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sábado, 7 de fevereiro de 2015

Astrônomo do Vaticano: 'Não estamos atrás de alienígenas para evangelizá-los'

O primeiro registro sobre um observatório do Vaticano é de 1582
  • O primeiro registro sobre um observatório do Vaticano é de 1582
No topo de uma montanha no sudoeste dos Estados Unidos, no Observatório do Vaticano, padres católicos estudam planetas habitáveis - o que pode parecer estranho para muita gente, dado as grandes diferenças, algumas incompatíveis, entre ciência e religião.

Para os próprios padres, no entanto, a pesquisa no observatório representa uma forma de "se conectar com o criador".

"Não, nós não estamos fazendo nada estranho", disse à BBC o vice-diretor do observatório do Vaticano, padre Paul Gabor. "Nós estamos realmente fazendo ciência, não estamos atrás de alienígenas para evangelizá-los'".

Os dez astrofísicos empregados pela igreja dizem que estão tentando conquistar avanços sobre o conhecimento que temos atualmente sobre o universo.

"O Observatório do Vaticano é uma operação muito pequena por causa da maneira curiosa como recrutamos nossos funcionários. Em outras palavras, para trabalharmos aqui, precisamos ser padres", explicou o padre Gabor.

Cientistas, entretanto, dizem que há razões para não se confiar em pesquisas patrocinadas por religiões.

"Levando em consideração a natureza sobre o que é requisitado para trabalhar no Observatório do Vaticano, você não iria esperar que os melhores cientistas fossem querer fazer parte disso, porque os melhores cientistas, em geral, são ateus", disse o físico também ateu, Lawrence Krauss.

"Até pelo senso intelectual, claro que ciência e a doutrina das religiões mundiais são completamente incompatíveis. E isso tem sido assim por séculos e séculos."

Ciência e religião

Essa crítica, porém, é rechaçada pelos astrônomos do Vaticano. Para eles, especialmente na astrofísica, os limites entre ciência e religião não existem.

O Observatório do Vaticano foi transferido para Tucson, no Arizona, em 1981, quando a qualidade ruim do ar da Itália tornou impossível a continuidade das pesquisas por lá. Desde então, os trabalhos dos astrônomos católicos têm sido feitos da Universidade do Arizona.

"Acho que pessoas que são destinadas para as grandes questões sobre fé também estão destinadas à astronomia, porque nela você também faz grandes questionamentos", comentou Buell Jannuzi, chefe do observatório da Universidade do Arizona.

A primeira menção a um observatório do Vaticano de que se tem registro é de 1582, mas sua existência só foi confirmada oficialmente em 1891, pelo papa Leão 13.

À época, ele disse que seu objetivo era deixar claro que a Igreja Católica Romana "não se opunha à verdadeira e sólida ciência".

O padre jesuíta Paul Gabor acredita que, se há outros planetas habitáveis no universo, provavelmente deve haver vida neles. Ele diz também que consegue, cada vez mais, entender a grande conexão entre astrofísica e religião.

"Quem tenta entender isso consegue ver que o universo, de fato, quer ser compreendido."

Você sabia que a maior parte das células do seu corpo não é humana?

Tatiana Pronin, do UOL, em São Paulo,

Micróbios infestam nosso corpo: mas sem eles, ninguém é tão humano
Micróbios infestam nosso corpo: mas sem eles, ninguém é tão humano
É de deixar qualquer um espantado: 90% das células presentes no nosso corpo não são humanas. Em outras palavras, você é muito mais micróbios do que você mesmo. Esses "invasores", embora "invisíveis", são fundamentais para o nosso equilíbrio. Mas qualquer deslize nesse ecossistema pode causar doenças, muitas delas graves. Por isso, não se descuide: o perigo mora dentro de você e também fora, na superfície da sua pele.
Especialista no tema, o pesquisador Luis Caetano Antunes, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz, explica que os seres humanos são colonizados por mais de 35 mil espécies diferentes de bactérias, segundo algumas estimativas. "Lembrando que esse número não leva em conta vírus, protozoários etc", esclarece.
Considerando apenas um indivíduo, a estimativa é de mais de mil espécies diferentes. "Já se você considerar cepas (que são indivíduos pertencentes à mesma espécie, mas com características peculiares), esse número sobe para mais de 7 mil", diz. Se você pudesse colocar todas elas numa balança, os ponteiros marcariam aproximadamente 1 kg, uma vez que as células das bactérias são bem menores que as humanas.
Essa microbiota (flora e fauna microscópica de uma região) é formada assim que chegamos ao mundo. Antunes afirma, inclusive, que bebês nascidos por parto normal têm micróbios diferentes daqueles que nascem por cesariana, pois o contato com o canal vaginal da mãe funciona como um "primeiro banho" de micro-organismos.

Intestino é albergue

Apesar de se estabilizar depois que a pessoa completa 1 ano de idade, a população de micro-organismos está sempre em evolução, graças ao contato com o ambiente externo. Assim, a variedade e a quantidade são maiores em locais mais expostos, como boca, pele, olhos, estômago, intestino, tratos respiratórios, genitais e urinários.
A parte do nosso corpo mais colonizada é de longe o intestino, com 70% do total de bactérias, segundo o pesquisador. "Um dos motivos é que o intestino possui uma quantidade grande de nutrientes para as bactérias. Além disso, ainda existem secreções, células humanas mortas etc", diz Luis Caetano Antunes.
O especialista também chama atenção para o tamanho desse órgão, que é cheio de vilosidades (dobras, basicamente). "O intestino humano, quando esticado, tem área equivalente a uma quadra de tênis, ou cerca de 200 metros quadrados", informa.
Médicos, cientistas e nutricionistas têm alertado para a importância da microbiota intestinal. Não é à toa que produtos com lactobacilos se tornaram mais comuns nas prateleiras dos supermercados.
Antunes descreve três funções principais desse exército de micróbios. A primeira é a nutrição: "Os micro-organismos intestinais auxiliam na degradação de nutrientes que o ser humano, sozinho, não conseguiria degradar", diz. Além disso, eles produzem substâncias, como vitaminas, que nós não produzimos, e afetam as células para que elas consigam extrair mais energia da dieta.
A segunda é treinar o sistema imunológico, fazendo-o identificar o que representa ou não uma ameaça ao nosso organismo. "Um exemplo dessa função vem da observação de que hoje em dia as taxas de doenças relacionadas ao sistema imune (doenças alérgicas, principalmente) está muito mais alta, e isso tem sido associado ao uso indiscriminado de antibióticos, aumento no número de partos por cesariana e excesso de limpeza", comenta o pesquisador.
A terceira (e não menos importante) missão da microbiota é nos defender contra agentes nocivos. "Sem as bactérias naturais do nosso corpo ficamos muito mais vulneráveis aos ataques de bactérias perigosas", garante Luis Caetano Antunes, lembrando que há uma série de infecções que são mais comuns em pessoas com histórico de uso recente de antibióticos. "Eles matam as bactérias inofensivas, abrindo espaço para que outras bactérias invadam o nosso organismo e causem doenças."

Boca cheia

Um dos primeiros cientistas a observar a existência de comunidades de bactérias em nosso corpo foi o holandês Antonie van Leeuwenhoek, que no século 17 analisou um raspado da superfície de seus dentes e descobriu um grande número de seres vivos minúsculos.
Uma organização também holandesa, chamada TNO, divulgou recentemente, após um estudo, que nossa boca abriga cerca de 700 variedades diferentes de bactérias. Os pesquisadores descobriram que um único beijo de língua é capaz de transferir 80 milhões de bactérias de uma boca para outra. Os dados foram publicados na revista Microbine.
Algumas pessoas podem ficar enojadas, mas a verdade é que beijar pode ser uma maneira de fortalecer o sistema imunológico, tomando por base a lógica descrita pelo pesquisador da Fiocruz.

Pele que habito

Se os micróbios do intestino representam um exército estratégico dentro do corpo, os que habitam nossa pele são a linha de frente. "É a armadura que nos protege contra agentes externos", considera o médico Jayme de Oliveira Filho, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Assim como na selva a falta de leões pode levar ao excesso de zebras, qualquer desequilíbrio na microbiota da pele pode levar a problemas variados. A integridade pode ser afetada por banhos longos e quentes, e até pelo uso excessivo de álcool em gel e sabonetes antibacterianos. "Se você usa um produto que promete matar 99% das bactérias, ainda sobrarão muitas, mas você pode matar aquelas que são úteis à pele", diz o médico.
Tomar muito sol sem filtro também é uma forma de agredir a cútis. É por isso que muita gente tem crises de herpes labial, doença provocada por vírus, depois que volta da praia. Ou adquire manchas nos braços e nas costas (pitiríase versicolor), provocadas por um tipo de fungo. O médico avisa que algumas famílias são mais predispostas a certos tipos de micro-organismos. Se a integridade da pele é afetada, você pode desenvolver um problema que nunca havia aparecido antes. E, acredite, pode até pegar gripe com mais facilidade.
 

domingo, 3 de agosto de 2014

Estados Unidos planejam cortar emissões de carbono das termelétricas

Governo dos Estados Unidos deve, em breve, dar detalhes desse plano de corte de emissões de gases, que será uma importante ação na tentativa de reduzir o aquecimento global
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Termelétrica em Minnesota, USA
Os Estados Unidos produzem mais gases de efeito estufa do que qualquer outro país no mundo, além da China. O plano para controlar a emissão de gases a partir da queima de óleo e carvão é a medida mais ambiciosa proposta pelo presidente Barack Obama em seus esforços para lidar com as mudanças climáticas.
 Os detalhes desse plano serão divulgados pela Environment Protection Agency. No plano, os estados do país serão livres para decidir como atingir os objetivos de redução de emissão de carbono, seja fechando termelétricas e mudando para fontes de energias mais limpas, seja criando esquemas de limitação e troca de metas com outras empresas.
Alguns meios de comunicação do país estão relatando que, até o ano de 2030, o governo estadunidense espera uma redução de 30% nas emissões de dióxido de carbono. Entretanto, os grupos de empresários e os republicanos (o partido oposto ao governo atual) discordam ferozmente das novas regulamentações e afirmam que estão mais propícios a aumentar os preços da eletricidade. Mas, para o presidente Obama, essa medida é importante para seu legado ambiental com o objetivo de mostrar liderança na luta pelo controle das mudanças climáticas.

Aplicação da teoria de jogos para modelar células cancerígenas

ImagemA teoria de jogos estuda modelos matemáticos para a tomada de decisão
Com o modelo, pesquisadores podem estudar o comportamento metabólico das células tumorais e a interação entre elas
Teoria de jogos é o nome dado ao estudo de modelos matemáticos associados com a tomada de decisão. Pesquisadores do Centro de Pesquisas Médicas John Hopkins pretendem fazer uso desses modelos para modelar o comportamento de células tumorais
Para entender como a teoria de jogos funciona, considere o seguinte exemplo, chamado de “dilema do prisioneiro”. Dois ladrões são presos pela polícia e, a cada um deles, é dada a chance de confessar o crime. Se nenhum dos dois confessar, os dois serão soltos. Se apenas um deles confessar, aquele que confessou testemunhará contra o outro e, como recompensa, não cumprirá pena. Se os dois confessarem, ambos cumprem pena, mas o tempo de prisão é menor. Nessa situação, o que você faria? Confessaria?
ImagemO comportamento de células cancerígenas pode ser modelado usando ferramentas da teoria de jogos
Esse é um exemplo em que a teoria de jogos pode ser usada para prever a decisão de cada ladrão. A mesma teoria pode ser usada para prever o comportamento de células tumorais.
 As células tumorais estão em constante interação umas com as outras. Geralmente, essas células cooperam entre si de modo a fazer com que o tumor prospere e cresça. Mas essa parceria está constantemente mudando à medida que as células tumorais sofrem mutação.
ImagemModelo baseado na teoria de jogos pode identificar melhor momento para intervenção médica no tumor
Os pesquisadores de John Hopkins estudaram o comportamento metabólico e a interação entre células tumorais que se encontram em um ambiente rico ou pobre em oxigênio. De acordo com a disponibilidade de oxigênio, as células optam por usar estratégias metabólicas distintas. Além disso, as células podem optar entre cooperar umas com as outras ou entrar em competição. Os pesquisadores usaram a teoria de jogos para modelar esse comportamento.
Os cientistas verificaram que, para certas taxas de crescimento do tumor, ocorre uma mudança brusca na estratégia metabólica usada pela maioria das células. Acredita-se que, nesse período de mudança de estratégia, os tumores encontram-se mais vulneráveis. Dessa forma, o momento de transição para um dado tumor pode ser bom para realizar uma intervenção médica.

O trabalho completo encontra-se na edição de junho de 2014 da revista Interface Focus.

sábado, 5 de julho de 2014

Desvantagens da energia nuclear

Resíduos radioativos

O rejeito radioativo de usinas nucleares é normalmente baixo, mas representa um problema pois os elementos contidos no combustível queimado, principalmente os produtos de fissão, demoram um tempo muito longo para decairem em outros elementos e apresentam alta radioatividade, portanto é necessário que eles fiquem confinados em um depósito próprio onde não possa haver nem interferência humana externa nem interferência ambiental (já que a inteferência ambiental pode causar vazamentos e deslocamento dos elementos).
Mesmo não representando considerável perigo na forma conhecida por "intoxicação metais pesados", o plutônio mostra-se particularmente tóxico se inalado. Sua toxidade por inalação supera em cerca de 10.000 vezes sua toxidade por ingestão, e a aspiração de minúsculas quantidades deste elemento pode levar - a médio prazo - a uma morte por câncer de pulmão. 
Em um ano, um reator nuclear de 1200 MW (como p. ex. o de Angra 2) produz 265kg desse material, que tem uma meia-vida de 24.000 anos, e há material de sobra para se produzirem danos consideráveis às populações humanas e meio ambiente em geral.

Acidentes nucleares

O acidente no reator de Chernobyl (ex-URSS) contaminou radioativamente uma área de aproximadamente 150.000km² (corresponde mais de três vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro), sendo que 4.300km² possuem acesso interditado indefinidamente. Até 180 quilômetros distantes do reator situam-se áreas com uma contaminação de mais de 1,5 milhões de Becquerel por km², o que as deixa inabitáveis por milhares de anos.
Um reator nuclear precisa de resfriamento, mesmo em estado desligado, pois os processos de decaimento espontâneos desenvolvem uma quantidade de calor que pode chegar até 10% da força máxima do reator. Caso todos os sistemas de resfriamento falhem, o reator se esquenta, fazendo com que os metais dos combustíveis entrem em fusão, que acontece a temperaturas em volta de 2000°C. Nesse caso existe perigo do combustível fundir um buraco no contêiner de segurança, com a inevitável contaminação radioativa dos arredores da usina. Para evitar tal caso, uma usina nuclear tem cascatas de sistemas de resfriamento.
A falha de resfriamento pode ser causado por erros humanos, impacto de catástrofes naturais ou ataques terroristas. Foram falhas de funcionários no caso do acidente da usina Three Mile Island perto de Harrisburg, Pennsylvania, E.U.A que levou a destruição completa do reator e o vazamento de substâncias radioativas com mais de 1,6 · 1015 Bq no dia 28 de março de 1979 (nível 5 na escla INES).
Um terremoto da 8,9 na escala Richter e o subsequente tsunami levou ao acidente nuclear de Fukushima I (nível 7 na escala INES). A falha de resfriamento fez os níveis de água nos tanques de de arrefecimento baixar, provocando aquecimento dos combustíveis e a formação de hidrogênio em 4 dos 6 blocos da central. As seguintes explosões destruiram os prédios e causaram vazamentos em contêineres de segurança com liberação de materias radioativos.
Em 1993 uma pessoa demente ultrapassou as barricadas de segurança da usina "Three Mile Island" com um carro e chegou até o salão de turbinas. Nesse momento o reator estava em operação sob plena carga. Foi condenada sob acusação de causar ou arriscar a uma catástrofe e internada em psiquiatria.

Perigos aos funcionários

Principalmente todo funcionário operando na proximidade de substâncias radioativas está exposto ao risco de contaminação e portanto deve cumprir regras rígidas de segurança radiológica. Mesmo assim, já aconteceram vários imprevistos na história da energia nuclear, nem todos classificados pela Agência Internacional de Energia Nuclear (IAEO).
Um funcionário do instituto de pesquisa nuclear belga em Mol (EURATOM) sofreu um acidente em 1980 que o expôs a Plutônio-239 e provavelmente o levou a morte por leucemia 8 anos depois. Pesquisas feitas em cachorros, motivadas por esse incidente, demonstraram que 3,24 microgramas de Plutônio-239 absorvidos pelo pulmão resultam em morte por câncer. 

Segurança

Agência Internacional de Energia Atômica alertou que terroristas poderiam vir a comprar resíduos radioativos, por exemplo de países da ex-URSS ou de países com ditaduras que usam tecnologias nucleares, tais como Irã ou Coreia do Norte, e construir uma chamada "bomba suja".
O quão fácil é desviar materiais altamente radioativos é demonstrado pelo exemplo do acidente radiológico de Goiânia, no Brasil em 1987, onde uma cápsula contendo Césio-137 foi encontrada por moradores em um lixão, contida dentro de uma máquina hospitalar em um hospital abandonado.

Gases de estufa

Os insumos necessários e auxiliares à produção da energia nuclear, como a fabricação de recipientes próprios e refinamento do combustível nuclear, ou seja, para operacionalizá-la de forma geral, leva a uma consequente produção de gases de estufa entre 3 e 6 vezes maior comparada com a energia hídrica e eólica.

domingo, 22 de junho de 2014

Em artigo inédito, a epidemiologista Maria do Carmo Leal, pesquisadora da Ensp/ Fiocruz escreve como são conduzidos os partos hoje no país         POR 09/06/2012 14:00

A gravidez é um tempo de muitas mudanças e expectativas na vida da mulher e das suas famílias porque implica em novas responsabilidades afetivas, sociais e legais decorrentes da maternidade. Mas, no nosso país, no ano passado, apenas 45% das gestações que terminaram em um nascimento foram planejadas para acontecer no momento em que elas ocorreram. Das não planejadas, 30% foram consideradas gestações não desejadas pelas mulheres.
Esse aspecto do não planejamento da gravidez, mais frequente ainda em adolescentes, torna a gestação também um motivo de angustia para uma grande parte das mulheres. Estima-se que houve cerca de um milhão de abortos em 2008, ou seja, uma gravidez em cada quatro terminou em aborto naquele ano no Brasil (Victora ET AL 2011). A ilegalidade atribuída ao aborto no país faz com que essa prática seja de alto risco, frequentemente realizada fora do sistema oficial de saúde, muitas vezes por leigos, sem a presença de profissionais qualificados, estando, em qualquer das situações, fora do controle sanitário e profissional vigentes. A situação de vulnerabilidade é maior para mulheres de baixa escolaridade, negras e jovens (Victora ET AL 2011).
Assim, desejar estar grávida é o primeiro componente para o sucesso e bem-estar da gestação. Dados recentemente publicados na “World Health Statistics” da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2010, 97% das gestantes brasileiras realizaram consultas pré-natais, sendo que 86% fizeram mais de quatro consultas e que 99% dos partos ocorreram dentro dos serviços de saúde, colocando o Brasil em uma situação próxima aos indicadores de cobertura dos países desenvolvidos (WHO, 2012). Dados preliminares do Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, realizado em 2011, mostram que mais de 80% das mulheres entrevistadas usaram os serviços públicos de saúde para acompanhar suas gestações e seus partos, sem diferenças entre as regiões geográficas, capital e interior, denotando a importância do SUS para o alcance daquele desempenho em âmbito internacional. Entretanto, persistem ainda problemas na qualidade da atenção oferecida, o que pode ser constatado pelas altas taxas de morbidade e mortalidade por patologias possíveis de serem evitadas por uma assistência bem feita no pré-natal e no parto (Vettore ET AL 2011).
Durante a gestação a mulher planeja o seu parto, a forma como vai receber o seu filho. Aqui no Brasil recebe influência da opinião do seu médico, dos familiares e amigos sobre as vantagens de fazer um parto normal ou cesáreo. Para gestantes que têm plano de saúde a escolha da via de parto (vaginal ou abdominal) pode se constituir em motivo de estresse. Ao início da gravidez a maioria delas prefere que o seu parto seja vaginal, opinião essa que vai mudando no decorrer da gestação.
Um estudo realizado no Rio de Janeiro, em 2008, por nosso grupo de pesquisa em hospitais do Sistema de Saúde Suplementar, onde as cesarianas atingem cifras próximas a 90%, mostrou que as mulheres mudam de ideia sobre o tipo de parto, durante a gravidez. No início um pouco mais de 30% delas gostariam de ter um parto cesariano, ao chegarem à maternidade, 70% havia se decidido pela cesárea, mas, ao saírem das maternidades, apenas 10% teve um parto por via vaginal. O medo da dor foi o principal motivo alegado inicialmente para desejar fazer uma cesárea e continuou sendo importante para ela mudar de opinião durante a gestação. Foi protetor estar bem informada sobre as vantagens do parto vaginal e o desejo do companheiro por essa modalidade de parto. As mulheres referiram com muita frequência (mais de 50%) que a sua decisão de mudança foi compartilhada com o medico (Dias et al 2008).
Em relação à cesariana, o que se sabe hoje é que essa cirurgia produz danos para a vida reprodutiva futura da mulher, aumentando o risco de placentação anormal, ruptura uterina, hemorragia pós-parto, infecção, admissão em UTI e mortalidade. É, portanto, um procedimento que não deve ser banalizado e que deve ser utilizado quando necessário, em situações em que esteja em risco a vida da gestante e do recém-nascido. Para o recém-nascido também são reportados prejuízos advindos de uma cesariana: mais frequentemente necessitam de suporte ventilatório para respirar ao nascer e usam mais a UTI neonatal, sendo essa necessidade tão maior quanto menor for a idade gestacional do recém-nascido (Hansen et AL, 2008). Outros danos tão importantes quanto esses são o retardo do contato da mãe com o filho no momento do nascimento e a baixa prática do aleitamento materno na sala de parto. Esses últimos aspectos jogam um importante papel no apego da mãe ao seu bebê e vice-versa (Buccolini ET AL 2008).
Nos serviços públicos brasileiros as gestantes que fazem parto vaginal são submetidas a uma excessiva manipulação, ficam presas ao leito, impedidas de deambular e se alimentar, usam ocitocina e dão à luz em posição de decúbito dorsal, com auxilio de episiotomia. Esses procedimentos, além de produzirem um trabalho de parto muito doloroso, são hoje não recomendados pela Organização Mundial de Saúde. Ou seja, tanto pelo excesso de cesarianas quanto pela inadequação do modelo ofertado para atendimento ao parto vaginal, no Brasil a pratica obstétrica é obsoleta, não segue as recomendações baseadas em evidencias cientificas e precisa ser modificada.
No Reino Unido e em outros países da Comunidade Econômica Europeia as gestantes também escolhem o tipo de parto que melhor convém a elas, levando em conta suas expectativas, as do seu companheiro e da sua família. Mas, diferente daqui, a escolha que elas fazem não é se o parto será cirúrgico ou não, mas qual a posição que elas desejam parir, se de cócoras, sentada, de joelhos, dentro da água, ou outra. Além dos cuidados pré-natais habituais, durante a gestação as mulheres se preparam psicológica e emocionalmente para o momento do parto, aprendendo técnicas de respiração, concentração e relaxamento que ajudarão no alívio das dores e aumentarão a segurança e tranquilidade para condução do seu parto. O parto tem um profundo significado para o encontro da mulher com a sua feminilidade e, por isso, naqueles países, os aspectos emocionais da parturição são também objeto de considerações pelos serviços de saúde, que cumprem um papel de dar suporte, amparo e garantia de segurança à escolha da gestante na condução do seu parto, em uma ambiência de conforto material, afetivo e emocional que inclui a presença da família no cenário das maternidades. Nesses países, os protocolos de atendimento ao parto recomendam o parto vaginal, com um mínimo de intervenção, sendo a decisão por uma cesariana, geralmente da responsabilidade do serviço de saúde, diante das condições e necessidades reais de cada caso clínico.
Esse modelo de atenção, baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento (também conhecido como parto humanizado), conduzido por enfermeiras obstétricas (midwives) e encontrado em quase todos os países europeus, tem ótimos resultados perinatais e está em franco contraste com o modelo que temos implantado aqui no Brasil. Com mais de 50% de cesarianas, cada vez mais as mulheres brasileiras têm parido anestesiadas, passando pelo processo do parto sem sentirem dor, mas também sem sentirem acontecer o próprio parto dos seus filhos. Por outro lado, a maioria dos nossos bebês tem sido retirada do útero pelos médicos, não fazem força para nascer, ficando subtraídos dessa experiência humana e vital tão significativa. Não temos nenhuma avaliação dos resultados do nosso modelo extremamente medicalizado de atenção ao parto sobre as crianças a médio e longo prazo, mas podemos reconhecer, sem muito esforço, que ele se constitui em uma ruptura com a maneira como nasceram as gerações brasileiras anteriores e que, do ponto de vista populacional, é uma experiência não avaliada previamente.
As mulheres brasileiras, mesmo que desejem, têm pouca chance de vivenciarem um parto do tipo humanizado porque esse modelo de atenção está implantado em pouquíssimas maternidades dos serviços de saúde. E, para as mulheres de nível socioeconômico mais elevado que são esclarecidas e desejam ter um parto vaginal, uma opção tem sido o parto domiciliar, geralmente realizado por enfermeiras obstétricas.
No Brasil a decisão sobre a realização de um parto cirúrgico sem indicação clínica tem sido considerado um direito de escolha da gestante. Ocorre que o exercício desse direito não tem se acompanhado de informações claras sobre o risco de um parto operatório. Ou seja, a escolha tem sido feita sem informações adequadas para a tomada de uma decisão consciente. Em parte porque os obstetras que as assiste também ou não têm essas informações, ou não baseiam sua pratica em evidencias cientificas. Ambas as situações são graves, sobretudo porque os manuais técnicos do Ministério da Saúde trazem recomendações corretas sobre a atenção ao parto e nascimento e estão disponíveis para todos.
Está em curso no país um movimento pela adoção de um modelo de atenção baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento. Iniciativas importantes do Ministério da Saúde tais como Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, Lei do acompanhante, Programa de Qualificação das Maternidades no Nordeste e Amazônia Legal e, mais recentemente a Rede Cegonha, são exemplos desse esforço. Em paralelo, verifica-se um renascimento dos movimentos sociais das mulheres pelo resgate do protagonismo da mulher na condução do seu parto e do nascimento dos seus filhos. Um grande número de grupos associativos de mulheres vem surgindo no país, tendo a ReHuNa — Rede pela Humanização do Parto e Nascimento – uma organização da sociedade civil criada em 1993 com o objetivo de formar uma rede em defesa do parto humanizado, um papel importante na articulação desse movimento pela mudança do modelo obstétrico vigente (http://www.rehuna.org.br/index.php/seminario). Existe hoje um consenso de que se necessita urgentemente reformar o modo de atender ao parto e nascimento das mães e crianças brasileiras.
Bibliografia
Victora CG, Aquino EM, do Carmo Leal M, Monteiro CA, Barros FC, Szwarcwald
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WHO World health Statistics 2012 - Press, World Health Organization, 20 Avenue
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Vettore, MV; Dias MABD; Domingues RMSM; Vettore MV; Leal MC - Cuidados
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Dias MAB, Domingues RMSM; Pereira APE; Fonseca SCF; Gama GN; Theme Filha
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na definição pelo parto cesáreo: estudo de caso em duas unidades do sistema de
saúde suplementar do estado do Rio de Janeiro. Ciênc. Saúde Coletiva 13 (5) Rio de
Janeiro,2008
HANSEN, et al. Risk of respiratory morbidity in term infants delivered by elective
caesarean section: cohort study. BMJ, v.336, n.7635, Jan 12, p.85-7, 2008
BOCCOLINI, et al. Fatores que interferem no tempo entre o nascimento e a primeira
mamada. Cadernos de Saúde Pública, v.24, p.2681-2694, 2008


Read more: http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/estar-gravida-no-brasil-5134956#ixzz35PpLvpwr

Darpa estaria desenvolvendo chips que podem implantar ou apagar memórias

Um chip no cérebro capaz de implantar e remover memórias é a possível nova tecnologia da Darpa para mentes humanas no futuro. A agência militar norte-americana, segundo a imprensa internacional, já estaria desenvolvendo primeiras unidades do pequenos produtos, que podem ser bastante polêmicos.
Chip criado pela DARPA pode inserir memórias falsa no cérebro (Foto: Divulgação/IBM)Chip criado pela DARPA pode inserir memórias falsa no cérebro (Foto: Divulgação/IBM)

Os cientistas acreditam que possa estar começando uma “era dourada” nesse campo. Apesar de parecer um pouco assustadora, a ideia pode ser útil para o tratamento de várias doenças, especialmente relacionadas a depressão, vícios e ansiedade.
“Eles parecem estar a todo vapor neste tipo de tecnologia. Querem implantar chips nos cérebros. Seria como uma prótese. Ao invés de mover o seu braço, você já estaria fixando uma memória. Mas não tenho ideia de como eles fariam isso”, afirmou.
A possibilidade de “programar mentes”, o que já vem sendo testado com ratos há algum tempo, parece já estar próxima de ser uma realidade. O especialista e neurocientista Joseph LeDoux afirma que não sabe como isso será feito, mas que certamente vai acontecer em breve.
Recentemente, a mesma Darpa causou polêmica com outras duas tecnologias: chips para autenticação de informações biométricas e tatuagens eletrônicas que permitiriam leitura de informações das mentes dos usuários.
Men in Black (MIB) e o Neuralyzer, que apaga memórias (Foto: Reprodução/MIB)Men in Black (MIB) e o Neuralyzer, que apaga memórias (Foto: Reprodução/MIB)

A tecnologia da Darpa lembra o neuralyzer, um dispositivo usado pelos personagens do filme Men in Black (MIB), no Brasil, Homens de Preto. No formato de um tubo metálico, o aparelho dá um flash brilhante que apaga as memórias do passado de horas antes, dias, semanas, meses ou mesmo anos.
Via Global Research   por   Para o TechTudo

domingo, 27 de abril de 2014

Quais são as condições para existir vida em outro planeta?

Para astrobiólogos (cientistas que estudam possibilidades de vida no Universo), seres vivos podem surgir em diversos tipos de ambientes. Alguns, extremamente inóspitos para qualquer vida terrestre. Outros, podem possuir características que talvez nem tenham sido imaginadas pela comunidade científica.


Sabe-se que uma atmosfera parecida com a da Terra não é necessária para a existência de vida alienígena. O oxigênio pode não ser um ingrediente fundamental. A água também: as moléculas sozinhas, por exemplo, não são capazes de criar um ambiente habitável para a vida.

De fato, enquanto a maioria dos seres vivos precisam de oxigênio para sobreviver, há bactérias terrestres que morrem na presença do gás. No nosso planeta, existem organismos que nascem, crescem e se reproduzem embaixo da terra ou em lugares cheios de amônia, por exemplo.

Como há muitos modelos para a existência de vida em outros planetas, cientistas preferem ajustar o foco de suas pesquisas para o que já está comprovado: ambientes parecidos com o da Terra são extremamente propícios para a existência de seres vivos.
 Terra é uma planeta que deu certo: a abundância de água e de carbono foram essenciais para o surgimento da vida por aqui. A distância do Sol, as camadas da atmosfera, a gravidade, a temperatura média, a influência da Lua e várias outras características são ideais para a manutenção dos seres vivos.


Mas os astrobiólogos não atuam de forma tão seletiva: não é necessário buscar um outro planeta Terra dentre os 100 bilhões de planetas que existem na nossa galáxia, a Via Láctea. Aliás, é difícil realizar uma busca tão detalhista: atualmente, a tecnologia de nossos telescópios impede a visualização de atmosferas, por exemplo. A previsão é que dentro de 10 anos possam existir telescópios que identifiquem atmosferas e moléculas em planetas.

Por enquanto, nossos telescópios conseguem detectar, mesmo que com pouca precisão, a presença de líquidos em outros planetas. Com essa tecnologia limitada, a procura por vida fora da Terra resume-se em encontrar água. Marte, por exemplo, é um planeta que pode ter água no subsolo - e consequentemente, bactérias podem viver ali, longe da superfície. A lua Europa, que gira em torno do planeta Júpiter, contém um oceano de água abaixo da superfície de rocha. E ele pode estar cheio de microorganismos, também.

A procura por água não descarta outros tipos de busca. Apesar de ser um meio líquido estável para as moléculas se juntarem e gerarem vida, é preciso manter a cabeça aberta para formas de vida que possam surgir em ambientes inimagináveis.No meio da amônia líquida, por exemplo. O composto químico na sua forma líquida é encontrado em lugares gelados, como a lua Titã (um satélite de Saturno).

No campo da Astrobiologia, praticamente tudo é suposição. Falta tecnologia para desbravar a galáxia em busca de formas de vida. Por isso, nada deve ser descartado. Nem mesmo os nossos telescópios. Afinal, é o que temos para hoje. Se a gente comparar as três caravelas que descobriram a América com os navios mais modernos, elas ficam no chinelo. Se, com a tecnologia do século 15, a Santa Maria, a Pinta e a Niña chegaram aqui, podemos sim conseguir avanços significativos com os atuais telescópios 'capengas' que temos.

Consultoria: Eduardo Janot Pacheco, professor Associado do Departamento de Astronomia e coordenador geral do Laboratório de Astrobiologia da USP. Fonte: site Astrobiology, mantido pela Nasa.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Inseto fêmea achado no Brasil tem pênis e penetra macho





  • Neotrogla fêma: o órgão erétil feminino é inserido no macho para sugar esperma e comida
    Neotrogla fêma: o órgão erétil feminino é inserido no macho para sugar esperma e comida
Cientistas japoneses afirmam ter descoberto no Brasil um inseto fêmea com pênis. Esta é a primeira vez que especialistas identificaram um animal do sexo feminino que também carrega o órgão masculino.

Já os machos possuem aberturas como vaginas e são penetrados pela fêmea, que suga esperma e alimento (fluidos seminais nutritivos).

O acasalamento dura de 40 a 70 horas, os pesquisadores relatam na revista Current Biology.

"Apesar da inversão do papel sexual já ter sido identificada em vários animais diferentes, o Neotrogla é o único exemplo em que o órgão sexual também é trocado", disse o principal autor do estudo, Kazunori Yoshizawa, da Universidade de Hokkaido, no Japão.

Os insetos - de quatro espécies distintas do gênero Neotrogla - foram encontrados em cavernas no leste do Brasil, em Minas Gerais, Bahia e Tocantins. O pênis da fêmea foi apelidado de "gynosome".
Uma vez dentro de um macho, a parte membranosa do gynosome infla e, com inúmeros espinhos, mantêm os dois insetos grudados.

Quando os pesquisadores tentaram separar o macho da fêmea, o abdômen dele foi arrancado do tórax sem quebrar o acoplamento genital.
A inversão incomum de papéis pode ter sido impulsionada pelo ambiente pobre de recursos em que os animais vivem, especulam os pesquisadores. Neste caso, a fêmea aproveita o acasalamento também para se alimentar.
Esses insetos curiosos oferecem novas oportunidades para testar ideias sobre seleção sexual, conflito entre os sexos, e a evolução dessa novidade.

"Será importante desvendar por que, entre tantos animais com papéis sexuais invertidos, apenas os insetos Neotrogla desenvolveram um pênis feminino elaborado", disse Yoshitaka Kamimura, da Universidade de Keio, no Japão.

A primeira tarefa dos cientistas agora será estabelecer uma população saudável desses insetos em laboratório.

sábado, 16 de novembro de 2013

Por que os cientistas fazem testes em animais?

 
 

Há muito tempo testes são realizados em animais, pois ainda está em desenvolvimento alternativas que garantam que remédios, cosméticos e outros produtos, possam ser usados pelo ser humano sem perigo.
 
Os animais são queridos, amados e respeitados no mundo todo. Com certeza, eles devem ser preservados e não devem ser maltratados. Mas, todos os dias, bilhões de pessoas consomem carne animal, além disso, bilhões de pessoas usam produtos que foram testados em animais. Parece contraditório, mas é assim que vivemos há muito tempo. Por isso, vira e mexe aparece uma polêmica: por que os cientistas usam animais para fazer testes? Muitos acham que é porque os cientistas são cruéis e gostam de maltratar os animais, por isso, deveriam ser castigados. Mas, será que é isso mesmo?

Essa discussão, que não é nova, está intensa no momento porque no dia 18 de outubro de 2013 cerca de 150 ativistas que defendem o direito dos animais invadiram o Instituto Royal, em São Roque (SP), e resgataram 178 cães da raça beagle e coelhos que seriam usados em pesquisas científicas. Esses cachorros serão encaminhados para três organizações não governamentais (ONGs) que cuidam de animais.

Os ativistas disseram que havia várias irregularidades no local e que os animais eram maltratados e que até se ouviam choros de dor. Porém, foi feita uma perícia que não detectou essas irregularidades e nem os maus tratos. O Instituto inclusive se manifestou lamentando que alguns dos cães tenham sido abandonados pelos ativistas e que eles atuam sob as normas e suas atividades são fiscalizadas por órgãos ligados ao Governo Federal. Além disso, essa invasão dificulta o desenvolvimento da pesquisa em saúde, já que lá eram feitos testes para medicamentos coadjuvantes na cura do câncer, antibióticos e fitoterápicos.

A ciência é algo muito complexo, feita por um conjunto grande de especialistas que trabalham em laboratórios de universidades, de empresas e ou de outras instituições. Antes de um produto, seja ele um cosmético, um medicamento ou até mesmo um plástico entrar no mercado, ele deve ser desenvolvido e testado. Na etapa de desenvolvimento, são feitos estudos para ver a partir de que materiais ele será feito, qual o rendimento das reações de síntese, qual a velocidade dessas reações, em que condições serão feitas, se usarão altas ou baixas temperaturas, se usarão altas pressões, que catalisadores serão usados. Depois de desenvolvido, o composto é intensamente estudado. Busca-se verificar todas as suas propriedades físicas e químicas: cor, odor, resistência mecânica, densidade e etc. Se for um fármaco, muitas vezes, programas computacionais são utilizados para ver como ele atuará no organismo.

Mas só isso não basta. É preciso saber se ele causará algum efeito colateral, se realmente curará a doença, em que dose deverá ser usado, se não é tóxico com o tempo e etc. E não há como fazer esses estudos usando um programa de computador ou fazendo testes com bactérias; é preciso de algo que esteja próximo do ser humano. Por isso, se utilizam os animais, neste caso, os cachorros beagles. Os testes em animais, assim, são feitos, antes dos testes em seres humanos. Depois que o produto mostrou que não faz mal para o animal, ele é testado em pessoas, que participam voluntariamente das pesquisas científicas.

assim, cabe a questão: onde ficam os direitos dos animais? Para essa questão não há uma resposta, pois cada um tem uma opinião e cada um tem o direito de ter essa opinião. No entanto, existem códigos de ética e até mesmo leis que preveem como devem ser feitas as pesquisas com animais, enfatizando que se deve evitar o sofrimento dos animais ao máximo, garantindo seu bem estar, proporcionando alimentos de qualidade, locais com higiene, temperatura e iluminação adequados e etc. Os cientistas precisam seguir normas rigorosas em todas as fases da pesquisa, pois senão, os seus resultados não serão válidos, além disso, devem justificar o que fizeram e como fizeram e propor métodos para evitar o sofrimento dos animais, que devem ser usados só em últimos casos. E se o cientista não seguir essas regras, aí sim deve ser punido pelos órgãos competentes. Assim, os testes não são feitos sem fiscalização nos animais.
Em termos históricos, com o desenvolvimento de novas técnicas, o uso de animais em experimentos científicos diminuiu muito. A tendência é que se diminua ainda mais, porém, não há como garantir que eles nunca mais serão usados e nem que nenhum animal é maltratado. 
Há muito tempo testes são realizados em animais, pois ainda está em desenvolvimento alternativas que garantam que remédios, cosméticos e outros produtos, possam ser usados pelo ser humano sem perigo.
 
Os animais são queridos, amados e respeitados no mundo todo. Com certeza, eles devem ser preservados e não devem ser maltratados. Mas, todos os dias, bilhões de pessoas consomem carne animal, além disso, bilhões de pessoas usam produtos que foram testados em animais. Parece contraditório, mas é assim que vivemos há muito tempo. Por isso, vira e mexe aparece uma polêmica: por que os cientistas usam animais para fazer testes? Muitos acham que é porque os cientistas são cruéis e gostam de maltratar os animais, por isso, deveriam ser castigados. Mas, será que é isso mesmo?
Protestos contra os testes em animais estão ocorrendo em toda parte
Essa discussão, que não é nova, está intensa no momento porque no dia 18 de outubro de 2013 cerca de 150 ativistas que defendem o direito dos animais invadiram o Instituto Royal, em São Roque (SP), e resgataram 178 cães da raça beagle e coelhos que seriam usados em pesquisas científicas. Esses cachorros serão encaminhados para três organizações não governamentais (ONGs) que cuidam de animais.
Os ativistas disseram que havia várias irregularidades no local e que os animais eram maltratados e que até se ouviam choros de dor. Porém, foi feita uma perícia que não detectou essas irregularidades e nem os maus tratos. O Instituto inclusive se manifestou lamentando que alguns dos cães tenham sido abandonados pelos ativistas e que eles atuam sob as normas e suas atividades são fiscalizadas por órgãos ligados ao Governo Federal. Além disso, essa invasão dificulta o desenvolvimento da pesquisa em saúde, já que lá eram feitos testes para medicamentos coadjuvantes na cura do câncer, antibióticos e fitoterápicos. 
Os cachorros eram usados no Instituto Royal para fazer testes de medicamentos
A ciência é algo muito complexo, feita por um conjunto grande de especialistas que trabalham em laboratórios de universidades, de empresas e ou de outras instituições. Antes de um produto, seja ele um cosmético, um medicamento ou até mesmo um plástico entrar no mercado, ele deve ser desenvolvido e testado. Na etapa de desenvolvimento, são feitos estudos para ver a partir de que materiais ele será feito, qual o rendimento das reações de síntese, qual a velocidade dessas reações, em que condições serão feitas, se usarão altas ou baixas temperaturas, se usarão altas pressões, que catalisadores serão usados. Depois de desenvolvido, o composto é intensamente estudado. Busca-se verificar todas as suas propriedades físicas e químicas: cor, odor, resistência mecânica, densidade e etc. Se for um fármaco, muitas vezes, programas computacionais são utilizados para ver como ele atuará no organismo.
Mas só isso não basta. É preciso saber se ele causará algum efeito colateral, se realmente curará a doença, em que dose deverá ser usado, se não é tóxico com o tempo e etc. E não há como fazer esses estudos usando um programa de computador ou fazendo testes com bactérias; é preciso de algo que esteja próximo do ser humano. Por isso, se utilizam os animais, neste caso, os cachorros beagles. Os testes em animais, assim, são feitos, antes dos testes em seres humanos. Depois que o produto mostrou que não faz mal para o animal, ele é testado em pessoas, que participam voluntariamente das pesquisas científicas.
Os testes em animais já são feitos há muito tempo, mas antes não existia um código de ética, nem leis que os regulamentavam
assim, cabe a questão: onde ficam os direitos dos animais? Para essa questão não há uma resposta, pois cada um tem uma opinião e cada um tem o direito de ter essa opinião. No entanto, existem códigos de ética e até mesmo leis que preveem como devem ser feitas as pesquisas com animais, enfatizando que se deve evitar o sofrimento dos animais ao máximo, garantindo seu bem estar, proporcionando alimentos de qualidade, locais com higiene, temperatura e iluminação adequados e etc. Os cientistas precisam seguir normas rigorosas em todas as fases da pesquisa, pois senão, os seus resultados não serão válidos, além disso, devem justificar o que fizeram e como fizeram e propor métodos para evitar o sofrimento dos animais, que devem ser usados só em últimos casos. E se o cientista não seguir essas regras, aí sim deve ser punido pelos órgãos competentes. Assim, os testes não são feitos sem fiscalização nos animais.
Em termos históricos, com o desenvolvimento de novas técnicas, o uso de animais em experimentos científicos diminuiu muito. A tendência é que se diminua ainda mais, porém, não há como garantir que eles nunca mais serão usados e nem que nenhum animal é maltratado. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Moléculas encontradas nos insetos podem combater doenças humanas

Substâncias encontradas na hemolinfa de lagartas podem desempenhar papel importante contra doenças como herpes 1, rubéola, H1N1, sarampo, entre outras.

Trabalho desenvolvido por pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, traz novas esperanças no combate de algumas doenças humanas. Segundo notícia publicada na revista FAPESP, no dia 24 de outubro de 2013, proteínas presentes na hemolinfa de algumas lagartas podem agir em defesa do organismo contra o ataque de alguns patógenos.

Apesar dos insetos apresentarem sistema imunológico tão pouco desenvolvido, principalmente, quando comparado ao sistema imunológico do ser humano, esses animais conseguiram sobreviver ao longo de milhões de anos e se adaptaram tão bem aos diferentes habitats que hoje representam mais da metade das espécies atualmente identificadas.

Uma das possíveis explicações para tanto sucesso evolutivo pode ser a existência de algumas moléculas na hemolinfa dos insetos que podem atuar no combate de vírus, bactérias e fungos.

Segundo os pesquisadores, compreender melhor os componentes da hemolinfa e a ação de cada uma dessas moléculas pode ser um bom caminho para o desenvolvimento de novos medicamentos para os humanos.

No Instituto Butantan, os pesquisadores, que contam com o apoio financeiro da FAPESP, estão trabalhando em um projeto maior, ou seja, estão trabalhando há um tempo na bioprospecção de proteínas da hemolinfa de lagartas que possam ser usadas na farmacologia.

Segundo o virologista Ronaldo Zucatelli Mendonça, há muito se produz substâncias antivirais originárias de organismos e produtos vegetais ou animais, mas pouco se investiga em insetos e menos ainda em lagartas.

Entre março de 2009 e agosto de 2011, os cientistas trabalharam em um projeto no qual a equipe isolou e purificou uma proteína presente na lagarta Lonomia obliqua, da família Saturniidae.

Os resultados, que foram publicados em 2012 na revista Antiviral Research, mostraram que a proteína isolada da lagarta Lonomia obliqua conseguiu reduzir em um milhão de vezes a replicação do vírus do herpes, enquanto que a replicação foi reduzida dez mil vezes no caso do vírus da rubéola.

No trabalho atual, os pesquisadores encontraram substâncias de alta potência antiviral nas lagartas da família Megalopygidae. Eles verificaram que essas substâncias foram responsáveis por reduzir em duas mil vezes a taxa de replicação do picornavírus e em 750 vezes a taxa de replicação do vírus do sarampo. Além disso, as substâncias também foram capazes de inibirem a replicação do vírus influenza H1N1.

Os testes foram feitos a partir da extração do gene codificador da proteína presente na hemolinfa. Após a extração do gene, os pesquisadores clonaram-no em um baculovírus e, posteriormente, replicaram em células de insetos, as quais são capazes de produzir proteínas de defesa.

Segundo Ronaldo, os dados apresentados na revista FAPESP ainda são preliminares e os pesquisadores estão trabalhando para melhorarem esses resultados. Além disso, serão necessários também testes in vivo para verificar como essas substâncias agem no organismo e a viabilidade econômica dessa técnica.
Substâncias encontradas na hemolinfa de lagartas podem desempenhar papel importante contra doenças como herpes 1, rubéola, H1N1, sarampo, entre outras.
Instituto Butantan, em São Paulo
Trabalho desenvolvido por pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, traz novas esperanças no combate de algumas doenças humanas. Segundo notícia publicada na revista FAPESP, no dia 24 de outubro de 2013, proteínas presentes na hemolinfa de algumas lagartas podem agir em defesa do organismo contra o ataque de alguns patógenos.
 Apesar dos insetos apresentarem sistema imunológico tão pouco desenvolvido, principalmente, quando comparado ao sistema imunológico do ser humano, esses animais conseguiram sobreviver ao longo de milhões de anos e se adaptaram tão bem aos diferentes habitats que hoje representam mais da metade das espécies atualmente identificadas.
 Uma das possíveis explicações para tanto sucesso evolutivo pode ser a existência de algumas moléculas na hemolinfa dos insetos que podem atuar no combate de vírus, bactérias e fungos.
Segundo os pesquisadores, compreender melhor os componentes da hemolinfa e a ação de cada uma dessas moléculas pode ser um bom caminho para o desenvolvimento de novos medicamentos para os humanos.
No Instituto Butantan, os pesquisadores, que contam com o apoio financeiro da FAPESP, estão trabalhando em um projeto maior, ou seja, estão trabalhando há um tempo na bioprospecção de proteínas da hemolinfa de lagartas que possam ser usadas na farmacologia.
Segundo o virologista Ronaldo Zucatelli Mendonça, há muito se produz substâncias antivirais originárias de organismos e produtos vegetais ou animais, mas pouco se investiga em insetos e menos ainda em lagartas.
Exemplar de uma lagarta da família Saturniidae
Entre março de 2009 e agosto de 2011, os cientistas trabalharam em um projeto no qual a equipe isolou e purificou uma proteína presente na lagarta Lonomia obliqua, da família Saturniidae.
 Os resultados, que foram publicados em 2012 na revista Antiviral Research, mostraram que a proteína isolada da lagarta Lonomia obliqua conseguiu reduzir em um milhão de vezes a replicação do vírus do herpes, enquanto que a replicação foi reduzida dez mil vezes no caso do vírus da rubéola.
 No trabalho atual, os pesquisadores encontraram substâncias de alta potência antiviral nas lagartas da família Megalopygidae. Eles verificaram que essas substâncias foram responsáveis por reduzir em duas mil vezes a taxa de replicação do picornavírus e em 750 vezes a taxa de replicação do vírus do sarampo. Além disso, as substâncias também foram capazes de inibirem a replicação do vírus influenza H1N1.
Os testes foram feitos a partir da extração do gene codificador da proteína presente na hemolinfa. Após a extração do gene, os pesquisadores clonaram-no em um baculovírus e, posteriormente, replicaram em células de insetos, as quais são capazes de produzir proteínas de defesa.
Segundo Ronaldo, os dados apresentados na revista FAPESP ainda são preliminares e os pesquisadores estão trabalhando para melhorarem esses resultados. Além disso, serão necessários também testes in vivo para verificar como essas substâncias agem no organismo e a viabilidade econômica dessa técnica.