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terça-feira, 9 de julho de 2013

Minicomputador comestível

Cientistas constroem computadores em tamanho de pílulas, que podem ser ingeridos como se fossem remédio.

Os computadores estão cada vez menores, mais finos, mais rápidos, mais poderosos, mais portáteis. Mas, você já imaginou engolir um computador? Certamente, não!
Em tamanho de pílulas, nesses computadores podem ser colocados sensores, transmissores, câmeras e/ou chips para executar funções variadas. Já existem exames, como a endoscopia, que funcionam à base de uma câmera conectada em um fio que é ingerido e depois retirado. A novidade é que esses minicomputadores não têm fios. E eles podem monitorar dados relacionados com a saúde, como os níveis de certos compostos (hormônios, vitaminas, sais minerais etc.), bem como fazer a vez da endoscopia e, com uma câmera, gravar os órgãos e tecidos. Depois de fazer as medidas, o minicomputador presente na pílula ainda poderá mandar os resultados dos exames por e-mail para o médico.

Existem ainda propostas de pílulas que tenham uma programação específica: ao chegar perto de um aparelho, por exemplo um celular ou até mesmo um carro, já sejam feitos certos comandos automaticamente, como abrir a porta ou preencher uma senha.

Tais pílulas já são usadas por astronautas. Para serem viáveis, elas devem ser feitas com um material resistente, que não reaja com nenhum composto presente no sistema digestivo. Dessa forma, a pílula entra e sai do corpo sem liberar compostos que possam ser nocivos para a saúde. Além disso, ela também tem que ter algum mecanismo de funcionamento, como uma bateria ou pilha, que seja durável e autônomo.

A FDA, fundação americana que regulamenta os medicamentos e alimentos que são vendidos no país, já liberou a venda de uma dessas pílulas, a chamada Proteus Digital Health, desenvolvida pela Redwood City. Essa pílula possui um dispositivo à base de magnésio e de cobre. Quando entra em contato com o ácido clorídrico do estômago, o computador começa a funcionar, pois se fecha o circuito elétrico e ocorrem reações químicas que geram energia.
O computador presente na pílula, então, faz as medidas e coleta os dados, de acordo com a programação que foi feita antes de ela ser ingerida. Depois, acontece o envio desses dados para um aplicativo, como aqueles de celulares. A expectativa é tanta que a empresa já arrecadou mais de 60 milhões de dólares de investidores.

Outra pílula, denominada CorTemp, foi desenvolvida pela empresa americana HQ Inc.. Ela tem uma bateria interna e um minicomputador que transmite para um aplicativo a temperatura interna do organismo, mesmo quando se está fazendo uma atividade intensa. A pílula vem sendo usada por astronautas, bombeiros e outros profissionais para evitar que seus corpos fiquem superaquecidos.
A questão problemática do computador digerível é que ele entra no organismo via oral, mas, depois de percorrer o sistema digestivo, é eliminado nas fezes. Quando isso ocorre, a pessoa pode escolher: recuperá-lo e reciclá-lo ou descartá-lo. 
Cientistas constroem computadores em tamanho de pílulas, que podem ser ingeridos como se fossem remédio.
As pílulas com minicomputadores podem enviar informações de dentro do organismo para aplicativos de smartphones
Os computadores estão cada vez menores, mais finos, mais rápidos, mais poderosos, mais portáteis. Mas, você já imaginou engolir um computador? Certamente, não!
Em tamanho de pílulas, nesses computadores podem ser colocados sensores, transmissores, câmeras e/ou chips para executar funções variadas. Já existem exames, como a endoscopia, que funcionam à base de uma câmera conectada em um fio que é ingerido e depois retirado. A novidade é que esses minicomputadores não têm fios. E eles podem monitorar dados relacionados com a saúde, como os níveis de certos compostos (hormônios, vitaminas, sais minerais etc.), bem como fazer a vez da endoscopia e, com uma câmera, gravar os órgãos e tecidos. Depois de fazer as medidas, o minicomputador presente na pílula ainda poderá mandar os resultados dos exames por e-mail para o médico.
Existem ainda propostas de pílulas que tenham uma programação específica: ao chegar perto de um aparelho, por exemplo um celular ou até mesmo um carro, já sejam feitos certos comandos automaticamente, como abrir a porta ou preencher uma senha.
Tamanho do computador dentro da pílula Proteus Digital Health
Tais pílulas já são usadas por astronautas. Para serem viáveis, elas devem ser feitas com um material resistente, que não reaja com nenhum composto presente no sistema digestivo. Dessa forma, a pílula entra e sai do corpo sem liberar compostos que possam ser nocivos para a saúde. Além disso, ela também tem que ter algum mecanismo de funcionamento, como uma bateria ou pilha, que seja durável e autônomo.
A FDA, fundação americana que regulamenta os medicamentos e alimentos que são vendidos no país, já liberou a venda de uma dessas pílulas, a chamada Proteus Digital Health, desenvolvida pela Redwood City. Essa pílula possui um dispositivo à base de magnésio e de cobre. Quando entra em contato com o ácido clorídrico do estômago, o computador começa a funcionar, pois se fecha o circuito elétrico e ocorrem reações químicas que geram energia.
O computador presente na pílula, então, faz as medidas e coleta os dados, de acordo com a programação que foi feita antes de ela ser ingerida. Depois, acontece o envio desses dados para um aplicativo, como aqueles de celulares. A expectativa é tanta que a empresa já arrecadou mais de 60 milhões de dólares de investidores.
A CorTemp é muito parecida com uma pílula comum. Ela mede a temperatura interna do corpo humano
Outra pílula, denominada CorTemp, foi desenvolvida pela empresa americana HQ Inc.. Ela tem uma bateria interna e um minicomputador que transmite para um aplicativo a temperatura interna do organismo, mesmo quando se está fazendo uma atividade intensa. A pílula vem sendo usada por astronautas, bombeiros e outros profissionais para evitar que seus corpos fiquem superaquecidos.
A questão problemática do computador digerível é que ele entra no organismo via oral, mas, depois de percorrer o sistema digestivo, é eliminado nas fezes. Quando isso ocorre, a pessoa pode escolher: recuperá-lo e reciclá-lo ou descartá-lo. 


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Entenda como qualquer órgão humano pode ser construído em laboratório

Pesquisadores estão criando orelhas, narizes e traqueias a partir das células dos pacientes. Será o fim da doação de órgãos?
por João Mello   

Editora Globo
Uma orelha de laboratório quase pronta: pode parecer filme de terror, mas é um símbolo de esperança pra muita gente //Crédito: Reprodução

A criação de órgãos em laboratório está se tornando realidade. Aos poucos, cientistas do mundo inteiro estão desenvolvendo uma técnica que permite a produção de partes do nosso corpo com o objetivo de substituir órgãos inutilizados pelas mais diversas doenças.
Ao que tudo indica, essa pode ser uma alternativa interessante para a doação convencional de órgãos, que sempre sofreu com o problema da escassez de doadores e da alta taxa de rejeição dos pacientes receptores. Construir em vez de doar elimina a ardilosa etapa de tomar pesadas drogas anti-rejeição, já que os órgãos são fabricados a partir das células da própria pessoa que irá receber o transplante.
A técnica parte da seguinte premissa: se a metástase de um tumor atacou e afetou um órgão, é só substituí-lo por um novo e saudável. Traqueias e até canais lacrimais já foram criados. A expectativa é que antes do final de 2013 um homem que perdeu o nariz por causa de um câncer de pele terá um novo implantando em seu rosto.
Promover o crescimento celular em um ambiente tão artificial quanto um laboratório sempre foi o desafio que colocava a fabricação de órgãos no departamento de ficção – e não no de avanços médicos críveis. Quando descobrimos como o corpo faz para multiplicar as células e aprendemos a imitar essa técnica, a construção de órgãos passou a ser plausível. Em 1996, um laboratório na Carolina do Norte, nos EUA, construiu uma bexiga – o órgão, não o aparato colorido de festa infantil.

A fabricação e implantação do nariz, citada acima, está sendo conduzida pelo pesquisador Alex Seifalian, da University College London. A partir de um molde de vidro com o formato do nariz de outra pessoa, uma réplica é criada. O material é feito de fibras de planta e resina, resultando em um nanocompósito, uma estrutura parecida com uma colmeia de abelhas: buraquinhos minúsculos, do tamanho exato para que as células se acomodem, são formados. A adição de açúcar e sal no final do processo deixa o nariz com uma textura esponjosa e resistente a proliferação de bactérias infectuosas.
Editora Globo
Dr. Alex Seifalian segura o material que compõe a orelha: grande desafio foi achar uma textura que abrigasse as células adequadamente //Crédito: Reprodução

Daí o processo que se segue é como o de plantar um órgão. As células tronco fazem o papel de semente - elas são retiradas do paciente receptor e colocadas nos poros que permeiam o material que está no molde, que a essa altura já pode ser chamado de futuro nariz. Essas células formarão a cartilagem do nariz.
Com a cartilagem encaminhada, fica faltando a pele. A primeira ideia do médico foi de implantar o nariz na testa do paciente, na esperança de que o tecido da cabeça fosse simplesmente acoplar o nariz e revesti-lo de pele. Com o óbvio constrangimento surreal de ostentar um nariz acima dos olhos por semanas, talvez meses, a solução escolhida foi menos explícita, mas certamente não menos improvável – o nariz será colocado no antebraço do rapaz. Se a pele fizer seu papel, se os vasos sanguíneos se formarem corretamente, se não houver infecção, o nariz vai pro lugar de sempre. Substâncias químicas também são injetadas, de modo a transformar as células tronco em células epiteliais, comumente encontradas no interior de vários órgãos. O paciente será capaz de sentir alguns cheiros, mas não como antes. Estima-se que o procedimento todo custe em torno de 40 mil dólares.
Se a complexidade de criar um nariz é essa, imagina um coração. O bioengenheiro Dr. Francisco Fernandez-Aviles, de Madrid, está empenhado nesse desafio, considerado instransponível até bem pouco tempo. O coração tem muitos tipos de células, com funções altamente complexas: umas são responsáveis pelo batimento, outras pela formação de vasos, outras pela condução de sinais elétricos. O órgão tem de bombear quase 4 litros de sangue por minuto, mas de maneira mais suave que o coração natural, na tentativa de evitar a morte das células.
Como a atividade elétrica não se forma do nada, o marcapasso será o motor desse coração. Ele deve ficar pronto em até seis anos, mas a recriação do coração inteiro e também de partes dele só deve se tornar uma realidade para os pacientes dentro de uma década, já que os trâmites legais para liberar para a população uma operação desse tipo costumam ser bem demorados.
Via Wall Street Journal

domingo, 9 de junho de 2013

Mãe, não tem tomate?

 
Quem não ouviu ou viu nas redes sociais os manifestos com relação ao aumento do preço do tomate nos últimos dias? Muitas famílias que o tinham em suas refeições como item primordial se viram obrigadas a substituí-lo por um alimento mais barato. Mas, se o Brasil é conhecido por suas terras produtivas, por que, afinal, o tomate se transformou em um produto de luxo nas refeições brasileiras?

A culpa desse aumento é da inflação. Popularmente, a inflação significa o aumento no valor dos preços; economicamente, podemos dizer que a inflação é a queda do poder de compra do dinheiro. O órgão responsável pelo fornecimento do valor da inflação brasileira é o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estima-se que a faixa entre 2 a 4,5% de inflação ao ano é uma situação de estabilidade de preços. Engana-se, portanto, quem pensa que 0% de inflação represente estabilidade; ao contrário, esse valor representa desemprego e crise.
Se tivéssemos 0% de inflação, por exemplo, significaria que não haveria procura no mercado consumidor, e, consequentemente, não haveria demanda, pois é a demanda que determina a oferta. Por exemplo, um produtor de arroz só continuará produzindo arroz se continuar tendo procura por esse produto; caso contrário, ele apenas terá prejuízos com a sua produção.
O desemprego é um dos responsáveis pela diminuição da procura por determinados produtos no mercado consumidor, ocasionando, dessa forma, crise em seus fabricantes, que se sustentam através das vendas. Na história do tomate o aumento de preço aconteceu porque a procura estava maior que a demanda. A demanda abaixou devido às secas e às altas chuvas que, combinadas, levaram à diminuição dessa fruta.




O cálculo da inflação é baseado em POFs (Pesquisa de Orçamento familiar). Através dessa pesquisa monta-se uma cesta de produtos baseada na importância de cada item para as famílias e em seus respectivos preços; os mais caros possuem altos índices. Além das cestas de produtos e de seu preço, a densidade demográfica também influencia no cálculo - São Paulo, por exemplo, é responsável por 31% do consumo no Brasil, devido a sua grande população.
Essa cesta de produtos passou por algumas reformulações: alguns produtos, como fralda de pano, máquina de costura e mais 48 itens, foram considerados desnecessários e, portanto, saíram do cálculo do índice. Em contrapartida, 32 novos itens foram acrescentados: salmão, morango, chuveiro elétrico e telefone com internet são alguns exemplos. A atualização desses itens na inflação é necessária, pois os hábitos de consumo sempre mudam.
Um exemplo de como é possível medir um produto com inflação pode ser observado através da regra de porcentagem. Suponha que você compre uma cesta básica pelo preço de R$ 100,00 e, segundo pesquisas, o índice de inflação será de 1% para os produtos encontrados nessa cesta. Quanto você pagaria por ela no próximo mês? Através do cálculo de porcentagem:
1% de 100 = 1
R$ 100,00 +  R$1,00 = R$101,00. Esse seria o valor pago pelos produtos com a inflação de 1%.
Quem não ouviu ou viu nas redes sociais os manifestos com relação ao aumento do preço do tomate nos últimos dias? Muitas famílias que o tinham em suas refeições como item primordial se viram obrigadas a substituí-lo por um alimento mais barato. Mas, se o Brasil é conhecido por suas terras produtivas, por que, afinal, o tomate se transformou em um produto de luxo nas refeições brasileiras?
A culpa desse aumento é da inflação. Popularmente, a inflação significa o aumento no valor dos preços; economicamente, podemos dizer que a inflação é a queda do poder de compra do dinheiro. O órgão responsável pelo fornecimento do valor da inflação brasileira é o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estima-se que a faixa entre 2 a 4,5% de inflação ao ano é uma situação de estabilidade de preços. Engana-se, portanto, quem pensa que 0% de inflação represente estabilidade; ao contrário, esse valor representa desemprego e crise.
Se tivéssemos 0% de inflação, por exemplo, significaria que não haveria procura no mercado consumidor, e, consequentemente, não haveria demanda, pois é a demanda que determina a oferta. Por exemplo, um produtor de arroz só continuará produzindo arroz se continuar tendo procura por esse produto; caso contrário, ele apenas terá prejuízos com a sua produção.
O desemprego é um dos responsáveis pela diminuição da procura por determinados produtos no mercado consumidor, ocasionando, dessa forma, crise em seus fabricantes, que se sustentam através das vendas. Na história do tomate o aumento de preço aconteceu porque a procura estava maior que a demanda. A demanda abaixou devido às secas e às altas chuvas que, combinadas, levaram à diminuição dessa fruta.
O cálculo da inflação é baseado em POFs (Pesquisa de Orçamento familiar). Através dessa pesquisa monta-se uma cesta de produtos baseada na importância de cada item para as famílias e em seus respectivos preços; os mais caros possuem altos índices. Além das cestas de produtos e de seu preço, a densidade demográfica também influencia no cálculo - São Paulo, por exemplo, é responsável por 31% do consumo no Brasil, devido a sua grande população.
Essa cesta de produtos passou por algumas reformulações: alguns produtos, como fralda de pano, máquina de costura e mais 48 itens, foram considerados desnecessários e, portanto, saíram do cálculo do índice. Em contrapartida, 32 novos itens foram acrescentados: salmão, morango, chuveiro elétrico e telefone com internet são alguns exemplos. A atualização desses itens na inflação é necessária, pois os hábitos de consumo sempre mudam.
Um exemplo de como é possível medir um produto com inflação pode ser observado através da regra de porcentagem. Suponha que você compre uma cesta básica pelo preço de R$ 100,00 e, segundo pesquisas, o índice de inflação será de 1% para os produtos encontrados nessa cesta. Quanto você pagaria por ela no próximo mês? Através do cálculo de porcentagem:
1% de 100 = 1
R$ 100,00 +  R$1,00 = R$101,00. Esse seria o valor pago pelos produtos com a inflação de 1%.

Elétrons em grupos podem ser separados em componentes mais elementares

Os átomos são compostos por um núcleo, onde há prótons e nêutrons, e por elétrons, que correspondem a partículas de carga negativa que orbitam o núcleo do átomo. 
Os nêutrons e prótons, que constituem o núcleo dos átomos, são partículas não elementares. Isso significa que elas são compostas por outras partículas menores, chamadas de quarks. Já os elétrons sempre foram considerados partículas elementares, isto é, partículas sem estrutura interna que não podem ser divididas... Mas isso mudou.

Recentemente pesquisadores na Suíça liderados por Schlappa apresentaram um resultado muito interessante: conseguiram dividir o elétron em duas partículas menores, o spinon e o orbitron. Com isso, eles conseguiram separar as propriedades de spin e de órbita de um elétron. O resultado encontra-se na edição de maio de 2013 da revista Nature.
 
 
 
 
A separação do elétron
Até o momento, a física padrão sempre aceitou que um elétron fosse uma partícula fundamental. No entanto, já em 1980 havia previsões de teóricos que sugeriram que elétrons podiam ser compostos por três pedaços menores: um “spinon” (que fornece seu spin), um “orbitron” (que fornece sua órbita) e um “holon” (que carrega sua carga).

Essa separação não pode ser feita para elétrons isolados, mas apenas quando eles estão em uma cadeia linear (uma linha de elétrons, por exemplo) essa separação é possível. Por essa razão, o spinos, orbitron e holon são chamados de quasi-partículas, e não de partículas.



Em 1996, um trabalho publidado na revista científica Physics Review Letter mostrava uma aparente separação de um elétron em um holon e um spinon. Neste ano, pesquisadores suíços e alemães, liderados por Thorsten Schmitt, usando feixes de raio X, estudaram um composto chamado de cuprato de estrônio.
Esse composto foi escolhido pois suas partículas presentes só podem se mover em uma dimensão - com isso, se reproduz a situação de uma linha de elétrons. Os físicos observaram um elétron se dividir em duas das três partes previstas: o spinon e o orbitron. O que solidificou as observações e tornou este trabalho particularmente importante foi o fato de eles encontrarem propriedades diferentes para as duas quasi-partículas. Essas partículas podiam se mover com velocidades diferentes e até em direções diferentes do material. A imagem ao lado ilustra o tipo de resultado obtido pelos cientistas.

Elétrons atômicos possuem essa habilidade pois se comportam como ondas quando estão confinados em um material. Quando os elétrons são excitados, essa onda se separa em múltiplas ondas, cada uma carregando diferentes características do elétron; mas elas não podem existir de maneira independente fora do material.

O próximo passo será produzir o holon, o spinon e o órbiton ao mesmo tempo.
Além de ser um resultado interessante do ponto de vista acadêmico, a pesquisa pode ter implicações mais práticas. Os órbitons, por exemplo, poderiam auxiliar a construção de um computador quântico (um computador que usaria as propriedades quânticas das partículas para efetuar cálculos de modo mais rápido).
Um problema enfrentado pela computação quântica é que os efeitos quânticos geralmente são destruídos antes que os cálculos possam ser efetuados. A vantagem trazida é que as transições orbitais são extremamente rápidas, de modo que cálculos que façam uso dessas transições podem ser efetuados rapidamente, antes que os efeitos quânticos desapareçam. Isso aumenta as chances de se construir um computador quântico realista.
Elétrons orbitando o núcleo de um átomo
Os átomos são compostos por um núcleo, onde há prótons e nêutrons, e por elétrons, que correspondem a partículas de carga negativa que orbitam o núcleo do átomo.
 Os nêutrons e prótons, que constituem o núcleo dos átomos, são partículas não elementares. Isso significa que elas são compostas por outras partículas menores, chamadas de quarks. Já os elétrons sempre foram considerados partículas elementares, isto é, partículas sem estrutura interna que não podem ser divididas... Mas isso mudou.
Próton e nêutron são compostos por quarks
Recentemente pesquisadores na Suíça liderados por Schlappa apresentaram um resultado muito interessante: conseguiram dividir o elétron em duas partículas menores, o spinon e o orbitron. Com isso, eles conseguiram separar as propriedades de spin e de órbita de um elétron. O resultado encontra-se na edição de maio de 2013 da revista Nature.
 
A separação do elétron
Até o momento, a física padrão sempre aceitou que um elétron fosse uma partícula fundamental. No entanto, já em 1980 havia previsões de teóricos que sugeriram que elétrons podiam ser compostos por três pedaços menores: um “spinon” (que fornece seu spin), um “orbitron” (que fornece sua órbita) e um “holon” (que carrega sua carga).
Picos de absorção de energia: um dos picos corresponde à parte de spin (spinon) e outro à parte orbital (orbitron)
Essa separação não pode ser feita para elétrons isolados, mas apenas quando eles estão em uma cadeia linear (uma linha de elétrons, por exemplo) essa separação é possível. Por essa razão, o spinos, orbitron e holon são chamados de quasi-partículas, e não de partículas.
 Em 1996, um trabalho publidado na revista científica Physics Review Letter mostrava uma aparente separação de um elétron em um holon e um spinon. Neste ano, pesquisadores suíços e alemães, liderados por Thorsten Schmitt, usando feixes de raio X, estudaram um composto chamado de cuprato de estrônio.
Esse composto foi escolhido pois suas partículas presentes só podem se mover em uma dimensão - com isso, se reproduz a situação de uma linha de elétrons. Os físicos observaram um elétron se dividir em duas das três partes previstas: o spinon e o orbitron. O que solidificou as observações e tornou este trabalho particularmente importante foi o fato de eles encontrarem propriedades diferentes para as duas quasi-partículas. Essas partículas podiam se mover com velocidades diferentes e até em direções diferentes do material. A imagem ao lado ilustra o tipo de resultado obtido pelos cientistas.
Ilustração: computação quântica
Elétrons atômicos possuem essa habilidade pois se comportam como ondas quando estão confinados em um material. Quando os elétrons são excitados, essa onda se separa em múltiplas ondas, cada uma carregando diferentes características do elétron; mas elas não podem existir de maneira independente fora do material.
 O próximo passo será produzir o holon, o spinon e o órbiton ao mesmo tempo.
Além de ser um resultado interessante do ponto de vista acadêmico, a pesquisa pode ter implicações mais práticas. Os órbitons, por exemplo, poderiam auxiliar a construção de um computador quântico (um computador que usaria as propriedades quânticas das partículas para efetuar cálculos de modo mais rápido).
Um problema enfrentado pela computação quântica é que os efeitos quânticos geralmente são destruídos antes que os cálculos possam ser efetuados. A vantagem trazida é que as transições orbitais são extremamente rápidas, de modo que cálculos que façam uso dessas transições podem ser efetuados rapidamente, antes que os efeitos quânticos desapareçam. Isso aumenta as chances de se construir um computador quântico realista.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Mudança climática impulsionou desenvolvimento humano, revela estudo

 

Os primeiros humanos que viveram na África do Sul deram saltos culturais e industriais em períodos de clima mais úmido, revelou nesta terça-feira (21) um estudo que comparou os registros arqueológicos da evolução do homem com as mudanças climáticas.
Os humanos modernos (Homo sapiens) apareceram pela primeira vez na África durante a Média Idade da Pedra, que durou de 280 mil a 30 mil anos atrás.
Alguns dos exemplos mais remotos da cultura e da tecnologia humana foram encontrados na África do Sul, com evidências fósseis com picos inovadores cuja causa deixou os cientistas intrigados. O registro revela que um período notável de avanço humano ocorreu cerca de 71,5 mil  anos atrás e outro, entre 64 mil e 59 mil anos atrás.
Exemplos desta inovação incluem o uso de símbolos vinculados ao desenvolvimento da linguagem complexa em gravuras, a manufatura e o uso de ferramentas de pedra e adornos pessoais como joias feitas de conchas.
"Nós mostramos pela primeira vez que o ritmo destes períodos de inovação coincidiu com mudanças climáticas abruptas", disse o coautor do estudo, Martin Ziegler, da Escola de Ciências da Terra e dos Oceanos da Universidade Cardiff, no Reino Unido.
"Nós descobrimos que a África do Sul registrou condições mais úmidas durante estes períodos de avanço cultural", acrescentou. "Ao mesmo tempo, grandes áreas da África Subsaariana experimentaram condições mais secas, sendo assim a África do Sul atuou potencialmente como um refúgio para os primeiros humanos."
A equipe de Ziegler, que publicou artigo na revista Nature Communications, reconstituiu o clima sul-africano dos últimos 100 mil anos usando amostras sedimentares extraídas da costa leste do país. As amostras mostram mudanças na descarga dos rios e no padrão de chuvas.
"Oferecem pela primeira vez a possibilidade de comparar o registro arqueológico com o registro das mudanças climáticas no mesmo período, e portanto, nos ajuda a compreender as origens dos humanos modernos", escreveu Ziegler por e-mail.
Também coautor no estudo, Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, afirmou que as descobertas apoiaram a visão de que o crescimento populacional incentivou o avanço cultural através das crescentes interações humanas.
"Estas pulsações influenciadas pelo clima no Sul da África e além, provavelmente, foram fundamentais para a origem dos elementos-chave do comportamento do humano moderno na África e para a subsequente dispersão do Homo sapiens a partir de sua terra ancestral", concluiu o estudo.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Cães conseguem decodificar expressões humanas

 

 
Alemães desenvolveram uma pesquisa que sugere que os cães são capazes de interpretar as expressões faciais humanas para encontrar alimentos escondidos.



Que os cães são os melhores amigos do homem todo mundo já deve ter ouvido falar, mas uma novidade dessa relação entre cães e humanos foi publicada em setembro de 2012, no periódico internacional Animal Cognition.

Segundo os pesquisadores alemães, os cães têm capacidade de decodificar as expressões faciais humanas. Eles utilizaram para esse trabalho 58 animais de raças diferentes, sendo: 20 Huskies Siberianos, 10 Labradores Retrievers, 10 Golden Retrievers, 10 Border Collies e 8 Pastores Alemães.

O objetivo dos cientistas era verificar se os cães tinham capacidade de selecionar as caixas contendo alimento, de acordo com a expressão facial do voluntário. Os animais foram testados em duas condições: uma em que os pesquisadores definiram como condição feliz-neutro e a outra condição feliz-nojo.

Na primeira situação, foram colocadas duas caixas com tampa sobre uma mesa, sendo que uma caixa continha comida, que provocava a reação de felicidade no voluntário, e na outra havia pedaços de madeira, que não provocava reação alguma no voluntário, ou seja, a reação era neutra. A partir das reações do voluntário, o cão tinha que escolher uma das duas caixas para pegar o alimento. O mesmo foi feito na segunda situação, sendo que uma caixa tinha comida e a outra tinha alho, que causava a reação de desgosto/nojo no voluntário.

Os pesquisadores tomaram bastante cuidado para garantir que os animais não se orientariam pelo olfato, e sim, unicamente, pela reação humana. Após os testes, os pesquisadores verificaram que, na maioria das vezes, os cães acabavam escolhendo a caixa cuja reação humana havia sido de felicidade.

A conclusão do grupo foi a de que os cães domésticos são capazes de identificar as expressões emocionais humanas para encontrar o alimento escondido. Eles parecem ligar sinais emocionais dos voluntários com os conteúdos das caixas e não as caixas em si.

A capacidade de os cães distinguirem os sinais emocionais foi mais evidente na situação feliz-nojo, pois existe uma dificuldade muito maior na distinção das expressões faciais de felicidade e de neutralidade, inclusive para outras espécies, como macacos e o próprio homem. Em contrapartida, as diferenças entre as expressões de felicidade e de nojo são muito mais pronunciadas.

Mais estudos precisam ainda ser feitos para descobrir como essa associação, entre a expressão humana de felicidade e a existência de alimento na caixa, é feita pelos animais.
Alemães desenvolveram uma pesquisa que sugere que os cães são capazes de interpretar as expressões faciais humanas para encontrar alimentos escondidos.

Pastor-alemão: uma das raças usadas no estudo
Que os cães são os melhores amigos do homem todo mundo já deve ter ouvido falar, mas uma novidade dessa relação entre cães e humanos foi publicada em setembro de 2012, no periódico internacional Animal Cognition.
 Segundo os pesquisadores alemães, os cães têm capacidade de decodificar as expressões faciais humanas. Eles utilizaram para esse trabalho 58 animais de raças diferentes, sendo: 20 Huskies Siberianos, 10 Labradores Retrievers, 10 Golden Retrievers, 10 Border Collies e 8 Pastores Alemães.
 O objetivo dos cientistas era verificar se os cães tinham capacidade de selecionar as caixas contendo alimento, de acordo com a expressão facial do voluntário. Os animais foram testados em duas condições: uma em que os pesquisadores definiram como condição feliz-neutro e a outra condição feliz-nojo.
Expressões emocionais do voluntário. a) Feliz, quando encontra a comida dentro da caixa; b) Nojo, quando encontra o alho; c) Neutro, quando encontra os pedaços de madeira. (Fonte: artigo original)
Na primeira situação, foram colocadas duas caixas com tampa sobre uma mesa, sendo que uma caixa continha comida, que provocava a reação de felicidade no voluntário, e na outra havia pedaços de madeira, que não provocava reação alguma no voluntário, ou seja, a reação era neutra. A partir das reações do voluntário, o cão tinha que escolher uma das duas caixas para pegar o alimento. O mesmo foi feito na segunda situação, sendo que uma caixa tinha comida e a outra tinha alho, que causava a reação de desgosto/nojo no voluntário.
 Os pesquisadores tomaram bastante cuidado para garantir que os animais não se orientariam pelo olfato, e sim, unicamente, pela reação humana. Após os testes, os pesquisadores verificaram que, na maioria das vezes, os cães acabavam escolhendo a caixa cuja reação humana havia sido de felicidade.
 A conclusão do grupo foi a de que os cães domésticos são capazes de identificar as expressões emocionais humanas para encontrar o alimento escondido. Eles parecem ligar sinais emocionais dos voluntários com os conteúdos das caixas e não as caixas em si.
 A capacidade de os cães distinguirem os sinais emocionais foi mais evidente na situação feliz-nojo, pois existe uma dificuldade muito maior na distinção das expressões faciais de felicidade e de neutralidade, inclusive para outras espécies, como macacos e o próprio homem. Em contrapartida, as diferenças entre as expressões de felicidade e de nojo são muito mais pronunciadas.

Mais estudos precisam ainda ser feitos para descobrir como essa associação, entre a expressão humana de felicidade e a existência de alimento na caixa, é feita pelos animais.