do Arizona.

A primeira menção a um observatório do Vaticano de que se tem registro é de 1582, mas sua existência só foi confirmada oficialmente em 1891, pelo papa Leão 13.

À época, ele disse que seu objetivo era deixar claro que a Igreja Católica Romana "não se opunha à verdadeira e sólida ciência".

O padre jesuíta Paul Gabor acredita que, se há outros planetas habitáveis no universo, provavelmente deve haver vida neles. Ele diz também que consegue, cada vez mais, entender a grande conexão entre astrofísica e religião.

"Quem tenta entender isso consegue ver que o universo, de fato, quer ser compreendido."

sábado, 5 de julho de 2014

Desvantagens da energia nuclear

Resíduos radioativos

O rejeito radioativo de usinas nucleares é normalmente baixo, mas representa um problema pois os elementos contidos no combustível queimado, principalmente os produtos de fissão, demoram um tempo muito longo para decairem em outros elementos e apresentam alta radioatividade, portanto é necessário que eles fiquem confinados em um depósito próprio onde não possa haver nem interferência humana externa nem interferência ambiental (já que a inteferência ambiental pode causar vazamentos e deslocamento dos elementos).
Mesmo não representando considerável perigo na forma conhecida por "intoxicação metais pesados", o plutônio mostra-se particularmente tóxico se inalado. Sua toxidade por inalação supera em cerca de 10.000 vezes sua toxidade por ingestão, e a aspiração de minúsculas quantidades deste elemento pode levar - a médio prazo - a uma morte por câncer de pulmão. 
Em um ano, um reator nuclear de 1200 MW (como p. ex. o de Angra 2) produz 265kg desse material, que tem uma meia-vida de 24.000 anos, e há material de sobra para se produzirem danos consideráveis às populações humanas e meio ambiente em geral.

Acidentes nucleares

O acidente no reator de Chernobyl (ex-URSS) contaminou radioativamente uma área de aproximadamente 150.000km² (corresponde mais de três vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro), sendo que 4.300km² possuem acesso interditado indefinidamente. Até 180 quilômetros distantes do reator situam-se áreas com uma contaminação de mais de 1,5 milhões de Becquerel por km², o que as deixa inabitáveis por milhares de anos.
Um reator nuclear precisa de resfriamento, mesmo em estado desligado, pois os processos de decaimento espontâneos desenvolvem uma quantidade de calor que pode chegar até 10% da força máxima do reator. Caso todos os sistemas de resfriamento falhem, o reator se esquenta, fazendo com que os metais dos combustíveis entrem em fusão, que acontece a temperaturas em volta de 2000°C. Nesse caso existe perigo do combustível fundir um buraco no contêiner de segurança, com a inevitável contaminação radioativa dos arredores da usina. Para evitar tal caso, uma usina nuclear tem cascatas de sistemas de resfriamento.
A falha de resfriamento pode ser causado por erros humanos, impacto de catástrofes naturais ou ataques terroristas. Foram falhas de funcionários no caso do acidente da usina Three Mile Island perto de Harrisburg, Pennsylvania, E.U.A que levou a destruição completa do reator e o vazamento de substâncias radioativas com mais de 1,6 · 1015 Bq no dia 28 de março de 1979 (nível 5 na escla INES).
Um terremoto da 8,9 na escala Richter e o subsequente tsunami levou ao acidente nuclear de Fukushima I (nível 7 na escala INES). A falha de resfriamento fez os níveis de água nos tanques de de arrefecimento baixar, provocando aquecimento dos combustíveis e a formação de hidrogênio em 4 dos 6 blocos da central. As seguintes explosões destruiram os prédios e causaram vazamentos em contêineres de segurança com liberação de materias radioativos.
Em 1993 uma pessoa demente ultrapassou as barricadas de segurança da usina "Three Mile Island" com um carro e chegou até o salão de turbinas. Nesse momento o reator estava em operação sob plena carga. Foi condenada sob acusação de causar ou arriscar a uma catástrofe e internada em psiquiatria.

Perigos aos funcionários

Principalmente todo funcionário operando na proximidade de substâncias radioativas está exposto ao risco de contaminação e portanto deve cumprir regras rígidas de segurança radiológica. Mesmo assim, já aconteceram vários imprevistos na história da energia nuclear, nem todos classificados pela Agência Internacional de Energia Nuclear (IAEO).
Um funcionário do instituto de pesquisa nuclear belga em Mol (EURATOM) sofreu um acidente em 1980 que o expôs a Plutônio-239 e provavelmente o levou a morte por leucemia 8 anos depois. Pesquisas feitas em cachorros, motivadas por esse incidente, demonstraram que 3,24 microgramas de Plutônio-239 absorvidos pelo pulmão resultam em morte por câncer. 

Segurança

Agência Internacional de Energia Atômica alertou que terroristas poderiam vir a comprar resíduos radioativos, por exemplo de países da ex-URSS ou de países com ditaduras que usam tecnologias nucleares, tais como Irã ou Coreia do Norte, e construir uma chamada "bomba suja".
O quão fácil é desviar materiais altamente radioativos é demonstrado pelo exemplo do acidente radiológico de Goiânia, no Brasil em 1987, onde uma cápsula contendo Césio-137 foi encontrada por moradores em um lixão, contida dentro de uma máquina hospitalar em um hospital abandonado.

Gases de estufa

Os insumos necessários e auxiliares à produção da energia nuclear, como a fabricação de recipientes próprios e refinamento do combustível nuclear, ou seja, para operacionalizá-la de forma geral, leva a uma consequente produção de gases de estufa entre 3 e 6 vezes maior comparada com a energia hídrica e eólica.

sábado, 3 de maio de 2014

A Física pode auxiliar a minimizar danos feitos por terremotos

Pesquisadores testam novos materiais a fim de poder modificar o solo de locais suscetíveis a terremotos, o que garantiria, por exemplo, a segurança das construções nessas regiões.

Um terremoto pode trazer diversos danos a uma cidade
Os terremotos podem causar muitos danos em uma cidade. O tremor pode fazer com que prédios colapsem total ou parcialmente, colocando em risco a vida de muitas pessoas. Em regiões onde tremores são frequentes, isso é levado em consideração ao se construir um prédio.
Se o solo abaixo de um prédio é firme e sólido a fundação do prédio ficará presa durante o tremor, mas o prédio pode vir a se soltar da fundação. Nesses casos, a união do prédio à sua fundação pode ser feita de modo mais forte para garantir que prédio e fundação se movam como uma única estrutura. Toda a estrutura pode tremer com o terremoto, mas as chances de desmoronamentos se tornam menores.

Em locais onde tremores são frequentes, muitos prédios já são construídos de modo a minimizar a destruição proveniente dos terremotos

 Outra abordagem usada é chamada de isolamento de base. Nesse caso, coloca-se entre o prédio e sua fundação um conjunto de molas para que a energia do tremor seja dissipada e o prédio não se mova muito.
Há, ainda, outras abordagens, mas, em geral, todas envolvem o amortecimento e dissipação da energia absorvida por um prédio quando esse é atingido por uma onda sísmica. Em março de 2014, o físico Sebastien Guenneau e colegas do Instituto Fresnel e Companhia de Geoengenharia Ménard, propuseram uma abordagem diferente. Eles sugerem a modificação do chão ao redor de um prédio para desviar asondas sísmicas do prédio. 

Uma nova estratégia sugere o uso de metamateriais no chão para blindar um prédio das vibrações de um terremoto
Essa ideia faria uso de metamateriais, que são materiais artificiais com propriedades não encontradas em materiais naturais. Um exemplo disso são metamateriais com índices de refração negativos. Esses estão sendo usados no desenvolvimento de mantos de invisibilidade por alterarem o trajeto de ondas eletromagnéticas. De acordo com os pesquisadores, metamateriais sísmicos poderiam ser usados de modo semelhante. Se for possível controlar a sua densidade e a elasticidade, eles podem, em teoria, alterar o trajeto de ondas sísmicas de modo que a vibração de um prédio se torne menor.
 Para testar essa hipótese, os pesquisadores enterraram uma fonte de vibração que vibra a 50Hz. A alguns metros de distância foram colocados detectores para medir a vibração do chão. A seguir, eles fizeram alguns buracos no chão de modo a deixá-lo com uma densidade e elasticidade diferente. Os pesquisadores viram que na presença dos buracos a vibração medida pelo detector era muito menor que na ausência deles. Isso mostrou que um solo modificado pode, de fato, reduzir bastante a energia da onda sísmica que chega em um ponto.
Muito ainda precisa ser feito antes que essa estratégia se torne um produto comercial. Porém, os dados obtidos até então são promissores.
O trabalho completo encontra-se na revista Physical Review Letters.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Minicomputador comestível

Cientistas constroem computadores em tamanho de pílulas, que podem ser ingeridos como se fossem remédio.

Os computadores estão cada vez menores, mais finos, mais rápidos, mais poderosos, mais portáteis. Mas, você já imaginou engolir um computador? Certamente, não!
Em tamanho de pílulas, nesses computadores podem ser colocados sensores, transmissores, câmeras e/ou chips para executar funções variadas. Já existem exames, como a endoscopia, que funcionam à base de uma câmera conectada em um fio que é ingerido e depois retirado. A novidade é que esses minicomputadores não têm fios. E eles podem monitorar dados relacionados com a saúde, como os níveis de certos compostos (hormônios, vitaminas, sais minerais etc.), bem como fazer a vez da endoscopia e, com uma câmera, gravar os órgãos e tecidos. Depois de fazer as medidas, o minicomputador presente na pílula ainda poderá mandar os resultados dos exames por e-mail para o médico.

Existem ainda propostas de pílulas que tenham uma programação específica: ao chegar perto de um aparelho, por exemplo um celular ou até mesmo um carro, já sejam feitos certos comandos automaticamente, como abrir a porta ou preencher uma senha.

Tais pílulas já são usadas por astronautas. Para serem viáveis, elas devem ser feitas com um material resistente, que não reaja com nenhum composto presente no sistema digestivo. Dessa forma, a pílula entra e sai do corpo sem liberar compostos que possam ser nocivos para a saúde. Além disso, ela também tem que ter algum mecanismo de funcionamento, como uma bateria ou pilha, que seja durável e autônomo.

A FDA, fundação americana que regulamenta os medicamentos e alimentos que são vendidos no país, já liberou a venda de uma dessas pílulas, a chamada Proteus Digital Health, desenvolvida pela Redwood City. Essa pílula possui um dispositivo à base de magnésio e de cobre. Quando entra em contato com o ácido clorídrico do estômago, o computador começa a funcionar, pois se fecha o circuito elétrico e ocorrem reações químicas que geram energia.
O computador presente na pílula, então, faz as medidas e coleta os dados, de acordo com a programação que foi feita antes de ela ser ingerida. Depois, acontece o envio desses dados para um aplicativo, como aqueles de celulares. A expectativa é tanta que a empresa já arrecadou mais de 60 milhões de dólares de investidores.

Outra pílula, denominada CorTemp, foi desenvolvida pela empresa americana HQ Inc.. Ela tem uma bateria interna e um minicomputador que transmite para um aplicativo a temperatura interna do organismo, mesmo quando se está fazendo uma atividade intensa. A pílula vem sendo usada por astronautas, bombeiros e outros profissionais para evitar que seus corpos fiquem superaquecidos.
A questão problemática do computador digerível é que ele entra no organismo via oral, mas, depois de percorrer o sistema digestivo, é eliminado nas fezes. Quando isso ocorre, a pessoa pode escolher: recuperá-lo e reciclá-lo ou descartá-lo. 
Cientistas constroem computadores em tamanho de pílulas, que podem ser ingeridos como se fossem remédio.
As pílulas com minicomputadores podem enviar informações de dentro do organismo para aplicativos de smartphones
Os computadores estão cada vez menores, mais finos, mais rápidos, mais poderosos, mais portáteis. Mas, você já imaginou engolir um computador? Certamente, não!
Em tamanho de pílulas, nesses computadores podem ser colocados sensores, transmissores, câmeras e/ou chips para executar funções variadas. Já existem exames, como a endoscopia, que funcionam à base de uma câmera conectada em um fio que é ingerido e depois retirado. A novidade é que esses minicomputadores não têm fios. E eles podem monitorar dados relacionados com a saúde, como os níveis de certos compostos (hormônios, vitaminas, sais minerais etc.), bem como fazer a vez da endoscopia e, com uma câmera, gravar os órgãos e tecidos. Depois de fazer as medidas, o minicomputador presente na pílula ainda poderá mandar os resultados dos exames por e-mail para o médico.
Existem ainda propostas de pílulas que tenham uma programação específica: ao chegar perto de um aparelho, por exemplo um celular ou até mesmo um carro, já sejam feitos certos comandos automaticamente, como abrir a porta ou preencher uma senha.
Tamanho do computador dentro da pílula Proteus Digital Health
Tais pílulas já são usadas por astronautas. Para serem viáveis, elas devem ser feitas com um material resistente, que não reaja com nenhum composto presente no sistema digestivo. Dessa forma, a pílula entra e sai do corpo sem liberar compostos que possam ser nocivos para a saúde. Além disso, ela também tem que ter algum mecanismo de funcionamento, como uma bateria ou pilha, que seja durável e autônomo.
A FDA, fundação americana que regulamenta os medicamentos e alimentos que são vendidos no país, já liberou a venda de uma dessas pílulas, a chamada Proteus Digital Health, desenvolvida pela Redwood City. Essa pílula possui um dispositivo à base de magnésio e de cobre. Quando entra em contato com o ácido clorídrico do estômago, o computador começa a funcionar, pois se fecha o circuito elétrico e ocorrem reações químicas que geram energia.
O computador presente na pílula, então, faz as medidas e coleta os dados, de acordo com a programação que foi feita antes de ela ser ingerida. Depois, acontece o envio desses dados para um aplicativo, como aqueles de celulares. A expectativa é tanta que a empresa já arrecadou mais de 60 milhões de dólares de investidores.
A CorTemp é muito parecida com uma pílula comum. Ela mede a temperatura interna do corpo humano
Outra pílula, denominada CorTemp, foi desenvolvida pela empresa americana HQ Inc.. Ela tem uma bateria interna e um minicomputador que transmite para um aplicativo a temperatura interna do organismo, mesmo quando se está fazendo uma atividade intensa. A pílula vem sendo usada por astronautas, bombeiros e outros profissionais para evitar que seus corpos fiquem superaquecidos.
A questão problemática do computador digerível é que ele entra no organismo via oral, mas, depois de percorrer o sistema digestivo, é eliminado nas fezes. Quando isso ocorre, a pessoa pode escolher: recuperá-lo e reciclá-lo ou descartá-lo. 


domingo, 30 de junho de 2013

10 cientistas mais importantes de todos os tempos

Eles tiveram ideias e fizeram descobertas que transformaram o mundo. Seus pensamentos explicaram desde o funcionamento das forças que regem o cosmo até o que acontece no nosso corpo e mente. Graças a eles o ser humano conseguiu compreender e dominar muitos aspectos da natureza, de coisas que antes eram atribuídas à vontade de deuses ou demônios. Entre todos os cientistas que ao longo da história têm contribuído para isso alguns destacam-se por sua genialidade. Eles são os cientistas mais influentes de todos os tempos.
einstein
© istockphoto/Jose A.Santiso
Foi principalmente desde o fim da Idade Média que a humanidade começou a desenvolver uma concepção científica do mundo. Naqueles tempos, a ideia de que há leis na natureza que regem todos os fenômenos começou a se sobrepor a superstições e ao medo da magia. A matemática, que vinha se desenvolvendo desde o antigo Egito, foi a base das descobertas extraordinárias que começaram a acontecer. Os responsáveis por isso foram homens que usaram a ciência para iluminar os caminhos da civilização, com conquistas tecnológicas, médicas e sociais, entre outras, praticamente inimagináveis há apenas alguns séculos. Conheça nas páginas a seguir quem são dez dos mais influentes cientistas de todos os tempos, apresentados em ordem cronológica.

Nicolau Copérnico (1473-1543)

Nicolau Copérnico
© iStockphoto.com /GeorgiosArt
A partir de suas observações do céu a olho nu, pois a luneta ainda não havia sido inventada, o polonês Nicolau Copérnico fez uma descoberta que causou a primeira grande revolução em nossa concepção do universo. Estudioso de astronomia, matemática e medicina, ele escreveu "Sobre as Revoluções das Esferas Celestes", na qual afirmou que a Terra gira em torno de seu próprio eixo uma vez por dia e em torno do Sol uma vez por ano. Numa época em que os dogmas da então poderosa Igreja Católica afirmavam que a Terra ficava parada no espaço e era o centro do universo, a descoberta de Copérnico era fantástica e ousada. Sua concepção de heliocentrismo, ainda que imperfeita, pois previa órbitas circulares dos planetas em torno do Sol, quando na verdade elas são elípticas, iniciou um fabuloso processo de descobertas astronômicas e físicas nas décadas a seguir.

Galileu Galilei (1564-1642)


galileu galilei
© istockphoto.com / Steven Wynn
O italiano Galileu Galilei foi um dos primeiros a perceber como a matemática aplicada aos fenômenos naturais nos propicia um poder extraordinário para compreender o que acontece no cosmo. Algumas décadas depois de Copérnico ter concebido o sistema heliocêntrico, Galilei o confirmou após dedicar sua vida à pesquisa, à observação dos planetas, aos cálculos e ao aperfeiçoamento do telescópio. Além da concepção heliocêntrica, Galilei cometeria outra heresia ao contestar os pensamentos inquestionáveis de Aristóteles sobre o movimento. Mas foi sua afirmação de que a Terra, assim como os outros planetas conhecidos, giravam em torno do Sol que o levou ao tribunal da Santa Inquisição. Para escapar da morte na fogueira, Galilei assinou uma declaração na qual se considerava um pecador por tal afirmação. No entanto, após tê-la assinado, ele teria murmurado: "Mas ela gira".

Johannes Kepler (1571-1628)

Sol
Reprodução
Kepler mostrou que a órbita dos planetas ao redor do Sol é elíptica
Contemporâneo de Galileu Galilei, Kepler foi responsável por descobrir que a volta que os planetas dão em torno do Sol é elíptica e não circular como acreditavam Copérnico e Galilei. Sua dedicação à matemática euclidiana era tal que afirmou: "a geometria é Deus". O talento matemático do alemão Kepler o levou a trabalhar ao lado do nobre dinamarquês e matemático imperial Tycho Brahe. O dinamarquês possuía observações astronômicas muito mais precisas do que qualquer um naquela época e elas foram fundamentais para as conclusões de Kepler. O movimento orbital de Marte, observado por Brahe, levou Kepler a descobrir que as órbitas dos planetas em torno do Sol eram elípticas. E ele foi além. O alemão desenvolveu as três leis fundamentais dos movimentos planetários e com isso fundou a astronomia moderna.


 Isaac Newton (1642-1727)

Isaac Newton
© istockphoto.com / Steven Wynn
O legado de Copérnico, Galilei e Kepler foi fundamental para que o inglês Isaac Newton desenvolvesse suas ideias sobre gravitação universal, uma audaciosa suposição que mudou o destino da ciência. Ainda jovem, Newton desenvolveu o cálculo, uma das mais importantes áreas da matemática moderna, além de ter elaborado o conceito de força e a teoria mecânica. O cálculo possibilitou a Newton ter as técnicas necessárias para suas descobertas a respeito da gravidade. A primeira de suas três famosas leis diz que um corpo permanece em repouso ou em movimento uniforme ao longo de uma linha reta, a menos que sofra ação de uma força externa (lei da inércia). A segunda afirma que o efeito de uma força contínua sobre um corpo inicialmente em repouso ou em movimento uniforme é fazê-lo acelerar. E a terceira diz que se um corpo exerce uma força sobre o outro, o segundo exercerá ao mesmo tempo força oposta e da mesma intensidade sobre o primeiro. Newton, ao combinar teoria mecânica e matemática, explicou como o mundo funciona e como é possível calcular o que acontece nele.

 Antoine Lavoisier (1743-1794)

Antoine Lavoisier
© iStockphoto.com /HultonArchive
Apesar de cursar direito na faculdade, eram as aulas de ciência que interessavam ao nobre francês Antoine Lavoisier. Foi esse interesse que o levou a escrever "Tratado Elementar da Química", obra que marcou a fundação da química moderna. Sua contribuição mais famosa e importante é a lei da conservação da matéria, na qual afirma que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. O cientista foi responsável também por elaborar a nomenclatura das substâncias químicas e pela descoberta de que a água é uma substância composta, formada por hidrogênio e oxigênio, uma afirmação que contrariava um dos princípios aristotélicos até então em vigor, que pressupunha que a água era uma substância impossível de se decompor. Ligado à nobreza e ao governo monárquico, Lavoisier foi morto na guilhotina durante a Revolução Francesa.

 Charles Darwin (1809-1882)

Darwin
Reprodução
Antes dele, a ciência já havia mostrado que a Terra não era o centro do universo. Com as descobertas de Charles Darwin um novo e definitivo golpe foi desferido nos dogmas religiosos e nos mitos de criação divina do cosmo e do ser humano. Se dependesse de seu pai, Darwin teria concluído os cursos de medicina ou teologia, mas o interesse do inglês por botânica o fez embarcar na expedição que o navio HSM Beagle fez para a América do Sul, numa missão de pesquisa científica. Foi durante essa viagem que ele fez as observações que o levariam a desenvolver a revolucionaria teoria da evolução das espécies. Suas conclusões mostravam que a humanidade era somente um passo a mais num processo evolutivo de sobrevivência e de seleção natural. Até hoje a ideia de que o homem descende do macaco é a mais ousada já desenvolvida pela ciência. A revolução que colocava o ser humano no seu devido lugar no universo, iniciada por Copérnico, estava concluída com a publicação de “Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural”, de Charles Darwin.

 Louis Pasteur (1822-1895)

Louis Pasteur
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Sua descoberta da ação dos microorganismos teve impactante consequência tanto na química como na medicina. O francês Louis Pasteur ao investigar os processos de fermentação do vinho e da cerveja descobriu que eles ocorriam devido a ação de microorganismos que se encontram no ar. Isso o fez compreender que os microorganismos eram responsáveis também por moléstias contagiosas. As descobertas de Pasteur o levaram a criar métodos para evitar a ação desses nocivos agentes externos tanto nos alimentos, com a criação do processo de pasteurização, como nos seres humanos, com o desenvolvimento de medidas profiláticas na medicina e a criação das vacinas, como a anti-rábica. A contribuição de Pasteur possibilitou estabelecer uma nova e melhor perspectiva de vida para a humanidade.
 
Sigmund Freud (1856-1939)

The Mind of Freud
Reprodução
No final do século 19, o homem já conhecia bastante sobre o funcionamento do universo e do corpo humano. Mas não sabia muito sobre a principal ferramenta que utilizava nessas descobertas: a mente. Graças às investigações científicas experimentais de um médico neurologista austríaco isso mudou radicalmente. Sigmund Freud desenvolveu um conjunto de teorias e práticas clínicas para compreender os problemas mentais que nos afligem. O resultado foi a criação da psicanálise, ao mesmo tempo campo de estudo e tratamento que mostram que são fatores psicológicos e não orgânicos os causadores de muitos males que acometem a mente humana. O desenvolvimento da psicanálise por Freud possibilitou o tratamento de uma série de desordens mentais, como histerias, neuroses e depressões. Suas descobertas e pensamentos influenciaram boa parte da produção intelectual, das ciências humanas às artes, desde o início do século 20.
 

Albert Einstein (1879-1955)


einstein
Imagem cedida 2006 SmugMug, Inc.
Quando Albert Einstein nasceu fazia quase dois séculos que Isaac Newton havia provado que tempo e espaço eram absolutos e não tinham nenhuma relação com coisas exteriores. Desde então acreditava-se que o tempo fluía de modo equitativo e o espaço permanecia sempre semelhante e inamovível. Essas certezas cairiam por terra com as ideias de Einstein. O cientista alemão supôs que não há nada que se possa chamar de movimento absoluto. Segundo Einstein, toda velocidade é relativa ao referencial específico que a define. Assim, se há movimento relativo, o tempo e o espaço se tornam relativos e o tempo é tão intrinsecamente ligado ao espaço que se torna uma quarta dimensão dele. Com sua Teoria da Relatividade, Einstein provocou uma revolução na nossa visão sobre o universo. Suas ideias anunciaram o fim da física clássica e o início da era da física quântica e da energia nuclear.

Niels Bohr (1885-1962)

Nesta simples imagem de um átomo, é possível ver os elétrons existentes em órbitas separadas como Bohr imaginou.
© How Stuff Works
Nesta simples imagem de um átomo,
é possível ver os elétrons existentes em órbitas separadas como Bohr imaginou
Ele solucionou um dos maiores enigmas da ciência: o da estrutura atômica. E fez isso ao usar um então inovador campo do conhecimento científico: a física quântica. O dinamarquês Niels Bohr, ganhador do Nobel de Física de 1922, começou suas revolucionárias descobertas ainda jovem. Quando estudava na Universidade de Copenhague, Bohr compreendeu em um de seus experimentos que as regras da física clássica não se aplicavam aos níveis subatômicos. Segundo ele, para entender o que acontecia dentro de um átomo, era necessário desenvolver uma nova física. Ao aplicar a teoria quântica do alemão Max Planck, Bohr mostrou que ela era essencial para explicar os fenômenos subatômicos. Suas descobertas levaram ao desenvolvimento da mecânica quântica e à precisa explicação do que acontecia numa fissão nuclear.

 Sílvio Anaz

Física no centro da Terra

Calcular a distância entre duas pessoas usando apenas a voz e um cronômetro? Obra da imaginação de Júlio Verne!

Júlio Verne escreveu em 1863 0 livro: Cinco Semanas em um Balão. No ano seguinte, ele inventou outra viagem extraordinária, que relatou no livro Viagem ao Centro da Terra, uma de suas histórias mais populares. Ela foi revisada e publicada apenas em 1867, depois de Viagens e Aventuras do Capitão Hatteras, livro escrito e publicado em 1866.

(Ilustração: Édouard Riou)
(Ilustração: Édouard Riou)

Viagem ao Centro da Terra é narrada pelo jovem Axel, sobrinho do professor Otto Lidenbrok, um ilustre geólogo alemão. Os dois perseguem as pistas deixadas em um manuscrito antigo por Arne Saknussemm, sábio islandês do século 16, e viajam até a Islândia, onde contratam o caçador Hans como guia para entrar na cratera do vulcão Sneffels e buscar o caminho para o centro da Terra.
A viagem dura meses, durante os quais o grupo encontra coisas incríveis no caminho. Também passam maus bocados, e precisam se safar de situações complicadas. Uma das minhas favoritas acontece quando Axel se perde dos outros dois.
Para seu desespero, percebe que também não está mais próximo do riacho subterrâneo que eles vinham seguindo. Tentando retornar, em pânico, sofre uma queda e danifica sua lamparina, que por fim se apaga. Na escuridão total, e já sem esperanças, escuta de repente a voz fraca dos outros conversando ao longe. Gritando, consegue se fazer ouvir. Uma parte interessante da conversa:
Axel: É preciso, antes de mais nada, saber a distância que nos separa.
… (muito tempo se passa antes da resposta chegar)
Dr. Lidenbrok: Isso é fácil.

Axel: Está com o cronômetro?

Dr. Lidenbrok: Estou.

Axel: Então, pegue-o. Pronuncie o meu nome, marcando o segundo exato em que o disser. Eu o repetirei no momento em que o ouvir, e você marcará igualmente o momento exato em que a minha resposta chegar até você.

Dr. Lidenbrok: Certo, e a metade do tempo compreendido entre a minha pergunta e a sua resposta indicará o tempo que a minha voz leva para chegar até você.

Axel: Isso mesmo, tio.
Com a ajuda do cronômetro, os personagens chegaram à conclusão de que a distância entre os dois era de 6,8 quilômetros. Axel foi bastante esperto – ainda mais considerando que ele devia estar muito nervoso naquela situação. Mas como ele fez para medir essa distância?
(Ilustração: Édouard Riou)
(Ilustração: Édouard Riou)

O doutor Lidenbrok sabia que o som se propaga no ar com a velocidade de aproximadamente 340 metros por segundo – ou seja, a cada segundo, o som percorre 340 metros.
Ele pronunciou o nome de Axel e ouviu sua resposta 40 segundos depois. Concluiu, então, que o som pronunciado por um demorava 20 segundos para chegar até o outro. Assim, bastou multiplicar 340 por 20, chegando ao valor de 6.800 metros, ou 6,8 quilômetros.
Na imaginação de Verne, as profundezas silenciosas e rochosas da Terra permitiriam escutar a voz humana a uma enorme distância. Com certa dose de sorte, Axel acabou conseguindo chegar até onde o tio estava, e de lá seguiram viagem até o seu grande final, que – é claro! – não vou contar para não estragar a surpresa…

Igualdade, a fronteira final

Nos 50 anos do primeiro voo espacial tripulado por uma mulher, Nasa anuncia turma de astronautas metade feminina – outra mostra do espaço conquistado por elas no mundo e fora dele.        
Igualdade, a fronteira final
Sunita Willians, segunda mulher a comandar uma missão na Estação Espacial Internacional, caminha no espaço. Com participação cada vez maior na exploração espacial, mulheres são metade dos candidatos a astronautas selecionados em 2013. (foto: Nasa)
Em junho de 1963, apenas dois anos depois do voo pioneiro de Yuri Gagarin, a União Soviética enviou a primeira mulher ao espaço, Valentina Tereshkova. Cinco décadas mais tarde, o mundo mudou, a URSS nem existe mais, mas as mulheres ainda lutam pela igualdade. No espaço, essa conquista parece um pouco mais próxima, a julgar pela nova turma de candidatos a astronautas anunciada na semana passada pela agência espacial norte-americana (Nasa): dos oito selecionados, quatro são mulheres. Ontem (26/06) a missão que levou a segunda chinesa ao espaço também retornou em segurança à Terra.
A Nasa recebeu seis mil inscrições, a maior procura já registrada no processo e também a mais equilibrada – metade dos candidatos eram mulheres
Os oito candidatos a astronauta selecionados pela Nasa foram escolhidos entre mais de seis mil candidatos. Foi a maior procura que a agência espacial já recebeu e também a mais equilibrada – metade dos candidatos eram mulheres. O anúncio do grupo foi feito no último dia 17, próximo à comemoração do voo de Tereshkova e do aniversário da missão que levou a primeira norte-americana ao espaço, Sally Ride, em 1983.
Segundo a bióloga Jessica Meir, uma das selecionadas, os próximos dois anos serão de muito trabalho, com treinamentos de sobrevivência, de voo, de robótica e até de russo, além de instruções sobre diversos temas científicos. Completada essa fase, eles aguardarão sua chance de ir ao espaço. “Seremos treinados para estadias longas, para missões a bordo da ISS [Estação Espacial Internacional] e até para possível exploração de asteroides e de Marte”, conta Meir. “Será simplesmente incrível participar dessas aventuras!”
Astronautas selecionadas
As quatro mulheres da próxima turma de astronautas da Nasa (Meir e McClain, acima, Mann e Hammock, abaixo) passarão por um intensivo período de treinamento de dois anos. No futuro, poderão integrar tripulações de viagens para asteroides e até para Marte. (fotos: Nasa)
Outra selecionada, a engenheira elétrica Christina Hammock, comemora o equilíbrio entre homens e mulheres no processo e o aumento da participação feminina na ciência. Na exploração espacial, embora ainda sejam minoria, elas ganham espaço: excetuando-se a nova turma, 12 dos 49 astronautas da Nasa são mulheres – e a agência desenvolve iniciativas para despertar nas meninas a paixão pelas ciências exatas. “Na física e na engenharia, ainda há grande predomínio de homens, mas hoje as jovens têm mais exemplos para se inspirar do que eu tive, as barreiras estão diminuindo”, avalia Hammock.
Movida a desafios e apaixonada por divulgação e educação científicas, Meir já participou até de expedições na Antártica, mas acredita que esse será seu maior desafio. “Tudo ainda é um pouco surreal, ser astronauta é o sonho da minha vida”, comemora. “Será uma experiência muito intensa e fico feliz de poder inspirar novos exploradores e cientistas.” Hammock completa: “Espero corresponder a essa honra mostrando a todo jovem que é possível seguir seus sonhos, paixões e habilidades naturais.”

Uma história de mulheres e estrelas

Além de Meir e Hammock, o grupo conta com Nicole Mann e Anne McClain, ambas pilotos das forças armadas dos Estados Unidos. Elas passaram por um exigente processo seletivo, mas a história de sua futura aventura começou bem antes – há 50 anos, com a viagem de Tereshkova. Filha de uma operária e de um condutor de trator, ela trabalhava numa fábrica quando foi selecionada pelo programa soviético. Meses de treinamento e 120 saltos de paraquedas depois, decolou a bordo do foguete Vostok 6, em 16 de junho de 1963, aos 26 anos. Apesar de raramente falar sobre a viagem, recentemente declarou que gostaria de integrar uma missão a Marte – mesmo que numa viagem só de ida!
Pioneiras do espaço
A pioneira espacial, Valentina Tereshkova, da União Soviética, e a chinesa Liu Yang, a primeira de seu país a ir ao espaço, quase cinco décadas depois. (imagens: Roscosmos e China Ministry of National Defense)
O pioneirismo soviético não estimulou muito os Estados Unidos – afinal, Sally Ride só chegaria ao espaço 20 anos depois. Porém, de lá pra cá, a participação feminina na exploração espacial cresceu rapidamente. Um fator importante para isso foi a criação dos ônibus espaciais, no início dos anos 1980. Eles permitiram a formação de times com especialidades muito diversas, com conhecimentos avançados em muitas áreas científicas e tecnológicas, o que também abriu espaço para uma saudável diversidade cultural e étnica.
Em 1995, Eileen Marie Collins tornou-se a primeira mulher a pilotar um desses ônibus, o Discovery. Dez anos depois, foi a primeira a voar após o desastre do Columbia, que matou sete astronautas em 2003. Mas talvez o momento mais simbólico dessa trajetória de conquistas tenha ocorrido em 2007, quando duas mulheres em posições de comando de missões espaciais distintas, ambas norte-americanas, se encontraram pela primeira vez no espaço. Pam Melroy, comandante do ônibus espacial Discovery, encontrou-se, a bordo da ISS, com Peggy Whitson, primeira a comandar uma missão na estação.

Em seus últimos dias a bordo da ISS, Sunita Willians realiza um tour pelas instalações da estação


Em 2012, outra norte-americana, Sunita Williams, de descendência indiana e eslovena, tornou-se a segunda mulher a comandar uma missão na ISS. Também no ano passado, a China lançou sua primeira mulher ao espaço, Liu Yang, para uma missão de dez dias. O voo ocorreu nove anos depois do primeiro voo tripulado do ambicioso programa espacial chinês. Ontem (26/06), a segunda missão chinesa tripulada por uma mulher retornou em segurança à Terra, após 15 dias em órbita. Wang Yaping foi a 57ª mulher a participar de uma viagem espacial.
Quando será que veremos a primeira sul-americana – ou, quem sabe, brasileira – no espaço?
Marcelo Garcia
Ciência Hoje On-line

Por que a água borbulha quando ferve?

Chegou o inverno, é hora de colocar em prática as velhas táticas de defesa contra o frio. Já reparou que os adultos adoram tomar chá e café? Talvez tenha sido ao observar sua mãe colocando a água para ferver que a leitora Paula Gomes pensou na pergunta: por que a água solta bolhas quando ferve?

É fácil entender. Na verdade, as bolhas nada mais são do que a água se transformando em vapor, explica Júlio Carlos Afonso, do Instituto de Química Universidade Federal do Rio de Janeiro. “O momento em que a água começa a ferver é o momento em que ela entra em ebulição, ou seja, passa do estado líquido para o gasoso”, conta.
Cada composto químico tem uma temperatura de ebulição diferente a uma dada pressão. No caso da água, a transformação em vapor acontece quando o líquido atinge 100 graus Celsius à pressão atmosférica (Foto: Scott Akerman / Flickr / CC BY 2.0)
Cada composto químico tem uma temperatura de ebulição diferente a uma dada pressão. No caso da água, a transformação em vapor acontece quando o líquido atinge 100 graus Celsius à pressão atmosférica (Foto: Scott Akerman / Flickr / CC BY 2.0)

Se você é observador, já reparou que, em uma panela, a água não evapora toda de uma vez só. “As partes do líquido que estão mais próximas à fonte de calor começam a virar vapor primeiro”, ressalta o pesquisador. Por isso, a água do fundo da panela – mais próxima da chama do fogão – atinge a temperatura de ebulição antes do resto e sobe à superfície na forma de bolhas.
As bolhas que se formam no fundo da panela sobem porque o estado gasoso de um composto químico é sempre menos denso do que seu estado líquido. “No trajeto, essas bolhas podem unir-se umas às outras, aumentando o tamanho da bolha. Por isso, as bolhas têm tamanhos diferentes quando chegam à superfície do líquido em ebulição”, acrescenta Júlio.
O vapor, nem preciso dizer, é muito quente, e por isso o melhor é manter distância das panelas de água fervente. Mas, agora que você já sabe o que acontece lá dentro, pode explicar para seus amigos e familiares da próxima vez que tomarem um chá!

sábado, 29 de junho de 2013

Astrônomos perdem dois telescópios espaciais

             Em 15 de maio passado os pesquisadores que trabalham com a detecção de exoplanetas (mundos em torno de outras estrelas, além do Sol), em especial do porte da Terra e localizados no interior da chamada “zona de vida” (onde a água se manifesta em estado líquido) ficaram órfãos do Telescópio espacial Kepler.
            Um pouco antes disso o Telescópio Espacial Herschel também foi perdido.
            Desde que fora lançado, em 7 de março de 2009, o instrumento que homenageava oastrônomo alemão Johannes Kepler (1572-1630) havia confirmado a existência de 132 planetas e apontado para a possibilidade de pelo menos outros 2.740 candidatos orbitando um grande número de estrelas da Via Láctea.
            O Kepler teve uma falha no sistema de estabilização, e isso impediu que continuasse apontando para seus alvos com a precisão necessária.
Algumas tentativas ainda estão sendo feitas na esperança de aumentar um pouco mais a vida útil desse instrumento, mas os engenheiros dedicados a esse trabalho não estão muito otimistas quanto aos resultados.
            Menos de duas semanas antes do Kepler, o Telescópio Espacial Herschel também chegou ao fim de sua vida útil com o esgotamento do estoque de hidrogênio liquido que o mantinha resfriado próximo ao zero absoluto (-273° C) temperatura em que operava para observações no infravermelho distante e submilimétrico do espectro eletromagnético.
            O Herschel, que custou € 1 bilhão e havia sido lançado em 2009 para investigar o nascimento de estrelas e a evolução de galáxias, operou até o limite do resfriamento permitido pelo estoque inicial de 2.300 litros de hélio líquido com que fora lançado no interior de um foguete francês Ariane.
            Como ocorreu com o Kepler, a equipe do Herschel também lamentou o fim desse equipamento, mas isso já era esperado e, na verdade, o telescópio foi até um pouco além das expectativas em termos operacionais. Quanto à sua produtividade, as estimativas são de que nos próximos cinco anos não será superado por qualquer outro instrumento, no espaço ou na superfície.
            Na verdade, o que pode ser considerado o substituto do Herschel, resultado de uma associação entre Europa e Japão, no projeto Spica, só deve ser lançado por volta de 2020. Assim, o Herschel não terá, em curto prazo, páreo no espaço.
            Na superfície da Terra, no entanto,  teria a companhia do radiotelescópio Alma, que se sobrepõe parcialmente à sua freqüência de investigação e está operacional desde março deste ano nos Andes chilenos.
            Por enquanto a única alternativa ao Herschel, além do Alma,  é o telescópio Sofia, um projeto germano-americano,  que opera a bordo de um Boeing 747 a elevadas altitudes na atmosfera, para evitar o vapor d’água que bloqueia parte da radiação tanto infravermelha quanto submilimétrica.
            O legado do Herschel, no entanto, que homenageia um astrônomo também alemão, mas que adotou cidadania britânica  (William Herschel, 1738-1822) de certa forma compensa sua perda.
O volume de dados que coletou, segundo dados do controle de vôo, está em fase apenas inicial de análise. Isso significa que descobertas interessantes ainda podem ser feitas com o equipamento que, agora inoperante, orbita o Sol a 1,5 milhão de quilômetros da Terra.
A essa distância o Herschel não tem como ser alcançado por astronautas, como ocorreu no passado com o Telescópio Espacial Hubble, que recebeu, entre outras inovações, lentes corretivas para resolver a miopia produzida por um defeito na curvatura de seu espelho principal.
O Hubble, que deverá ser substituído pelo Telescópio Espacial James Webb, está a apenas 600 km da superfície da Terra, praticamente no limite de operação dos também já aposentados ônibus espaciais americanos.
O Herschel  foi um dos maiores telescópios espaciais lá colocados no espaço, equipado com um espelho com diâmetro de 3,5 m dedicado a operar no infravermelho e, em 1.440 dias de operação, somou mais de 22 mil horas de coleta de dados.
A radiação infravermelha  bloqueada em grande parte pela atmosfera da Terra é emitida por corpos “frios” como estrelas em formação ou estrelas do tipo anã-marron. Nuvens de gás e poeira cósmica que bloqueiam, por exemplo, a luz visível, podem ser detectadas pelo infravermelho.
A propósito, William Herschel foi quem descobriu, em 1800, a radiação infravermelha quando colocou um termômetro além do vermelho no espectro do Sol e observou um aumento de temperatura.
Essa variação fez com que ele concluísse pela existência de uma luz invisível aos olhos, o que, à época, era algo inconcebível.
Logo em seguida à detecção do infravermelho, e com os progresso que ocorriam com rapidez na fotografia, foi identificado também o ultravioleta, iniciando um processo do conhecimento do espectro eletromagnético, um “desvelamento da luz”.
O espectro eletromagnético, que se estende a radiação gama, a mais energética (produzida, por exemplo, pelo choque de estrelas de nêutrons), até as longas ondas de rádio, resultam da energia liberada pelos corpos no Universo.
Até Herschel fazer a descoberta do infravermelho em 1800, no entanto, os sábios consideravam coisas como “luz invisível” algo mais próximo da fantasia que da pura realidade.
 Por Ulisses Capozzoli

"Meteorito" de 35 toneladas de lixo "cai" em Genebra para denunciar sujeira

Mais de 35 toneladas de resíduos entre garrafas de refrigerante, jornais, restos de comida e bitucas recolhidos das ruas de Genebra em apenas três dias "caíram" sobre a cidade em forma de "meteorito" para sensibilizar a população das consequências de não utilizar as lixeiras.
"As campanhas para evitar que as pessoas atirem resíduos no chão nem sempre são eficazes. Com este meteorito de seis metros de diâmetro, buscamos chamar a atenção da população", explicou hoje o responsável do serviço de limpeza de Genebra, Guillaume Barazzone.
Foi o serviço que teve a ideia de criar uma instalação similar a uma grande bola verdadeira de lixo que contém ainda alguns tipos de gases inofensivos, mas capazes de criar fumaça, o que fornece um grande realismo à obra.
Com ela, é possível mostrar aos residentes de Genebra que tirar 500 quilos de lixo por hora nos parques, ruas e lagos não vai somente contra a tradicional imagem de limpeza da cidade, mas além disso danifica seriamente o meio ambiente.
A instalação foi realizada em uma cêntrica e movimentada praça de Genebra conhecida como "Plainpalais", onde chamou a atenção de transeuntes e moradores, que na noite de sua encenação chamaram os serviços de emergência e bombeiros inquietos porque pensavam que era um princípio de incêndio.
Batizada como "meteorito de lixo", a bola gigante de resíduos tem entre suas várias "peças" objetos tão inesperados como pequenos eletrodomésticos abandonados na via pública e uma bicicleta que o serviço de limpeza encontrou no lago da cidade.
O grave impacto de atirar o lixo ao chão, inclusive em cidades consideradas limpas, faz com que das aproximadamente 5 mil toneladas de resíduos recolhidas ao ano das lixeiras e das ruas de Genebra, 85% correspondem à via pública.
Assim, em uma cidade de menos de 200 mil habitantes, do chão são recolhidas 4.310 toneladas de lixo, frente às 680 toneladas das lixeiras postas à disposição dos transeuntes.
"Queremos que o povo mude seus costumes e não atire lixo fora das lixeiras. Nós também adotaremos novos horários para recolher os resíduos, multiplicando esforços nos finais de semana, para limpar melhor os espaços verdes e esvaziar mais rapidamente as lixeiras", disse Barazzone.

Nasa lança satélite para estudar material solar

 

WASHINGTON, 28 Jun 2013 (AFP) - A agência espacial americana (Nasa) lançou um satélite na noite de quinta-feira para desvendar os segredos da baixa atmosfera solar.

O Espectrógrafo de Imagens da Região da Interface - IRIS, em inglês - foi lançado às 23h27 de Brasília a bordo de um foguete Pegasus XL, da empresa Orbital Sciences, na costa da Califórnia.

"Pusemos uma nave muito feliz em órbita e temos uma equipe animada em terra", afirmou o gerente de lançamento da Nasa Tim Dunn em mensagem publicada no blog da agência logo após o lançamento.

A meta da missão, de US$ 182 milhões, de durar pelo menos dois anos, é observar o movimento do material solar.

Particularmente, pretende investigar como reúne energia e se aquece à medida que avança para uma região misteriosa na baixa atmosfera solar.

Esta região, entre a fotosfera e a coroa solar é onde se gera a maior parte das emissões ultravioleta, que impactam o ambiente espacial próximo da Terra e o clima terrestre, segundo a Nasa.

O IRIS vai capturar imagens em alta resolução desta região em intervalos de vários segundos.

A missão poderia ajudar a explicar o que causa a ejeção de material solar, inclusive o vento solar, mas também erupções solares capazes de afetar a tecnologia humana.

"O IRIS ajudará os cientistas a entender a interface misteriosa e energética entre a superfície e a coroa solar", disse John Grunsfeld, gestor associado da Nasa.

Engenheiros vão testar o IRIS por cerca de um mês antes de ativá-lo para iniciar suas observações.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Robô japonês viajará ao espaço em agosto de 2013

 
Um ágil e falante robô androide japonês chamado Kirobo decolará em 4 de agosto, do sul do Japão, a bordo de um foguete, com destino à ISS (Estação Espacial Internacional), para fazer companhia a um astronauta compatriota, anunciaram os especialistas que o criaram.
"Pode parecer um pequeno passo, mas será um grande passo para um robô", declarou Kirobo levantando o pé, durante a apresentação aos jornalistas.
Idealizado pelo especialista em robótica Tomotaka Takahashi e desenvolvido por cientistas da Universidade de Tóquio, da Toyota, da Jaxa (agência espacial do Japão) e do grupo publicitário Dentsu, o pequeno Kirobo (34 cm) deverá conversar com naturalidade, em japonês, com o astronauta Koichi Wakata.
Pequeno astronauta
O robozinho sabe andar, reconhece rostos e registra imagens. Além disso, superou inúmeros testes para poder falar e mover-se em condições de microgravidade.
Kirobo foi inspirado "Astro Boy", uma personagem do mangá japonês criado pelo desenhista Osamu Tezuka.
Um gêmeo batizado Mirata ficará na Terra para ser utilizado como robô de comparação no caso de os pesquisadores suspeitarem de anomalias em Kirobo.
O objetivo do projeto é estudar em que medida um robô de companhia pode dar apoio moral a pessoas isoladas durante um longo período de tempo.
DA FRANCE PRESSE

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Lá vem ele, preparem-se: Objeto gigante do tamanho de Júpiter é fotografado ao lado do sol.

 
Um objeto esférico do tamanho de Júpiter foi detectado e fotografado pelo Helioviewer.org em 17 e 18 de Junho.
A imagem vem à vista e é claramente esférica e tem o tamanho de Júpiter, que é de cerca de 86.881 milhas de diâmetro.

Por muitos anos tem havido especulação sobre a existência de uma estrela escura que seria irmã do nosso próprio sol - fazendo do nosso sistema solar um sistema binário de estrelas . De acordo com a Wikipedia; Estima-se que cerca de 1/3 dos sistemas estelares na Via Láctea são binárias ou múltiplas, sendo os restantes 2/3 consistindo de estrelas individuais. 
Helioviewer.org tem um visualizador online que pode ser programado para exibir praticamente qualquer hora que você selecionar. Imagens e filmes podem ser criados através da interface online. Helioviewer O Projeto tem um Blog Tutorial on-line que é muito útil para começar.
Algumas informações da Wikipedia em Júpiter. o nosso Sol e nosso sistema solar segue.Jupiter é o quinto planeta a partir do Sol e o maior planeta do Sistema Solar . É um gigante gasoso com massa um milésimo do que o Sol, mas é duas vezes e meia a massa de todos os outros planetas do Sistema Solar juntos. Júpiter é classificado como um gigante gasoso junto com Saturno , Urano e Netuno . Juntos, esses quatro planetas são por vezes referido como os planetas jupiterianos ou exterior
O Sol é a estrela no centro do Sistema Solar . É quase perfeitamente esférica e é composto por plasma quente entrelaçada com campos magnéticos. Tem um diâmetro de cerca de 1392684 km (865.374 milhas),  cerca de 109 vezes maior que a Terra, e sua massa (cerca de 2 × 10kg (2 × 10 toneladas), 330.000 vezes a da Terra) é responsável por cerca de 99,86% da massa total do Sistema Solar. uimicamente, cerca de três quartos da massa do Sol é composta por hidrogênio , enquanto o resto é principalmente de hélio . O restante (1,69%, o que equivale a 5628, no entanto vezes a massa da Terra) é composto de elementos mais pesados, como oxigênio , carbono , neon e ferro , entre outros.
O Sistema Solar é constituído pelo Sol e de seu sistema planetário por oito planetas , suas luas e outros objetos não-estelares. Ele formou 4,6 bilhões de anos a partir do colapso gravitacional de uma gigante nuvem molecular . A grande maioria do sistema de massa é ao Sol, com a maioria da restante massa contida Júpiter . Os quatro menores planetas interiores, Mercúrio , Vênus , Terra e Marte , também chamada de planetas terrestres , são compostas principalmente de rock e metal. 
 
 por Avalon Intellihub.com 21 de junho de 2013