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domingo, 3 de agosto de 2014

Conheça a matemática recreativa e o paradoxo da área perdida

ImagemMuitos problemas matemáticos são estudados apenas porque são divertidos
Jogos e charadas deixam o ensino da disciplina mais interessante e atrativo
Quando estamos com uma pilha de lição de casa de matemática para fazer, ou quando aquele assunto novo tratado pelo seu professor parece impossível de entender, podemos nos esquecer de algo muito importante: como a matemática pode ser divertida. E ela pode, sim, ser fonte de diversão. 
Há todo um ramo da matemática voltado para problemas divertidos. Ele é chamado de matemática recreativa, que frequentemente envolve jogos e charadas. Muitos desses problemas têm alguma aplicação mais séria para outros ramos da matemática. Outros são apenas divertidos.
ImagemUm triângulo composto por seis partes
 Vamos conhecer um exemplo de uma charada da matemática recreativa? Ela é chamada de “paradoxo da área perdida”. Observe a imagem ao lado. Temos dois triângulos pequenos, dois triângulos maiores e duas figuras amarelas. Essas figuras se combinam para formar um triângulo grande de base 10 e altura 12.
ImagemRearranjando os componentes do triângulo, fica um espaço em branco no centro
 Imagine que rearranjemos a imagem de modo que os triângulos verdes fiquem em cima, como na imagem ao lado. Note que aconteceu algo muito estranho. Agora há dois quadradinhos no centro que estão em branco. Mas o triângulo resultante também tem base 10 e altura 12. Como isso é possível? De onde veio essa área extra?

Tente encontrar a solução antes de ler o próximo parágrafo.

A resposta é que, na verdade, o triângulo grande formado pelas seis partes não é um triângulo. Os triângulos verde e azul não têm hipotenusas com a mesma inclinação, eles não são triângulos equivalentes. O azul tem base 2 e altura 5, enquanto o verde tem base 3 e altura 7. As medidas dos lados desses triângulos não são proporcionais. Sendo assim, a linha que segue a hipotenusa do triângulo azul e a do verde não é uma linha reta. A consequência é que a área envolvida por essa linha na situação em que o azul está embaixo e o verde em cima é diferente da obtida com o azul em cima e o verde embaixo. A diferença de inclinação é pequena o suficiente para passar despercebida ao olharmos os objetos, mas é grande o suficiente para originar quadrados não preenchidos quando mudamos a configuração dos pedaços envolvidos.
 Gostou? Há muitos outros problemas como esse que são tratados pela matemática recreativa. Pesquise sobre o assunto, pois há muita coisa interessante sendo trabalhada nessa área. O Journal of Recreational Mathematics apresenta novos desenvolvimentos matemáticos nesse tipo de problema. É uma leitura recomendada.

domingo, 4 de maio de 2014

Nó na gravata: 177.147 maneiras de fazer o nó de uma gravata!



Você sabe como dar o nó de uma gravata de mais de uma maneira? Um time de matemáticos suecos apresentaram algumas opções. Em um trabalho recente, eles determinaram que há 177.147 maneiras diferentes de se fazer o nó de uma gravata.
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Os matemáticos vinham se perguntando quantas maneiras existem para se dar o nó em uma gravata
Em 1999, os pesquisadores Yong Mao e Thomas Fink começaram a estudar se havia um número finito de maneiras de se dar o nó em uma gravata e, em caso afirmativo, qual seria esse número. Eles desenvolveram um modelo matemático e chegaram à conclusão de que havia 85 maneiras.
 Já em 2014, o grupo de matemáticos liderado por Mikael Vejdemo-Johansson, do Instituto de tecnologia Real KTH de Estocolmo na Escócia, revisitou o problema e identificou que 85 maneiras era uma estimativa muito baixa.
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Pesquisadores identificaram que há, no total, 177.147 maneiras de se dar o nó em uma gravata
Vejdemo-Johansson notou que no filme Matrix Reloaded havia um nó de gravata que não se encontrava na lista de Mao e Fink. Isso o levou a estudar em mais detalhes o trabalho de Mao e Fink e a determinar que havia diversas possibilidades que não haviam sido levadas em conta. O modelo daqueles impunha algumas restrições como o número máximo de vezes que o tecido da gravata podia ser dobrado. Vejdemo-Johansson viu que se essas restrições fossem reduzidas, ainda seria possível conseguir nós de gravatas plausíveis.
Vejdemo-Johansson e seus colegas ajustaram os parâmetros do modelo de Mao e Fink e fizeram uma nova avaliação quanto ao número de possibilidades. Eles enumeraram os possíveis padrões de dobra e avaliaram as combinações desses padrões para ver quais levavam a nós plausíveis. O resultado encontrado corresponde a 177.147 maneiras de se dar um nó em uma gravata. Quem diria, há tantas possibilidades que mesmo usando um nó diferente a cada dia da sua vida ainda não seria possível experimentar todos eles!
O trabalho foi incluído em fevereiro de 2014 no banco de artigos científicos Arxiv.

domingo, 30 de junho de 2013

10 cientistas mais importantes de todos os tempos

Eles tiveram ideias e fizeram descobertas que transformaram o mundo. Seus pensamentos explicaram desde o funcionamento das forças que regem o cosmo até o que acontece no nosso corpo e mente. Graças a eles o ser humano conseguiu compreender e dominar muitos aspectos da natureza, de coisas que antes eram atribuídas à vontade de deuses ou demônios. Entre todos os cientistas que ao longo da história têm contribuído para isso alguns destacam-se por sua genialidade. Eles são os cientistas mais influentes de todos os tempos.
einstein
© istockphoto/Jose A.Santiso
Foi principalmente desde o fim da Idade Média que a humanidade começou a desenvolver uma concepção científica do mundo. Naqueles tempos, a ideia de que há leis na natureza que regem todos os fenômenos começou a se sobrepor a superstições e ao medo da magia. A matemática, que vinha se desenvolvendo desde o antigo Egito, foi a base das descobertas extraordinárias que começaram a acontecer. Os responsáveis por isso foram homens que usaram a ciência para iluminar os caminhos da civilização, com conquistas tecnológicas, médicas e sociais, entre outras, praticamente inimagináveis há apenas alguns séculos. Conheça nas páginas a seguir quem são dez dos mais influentes cientistas de todos os tempos, apresentados em ordem cronológica.

Nicolau Copérnico (1473-1543)

Nicolau Copérnico
© iStockphoto.com /GeorgiosArt
A partir de suas observações do céu a olho nu, pois a luneta ainda não havia sido inventada, o polonês Nicolau Copérnico fez uma descoberta que causou a primeira grande revolução em nossa concepção do universo. Estudioso de astronomia, matemática e medicina, ele escreveu "Sobre as Revoluções das Esferas Celestes", na qual afirmou que a Terra gira em torno de seu próprio eixo uma vez por dia e em torno do Sol uma vez por ano. Numa época em que os dogmas da então poderosa Igreja Católica afirmavam que a Terra ficava parada no espaço e era o centro do universo, a descoberta de Copérnico era fantástica e ousada. Sua concepção de heliocentrismo, ainda que imperfeita, pois previa órbitas circulares dos planetas em torno do Sol, quando na verdade elas são elípticas, iniciou um fabuloso processo de descobertas astronômicas e físicas nas décadas a seguir.

Galileu Galilei (1564-1642)


galileu galilei
© istockphoto.com / Steven Wynn
O italiano Galileu Galilei foi um dos primeiros a perceber como a matemática aplicada aos fenômenos naturais nos propicia um poder extraordinário para compreender o que acontece no cosmo. Algumas décadas depois de Copérnico ter concebido o sistema heliocêntrico, Galilei o confirmou após dedicar sua vida à pesquisa, à observação dos planetas, aos cálculos e ao aperfeiçoamento do telescópio. Além da concepção heliocêntrica, Galilei cometeria outra heresia ao contestar os pensamentos inquestionáveis de Aristóteles sobre o movimento. Mas foi sua afirmação de que a Terra, assim como os outros planetas conhecidos, giravam em torno do Sol que o levou ao tribunal da Santa Inquisição. Para escapar da morte na fogueira, Galilei assinou uma declaração na qual se considerava um pecador por tal afirmação. No entanto, após tê-la assinado, ele teria murmurado: "Mas ela gira".

Johannes Kepler (1571-1628)

Sol
Reprodução
Kepler mostrou que a órbita dos planetas ao redor do Sol é elíptica
Contemporâneo de Galileu Galilei, Kepler foi responsável por descobrir que a volta que os planetas dão em torno do Sol é elíptica e não circular como acreditavam Copérnico e Galilei. Sua dedicação à matemática euclidiana era tal que afirmou: "a geometria é Deus". O talento matemático do alemão Kepler o levou a trabalhar ao lado do nobre dinamarquês e matemático imperial Tycho Brahe. O dinamarquês possuía observações astronômicas muito mais precisas do que qualquer um naquela época e elas foram fundamentais para as conclusões de Kepler. O movimento orbital de Marte, observado por Brahe, levou Kepler a descobrir que as órbitas dos planetas em torno do Sol eram elípticas. E ele foi além. O alemão desenvolveu as três leis fundamentais dos movimentos planetários e com isso fundou a astronomia moderna.


 Isaac Newton (1642-1727)

Isaac Newton
© istockphoto.com / Steven Wynn
O legado de Copérnico, Galilei e Kepler foi fundamental para que o inglês Isaac Newton desenvolvesse suas ideias sobre gravitação universal, uma audaciosa suposição que mudou o destino da ciência. Ainda jovem, Newton desenvolveu o cálculo, uma das mais importantes áreas da matemática moderna, além de ter elaborado o conceito de força e a teoria mecânica. O cálculo possibilitou a Newton ter as técnicas necessárias para suas descobertas a respeito da gravidade. A primeira de suas três famosas leis diz que um corpo permanece em repouso ou em movimento uniforme ao longo de uma linha reta, a menos que sofra ação de uma força externa (lei da inércia). A segunda afirma que o efeito de uma força contínua sobre um corpo inicialmente em repouso ou em movimento uniforme é fazê-lo acelerar. E a terceira diz que se um corpo exerce uma força sobre o outro, o segundo exercerá ao mesmo tempo força oposta e da mesma intensidade sobre o primeiro. Newton, ao combinar teoria mecânica e matemática, explicou como o mundo funciona e como é possível calcular o que acontece nele.

 Antoine Lavoisier (1743-1794)

Antoine Lavoisier
© iStockphoto.com /HultonArchive
Apesar de cursar direito na faculdade, eram as aulas de ciência que interessavam ao nobre francês Antoine Lavoisier. Foi esse interesse que o levou a escrever "Tratado Elementar da Química", obra que marcou a fundação da química moderna. Sua contribuição mais famosa e importante é a lei da conservação da matéria, na qual afirma que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. O cientista foi responsável também por elaborar a nomenclatura das substâncias químicas e pela descoberta de que a água é uma substância composta, formada por hidrogênio e oxigênio, uma afirmação que contrariava um dos princípios aristotélicos até então em vigor, que pressupunha que a água era uma substância impossível de se decompor. Ligado à nobreza e ao governo monárquico, Lavoisier foi morto na guilhotina durante a Revolução Francesa.

 Charles Darwin (1809-1882)

Darwin
Reprodução
Antes dele, a ciência já havia mostrado que a Terra não era o centro do universo. Com as descobertas de Charles Darwin um novo e definitivo golpe foi desferido nos dogmas religiosos e nos mitos de criação divina do cosmo e do ser humano. Se dependesse de seu pai, Darwin teria concluído os cursos de medicina ou teologia, mas o interesse do inglês por botânica o fez embarcar na expedição que o navio HSM Beagle fez para a América do Sul, numa missão de pesquisa científica. Foi durante essa viagem que ele fez as observações que o levariam a desenvolver a revolucionaria teoria da evolução das espécies. Suas conclusões mostravam que a humanidade era somente um passo a mais num processo evolutivo de sobrevivência e de seleção natural. Até hoje a ideia de que o homem descende do macaco é a mais ousada já desenvolvida pela ciência. A revolução que colocava o ser humano no seu devido lugar no universo, iniciada por Copérnico, estava concluída com a publicação de “Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural”, de Charles Darwin.

 Louis Pasteur (1822-1895)

Louis Pasteur
© iStockphoto.com /Ken Brown
Sua descoberta da ação dos microorganismos teve impactante consequência tanto na química como na medicina. O francês Louis Pasteur ao investigar os processos de fermentação do vinho e da cerveja descobriu que eles ocorriam devido a ação de microorganismos que se encontram no ar. Isso o fez compreender que os microorganismos eram responsáveis também por moléstias contagiosas. As descobertas de Pasteur o levaram a criar métodos para evitar a ação desses nocivos agentes externos tanto nos alimentos, com a criação do processo de pasteurização, como nos seres humanos, com o desenvolvimento de medidas profiláticas na medicina e a criação das vacinas, como a anti-rábica. A contribuição de Pasteur possibilitou estabelecer uma nova e melhor perspectiva de vida para a humanidade.
 
Sigmund Freud (1856-1939)

The Mind of Freud
Reprodução
No final do século 19, o homem já conhecia bastante sobre o funcionamento do universo e do corpo humano. Mas não sabia muito sobre a principal ferramenta que utilizava nessas descobertas: a mente. Graças às investigações científicas experimentais de um médico neurologista austríaco isso mudou radicalmente. Sigmund Freud desenvolveu um conjunto de teorias e práticas clínicas para compreender os problemas mentais que nos afligem. O resultado foi a criação da psicanálise, ao mesmo tempo campo de estudo e tratamento que mostram que são fatores psicológicos e não orgânicos os causadores de muitos males que acometem a mente humana. O desenvolvimento da psicanálise por Freud possibilitou o tratamento de uma série de desordens mentais, como histerias, neuroses e depressões. Suas descobertas e pensamentos influenciaram boa parte da produção intelectual, das ciências humanas às artes, desde o início do século 20.
 

Albert Einstein (1879-1955)


einstein
Imagem cedida 2006 SmugMug, Inc.
Quando Albert Einstein nasceu fazia quase dois séculos que Isaac Newton havia provado que tempo e espaço eram absolutos e não tinham nenhuma relação com coisas exteriores. Desde então acreditava-se que o tempo fluía de modo equitativo e o espaço permanecia sempre semelhante e inamovível. Essas certezas cairiam por terra com as ideias de Einstein. O cientista alemão supôs que não há nada que se possa chamar de movimento absoluto. Segundo Einstein, toda velocidade é relativa ao referencial específico que a define. Assim, se há movimento relativo, o tempo e o espaço se tornam relativos e o tempo é tão intrinsecamente ligado ao espaço que se torna uma quarta dimensão dele. Com sua Teoria da Relatividade, Einstein provocou uma revolução na nossa visão sobre o universo. Suas ideias anunciaram o fim da física clássica e o início da era da física quântica e da energia nuclear.

Niels Bohr (1885-1962)

Nesta simples imagem de um átomo, é possível ver os elétrons existentes em órbitas separadas como Bohr imaginou.
© How Stuff Works
Nesta simples imagem de um átomo,
é possível ver os elétrons existentes em órbitas separadas como Bohr imaginou
Ele solucionou um dos maiores enigmas da ciência: o da estrutura atômica. E fez isso ao usar um então inovador campo do conhecimento científico: a física quântica. O dinamarquês Niels Bohr, ganhador do Nobel de Física de 1922, começou suas revolucionárias descobertas ainda jovem. Quando estudava na Universidade de Copenhague, Bohr compreendeu em um de seus experimentos que as regras da física clássica não se aplicavam aos níveis subatômicos. Segundo ele, para entender o que acontecia dentro de um átomo, era necessário desenvolver uma nova física. Ao aplicar a teoria quântica do alemão Max Planck, Bohr mostrou que ela era essencial para explicar os fenômenos subatômicos. Suas descobertas levaram ao desenvolvimento da mecânica quântica e à precisa explicação do que acontecia numa fissão nuclear.

 Sílvio Anaz

Uma guerra desnecessária

Artigo de capa da CH de junho traz discussão sobre ciência e religião. Para autores, a tese do conflito entre essas distintas construções humanas deve-se a uma compreensão limitada da racionalidade e do pensamento humano.                          
Uma guerra desnecessária
Ciência e religião: duas práticas importantes de nossa cultura, fundamentadas em bases diferentes e com explicações diversas sobre o mundo. Após uma longa história de conflitos, seria possível uma conciliação? (foto: Sxc.hu/ MG_FX)
Ciência e religião são duas práticas importantes de nossa cultura. Elas orientam e organizam o mundo em que vivemos, fornecendo explicações sobre sua estrutura e seu funcionamento. Por se fundamentarem em bases diferentes, ou por explicarem o mundo de forma diversa, essas duas tradições, segundo se divulga, sempre estiveram em guerra e o fiel da balança deveria pesar a favor de uma ou de outra. Ou seja, se uma está certa, a outra deveria estar, necessariamente, errada.
Ao longo da história, as duas tradições mantiveram relações complexas e, às vezes, dolorosas
No entanto, as coisas não são tão simples. Ao longo da história, as duas tradições mantiveram relações complexas e, às vezes, dolorosas. Na tentativa de organizar o debate e suas formas de ocorrência, são apontadas diferentes categorias das relações entre ciência e religião.
A mais bem conhecida é fornecida pelo norte-americano Ian Barbour, físico e filósofo da ciência que identificou quatro grupos principais: conflito, independência, diálogo e integração.

Do conflito à integração

Segundo a tese do conflito, ciência e religião são mutuamente excludentes e inerentemente incompatíveis. Essa abordagem, que cria uma forte e espessa barreira entre ciência e religião, é defendida por aqueles que propõem que a posse da verdade encontra-se de um lado ou de outro.
São exemplos de defensores dessa postura cientistas como o inglês (nascido no Quênia) Richard Dawkins, o francês Jacques Monod (1910-1976) e o norte-americano Steven Weinberg, bem como fundamentalistas que interpretam a Bíblia literalmente.
Cavalos xadrez
Há diferentes teses sobre as relações entre ciência e religião. A do conflito, defendida por cientistas como o inglês Richard Dawkins, propõe que estas são mutuamente excludentes e inerentemente incompatíveis. (foto: Dave Edmonds/ Sxc.hu)
A tese da independência também mantém uma forte separação entre ciência e religião, afirmando que essas tradições constituem esferas diferentes que não teriam nada a dizer uma sobre a outra. Para teólogos e filósofos como o suíço Karl Barth (1886-1968), o alemão Rudolf Bultmann (1884-1976) e o norte-americano (nascido na China) George Lindbeck, e biólogos como o norte-americano Stephen Jay Gould (1941-2002), as duas têm diferentes métodos, temas e linguagens que simplesmente não competem e, por isso, deveriam ser vistas como duas diferentes jurisdições: uma não deveria interferir nos assuntos da outra.
O diálogo, terceira categoria proposta por Barbour, delineia interações indiretas e fronteiras menos rígidas entre ciência e religião. Nesse caso, afirma-se que as descobertas científicas não necessitam de crenças religiosas, mas os avanços científicos ajudam a religião a encontrar suas respostas, e disso resulta o diálogo.
O diálogo, terceira categoria proposta por Barbour, delineia interações indiretas e fronteiras menos rígidas entre ciência e religião
Como exemplo, pode-se citar o uso que teólogos fazem do conhecimento astronômico e cosmológico para mostrar que as condições iniciais do universo podem apontar para um ato de criação divina. São defensores do diálogo pensadores como os alemães Wolfhardt Pannenberg e Karl Rahner (1904-1984), o húngaro Michael Polanyi (1891-1976) e o espanhol, radicado nos Estados Unidos, Francisco J. Ayala.
Finalmente, existe a tese de que é possível estabelecer algum tipo de integração entre ciência e religião. Aqui os limites que separam os dois campos são muito frágeis. Um exemplo da tentativa de integração seria a chamada ‘teologia natural’, que argumenta que as evidências da existência de Deus se baseiam inteiramente na razão humana e não na revelação histórica ou na experiência religiosa.
Por exemplo, a complexidade do olho humano indicaria que ele foi planejado para exercer uma determinada função e, por tanto, apontariam para a existência de um planejador – no caso, Deus. Entre os defensores dessa tese encontramos pensadores como o filósofo cristão inglês William Paley (1743-1805), o padre francês Teilhard de Chardin (1881-1955), o reverendo inglês Arthur Pea cocke (1924-2006) e o próprio Ian Barbour.
Por: Francisco Ângelo Coutinho e Fábio Augusto Rodrigues e Silva  

Tudo pelo vintém

Manifestantes lutam pela redução do preço das passagens – e outros motivo

No jornal, eis a notícia que se lia: “Quem esbanja os dinheiros públicos não somos nós, não é o povo em cima de cujos ombros descarregam todo o peso dos impostos. O povo deve tomar uma atitude enérgica. É uma questão de dignidade. Convém que o povo ajude aos homens de critério a opor um dique à onda que nos quer absorver.”
O dia seguinte viu a multidão protestando nas ruas. No Rio de Janeiro, o povo se concentrou em frente à casa do governante. Entregaram a ele uma petição, exigindo a redução do preço da passagem dos transportes da cidade. A polícia estava por toda parte. Ninguém podia se aproximar do palácio.
Ilustração publicada no jornal O Mequetrefe representa as manifestações populares conhecidas como Revolta do Vintém, reprimidas com a ajuda do exército (Foto: Hemeroteca Digital Brasileira / Biblioteca Nacional)
Ilustração publicada no jornal O Mequetrefe representa as manifestações populares conhecidas como Revolta do Vintém, reprimidas com a ajuda do exército (Foto: Hemeroteca Digital Brasileira / Biblioteca Nacional)

Nos dias que se seguiram, os protestos aumentaram. A multidão, concentrada no Largo de São Francisco, recusava-se a pagar a taxa. A polícia, desta vez, pediu reforços ao exército e dispersou a população, de uma maneira que os jornais consideraram, no mínimo, desastrada.
Se você acha que a nossa máquina do tempo desta vez ficou no presente, errou! A notícia acima foi publicada no jornal O Mequetrefe, em 27 de dezembro de 1879. A multidão se concentrou no Palácio São Cristóvão, residência do imperador D. Pedro II, no dia 28 de dezembro. E, no dia 1 de janeiro de 1880, tendo perdido o controle da multidão, a liderança do movimento pedia ajuda à polícia.
Era a Revolta do Vintém, chamada assim porque o preço da passagem do bonde seria aumentada em um vintém, 20 réis, a moeda de menor valor do Império. Qualquer semelhança com a nossa revolta atual é mera coincidência. Ou não?
Em 2013, os protestos se espalharam por várias cidades do Brasil, reivindicando não só melhorias no transporte, como também em outras áreas de gestão pública. Na foto, manifestantes no Congresso Nacional, em Brasília (Foto: Jose Cruz / Agência Brasil / CC BY 3.0 BR)
Em 2013, os protestos se espalharam por várias cidades do Brasil, reivindicando não só melhorias no transporte, como também em outras áreas de gestão pública. Na foto, manifestantes no Congresso Nacional, em Brasília (Foto: Jose Cruz / Agência Brasil / CC BY 3.0 BR)

Tanto nos protestos do século 19 quanto nas manifestações que tomaram o Brasil nas últimas semanas, os motivos são os mesmos: aumento do preço da passagem do transporte urbano, que afeta toda a população. Alem disso, se, hoje em dia, os protestos mostram a insatisfação do povo com a baixa qualidade dos serviços públicos, naquela época eles também tinham relação com o aumento dos impostos, que atingia de grandes proprietários a funcionários públicos. Foi, no dizer do historiador José Murilo de Carvalho, “uma grande explosão social, detonada por um pobre vintém”.
Quem estuda história não tem bola de cristal, mas sabe que sempre se aprende com o passado: O Mequetrefe publicou que “não fazemos questão do vintém pelo vintém em si; o governo, contando com a atitude submissa do povo, é que se atreve a tanto. Não devemos, pois, pagar o vintém”. Naquela ocasião, o governo voltou atrás, e anulou o aumento.
Fossem atentos à atitude do povo, talvez os governantes de hoje tivessem pensado duas vezes antes de aumentar o preço das passagens dos transportes públicos. Agora é tarde. As passagens já voltaram ao valor antigo, mas, a julgar pelo calor das manifestações, o que não falta é motivo para a população protestar.

domingo, 16 de junho de 2013

Augusto Comte e o efervescente século XIX

 
Nos dias de hoje, os desdobramentos das ciências se fazem presentes em praticamente todas as esferas da vida humana. É difícil identificar ao menos uma atividade ou área de nossas vidas que, ao longo dos tempos, tenha permanecido totalmente intocada pelas transformações impulsionadas pelas investigações científicas. A alimentação, o transporte, o entretenimento e a reprodução, por exemplo, são apenas algumas das muitas áreas que, de uma forma ou de outra, se fizeram transformar radicalmente pelas ciências. No mundo agrícola, pesquisas têm descoberto espécies mais resistentes a pragas e a condições climáticas adversas. Os veículos vêm se beneficiando cada vez mais da melhoria dos combustíveis e de evoluções aerodinâmicas expressivas. Nos lares, a Internet e os video games revolucionaram a maneira como as pessoas se divertem. Técnicas de fertilização in vitro permitem a casais outrora inférteis conceberem seus próprios filhos. E, uma vez que o óvulo fertilizado fora do corpo humano é implantado no útero materno, seu desenvolvimento pode ser acompanhado por meio de exames de imagem sofisticados desde os primeiros meses de gestação. Atualmente, portanto, a ciência parece ter se tornado onipresente, dando seguimento a uma relação que começou a se intensificar no século XIX.
Nesse século, a ciência dava origem a invenções que impulsionavam uma série de transformações na sociedade. Em 1804, por exemplo, Richard Trevithick inventou a locomotiva a vapor. Um dos mais ilustres passageiros desse revolucionário meio de transporte foi Sigmund Freud, que, no final do mesmo século, escreveu sobre a histeria e se aventurou na interpretação dos sonhos. Poucos anos antes, “A Origem das Espécies”, publicada em 1859 por Charles Darwin, apresentou ao mundo a teoria da evolução. Na mesma década, Heinrich Göbel criou a primeira lâmpada incandescente – patenteada por Thomas Edison na década de 1880. Em 1854, Antonio Meucci criou o telefone. Em 1846, William Morton inventou a anestesia, tão cara para as ciências médicas até os dias de hoje. Quarenta anos mais tarde, William Hesketh Lever inventou outro bem precioso para a saúde humana, o sabonete. E, pouco antes desse profícuo século se encerrar, os irmãos Lumière presentearam o mundo com a fantástica invenção do projetor cinematográfico.

Em meio a essa grande efervescência criativa e antecipando as expressivas descobertas e avanços que estavam por vir, Augusto Comte concluiu que a ciência havia chegado ao seu estado perfeito, o estado positivo. Para o pensador francês, a ciência evoluía seguindo três estágios: o teológico, o metafísico e o positivo.

Comte defendia que, no estado teológico, o ser humano, ao estudar os fenômenos da natureza, os entende como tendo sido produzidos pela ação direta e contínua de agentes sobrenaturais, como os deuses e os demônios, por exemplo. Nesse estado, a arbitrária intervenção desses seres explicaria todas as transformações que ocorrem no universo. O estado metafísico, segundo Comte, seria apenas uma modificação geral do primeiro estado. Nele, os agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas, como, por exemplo, as noções aristotélicas de causa primeira e de lugar natural. Essas forças abstratas seriam concebidas como verdadeiras entidades sobrenaturais capazes de agir sobre a natureza e produzir os fenômenos que tanto nos fascinam, como, por exemplo, o simples fato de que certos objetos caem quando soltos no ar.

Já no estado positivo, Comte acreditava que a ciência havia superado as primitivas concepções religiosas e filosóficas que caracterizam, respectivamente, os estados teológico e metafísico. Desse modo, a ciência renunciaria à busca pela origem e destino do universo, para se dedicar apenas à descoberta, pelo uso bem combinado do raciocínio e da observação, das leis efetivas dos fenômenos que regem a natureza – caso, por exemplo, das famosas leis de Newton, que descrevem o comportamento de corpos em movimento. Otimista em relação à evolução da ciência, Comte chegou a propor a criação de uma religião ateísta, com cerimônias e rituais próprios e contando até mesmo com um calendário de santos seculares, dentre os quais figuravam nomes como o de Homero, Adam Smith, Aristóteles, Descartes e Shakespeare
Em 1804, Richard Trevithick inventou a locomotiva a vapor
Nos dias de hoje, os desdobramentos das ciências se fazem presentes em praticamente todas as esferas da vida humana. É difícil identificar ao menos uma atividade ou área de nossas vidas que, ao longo dos tempos, tenha permanecido totalmente intocada pelas transformações impulsionadas pelas investigações científicas. A alimentação, o transporte, o entretenimento e a reprodução, por exemplo, são apenas algumas das muitas áreas que, de uma forma ou de outra, se fizeram transformar radicalmente pelas ciências. No mundo agrícola, pesquisas têm descoberto espécies mais resistentes a pragas e a condições climáticas adversas. Os veículos vêm se beneficiando cada vez mais da melhoria dos combustíveis e de evoluções aerodinâmicas expressivas. Nos lares, a Internet e os video games revolucionaram a maneira como as pessoas se divertem. Técnicas de fertilização in vitro permitem a casais outrora inférteis conceberem seus próprios filhos. E, uma vez que o óvulo fertilizado fora do corpo humano é implantado no útero materno, seu desenvolvimento pode ser acompanhado por meio de exames de imagem sofisticados desde os primeiros meses de gestação. Atualmente, portanto, a ciência parece ter se tornado onipresente, dando seguimento a uma relação que começou a se intensificar no século XIX.
 Nesse século, a ciência dava origem a invenções que impulsionavam uma série de transformações na sociedade. Em 1804, por exemplo, Richard Trevithick inventou a locomotiva a vapor. Um dos mais ilustres passageiros desse revolucionário meio de transporte foi Sigmund Freud, que, no final do mesmo século, escreveu sobre a histeria e se aventurou na interpretação dos sonhos. Poucos anos antes, “A Origem das Espécies”, publicada em 1859 por Charles Darwin, apresentou ao mundo a teoria da evolução. Na mesma década, Heinrich Göbel criou a primeira lâmpada incandescente – patenteada por Thomas Edison na década de 1880. Em 1854, Antonio Meucci criou o telefone. Em 1846, William Morton inventou a anestesia, tão cara para as ciências médicas até os dias de hoje. Quarenta anos mais tarde, William Hesketh Lever inventou outro bem precioso para a saúde humana, o sabonete. E, pouco antes desse profícuo século se encerrar, os irmãos Lumière presentearam o mundo com a fantástica invenção do projetor cinematográfico.
Otimista em relação à evolução da ciência, Comte chegou a propor a criação de uma religião ateísta
Em meio a essa grande efervescência criativa e antecipando as expressivas descobertas e avanços que estavam por vir, Augusto Comte concluiu que a ciência havia chegado ao seu estado perfeito, o estado positivo. Para o pensador francês, a ciência evoluía seguindo três estágios: o teológico, o metafísico e o positivo.
Comte defendia que, no estado teológico, o ser humano, ao estudar os fenômenos da natureza, os entende como tendo sido produzidos pela ação direta e contínua de agentes sobrenaturais, como os deuses e os demônios, por exemplo. Nesse estado, a arbitrária intervenção desses seres explicaria todas as transformações que ocorrem no universo. O estado metafísico, segundo Comte, seria apenas uma modificação geral do primeiro estado. Nele, os agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas, como, por exemplo, as noções aristotélicas de causa primeira e de lugar natural. Essas forças abstratas seriam concebidas como verdadeiras entidades sobrenaturais capazes de agir sobre a natureza e produzir os fenômenos que tanto nos fascinam, como, por exemplo, o simples fato de que certos objetos caem quando soltos no ar.
Já no estado positivo, Comte acreditava que a ciência havia superado as primitivas concepções religiosas e filosóficas que caracterizam, respectivamente, os estados teológico e metafísico. Desse modo, a ciência renunciaria à busca pela origem e destino do universo, para se dedicar apenas à descoberta, pelo uso bem combinado do raciocínio e da observação, das leis efetivas dos fenômenos que regem a natureza – caso, por exemplo, das famosas leis de Newton, que descrevem o comportamento de corpos em movimento. Otimista em relação à evolução da ciência, Comte chegou a propor a criação de uma religião ateísta, com cerimônias e rituais próprios e contando até mesmo com um calendário de santos seculares, dentre os quais figuravam nomes como o de Homero, Adam Smith, Aristóteles, Descartes e Shakespeare. 

domingo, 19 de maio de 2013

Horta que ensina

                 
Biólogos ensinam sustentabilidade por meio da produção de hortas em garrafas de plástico. Além de facilitar a aprendizagem do tema, o projeto permite que os alunos promovam atitudes sustentáveis nas comunidades onde vivem.
Por: Mariana Rocha
Publicado em 15/05/2013 | Atualizado em 15/05/2013
Horta que ensina
Os alunos reutilizaram garrafas de plástico para criar hortas. O projeto ajuda no ensino da sustentabilidade, que, apesar de fazer parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais, ainda é pouco discutida em sala de aula. (foto: Débora Baldivia)
Garrafas de plástico, sementes e um pouco de terra. É com esse material que um grupo de biólogos buscou ensinar o tema sustentabilidade para alunos da Escola Municipal Armando Campos Belo, em Dourados, Mato Grosso do Sul. Por meio da construção de uma horta móvel, a equipe mostrou na prática conceitos ainda pouco trabalhados em sala de aula.
A ideia surgiu durante a disciplina ‘Sustentabilidade Ambiental’, do programa de pós-graduação em Biologia Geral/Bioprospecção da Universidade Federal da Grande Dourados, onde a equipe – formada por Bruno do Amaral Crispim, Débora da Silva Baldivia, Kátia Ávila Antunes e Vânia Tomazelli de Lima – realiza mestrado. “A proposta era fazer algo relacionado à sustentabilidade, então decidimos ir à escola e preparar uma horta móvel com os alunos do 8° ano do ensino fundamental”, explica Débora Baldivia.
Antes do preparo da horta, a equipe aplicou um questionário para descobrir o que os alunos já sabiam sobre sustentabilidade. “Apesar de fazer parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais, o tema ainda é pouco discutido em sala de aula”, comenta Débora. “Os alunos achavam, por exemplo, que reciclar e reutilizar tinham o mesmo significado”, completa Kátia Antunes.
Para ajudar a esclarecer esse tipo de questão, a equipe promoveu uma palestra sobre assuntos como reutilização, reciclagem e coleta seletiva, entre outros temas relacionados à sustentabilidade ambiental. Em seguida, cada aluno foi incentivado a preparar sua própria horta a partir de um procedimento simples. “Os alunos fizeram cortes transversais e verticais em garrafas vazias de refrigerante, fizeram pequenos furos para drenar a água, adicionaram terra vegetal e distribuíram nela sementes de hortaliças”, conta Débora, que se inspirou na horta vertical projetada pelo arquiteto Marcelo Rosenbaum.
Horta móvel
Além de auxiliar no ensino da sustentabilidade, a horta móvel pode influenciar as atitudes dos alunos em relação aos cuidados com a vida e estimular a promoção de práticas sustentáveis nas comunidades onde vivem. (foto: Débora Baldivia)
Após a produção da horta, os alunos escolheram um local da escola para abrigar as pequenas plantações e ficaram responsáveis por regá-las todos os dias. A equipe decidiu, então, ao final do projeto, reaplicar o questionário para saber se a palestra e a produção da horta móvel ampliaram os conhecimentos dos alunos sobre o tema.
Segundo Kátia, além de mostrar que sabiam mais sobre o assunto, os alunos passaram a associar a escola a um lugar onde se aprende sustentabilidade. “No primeiro questionário, apenas 5% dos alunos disseram ter ouvido falar sobre sustentabilidade na escola, enquanto no segundo essa taxa subiu para 80%”, explica a bióloga.

Além da escola

A equipe acredita que a produção da horta móvel não se limita a ensinar o tema na escola. Segundo Bruno Crispim, os alunos podem difundir o que aprenderam na comunidade onde vivem e produzir sua própria horta em casa. “Eles agora têm uma consciência maior sobre a temática e podem criar não só a horta de garrafa de plástico, mas outros produtos que reutilizem o que era considerado lixo anteriormente”, acrescenta.
No fim do projeto, cada aluno levou sua horta para casa e continuou cuidando das hortaliças. “Eles ficaram muito empolgados durante o preparo da horta. Acredito que o projeto também ajudou a criar neles a responsabilidade de cuidar da horta e influenciou suas atitudes em relação aos cuidados com a vida”, conclui Débora.

Mariana RochaCiência Hoje On-line
 
 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A saúde no Brasil Colônia

 
Amplamente considerada a Certidão de Nascimento do Brasil, a famosa carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei Dom Manuel entre 26 de abril e 2 de maio de 1500 descreve com admiração a terra recém-descoberta:
 
Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados (...). Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!
 
Nessa mesma linha, os primeiros registros sobre as terras e os indígenas encontrados pelo navegador Pedro Álvares Cabral davam a ideia de um paraíso terreno. Do ponto de vista dos primeiros colonos, a beleza e a imponência das paisagens, a fartura de alimentos, a pureza das águas e o clima ameno combinavam com a saúde dos nativos. Ainda traumatizados com a Peste Negra, que, um século e meio antes do descobrimento, havia causado a morte de aproximadamente 50 milhões de pessoas, os europeus viam os índios brasileiros como robustos e ágeis, alheios às mortais enfermidades que ceifavam tantas vidas na Europa. Porém, esse forte encantamento que marcou a descrição das primeiras imagens do Brasil durou pouco.
 
Se, no século XVI, os primeiros marinheiros que retornavam a Portugal descreviam o Brasil como um paraíso. No século seguinte, a colônia portuguesa na América passou a ser identificada com o inferno. Aqui, os colonizadores brancos e os escravos africanos tinham poucas chances de sobrevivência. Os nativos também foram dizimados por doenças trazidas pelos europeus e com as quais ainda não haviam tido contato. Foram os casos, especialmente, da varíola, do sarampo e da gripe, que, juntas, foram responsáveis por dizimar números expressivos de índios.
 
Diante do dilema sanitário que colocava em xeque o projeto português de colonização e exploração econômica das terras brasileiras, o Conselho Ultramarino Português, órgão responsável por administrar as colônias, instituiu, ainda no século XVI, os cargos de cirurgião-mor e físico-mor. No entanto, incumbidas de zelar pela saúde da população sob domínio lusitano, essas funções permaneceram sem ocupantes no Brasil durante muito tempo. Raramente algum médico aceitava transferir-se para a colônia, dados os perigos que teria de enfrentar e os baixos salários que lhe seriam pagos.

Os riscos da viagem ao Brasil
 
A própria viagem ao Brasil era uma aventura de grande risco. As viagens realizadas pelas barcas, caravelas, naus e galeões que partiam de Lisboa duravam seis meses de um continente a outro, mas, dependendo do caso, podia decorrer até um ano e meio. Nas embarcações, o espaço era exíguo, amontoando-se pessoas, cargas e animais vivos. Extremamente desconfortáveis, insalubres e perigosos, de cada três navios que zarpavam de Portugal naquela época, um afundava. Vítimas de naufrágios, motins, ataques piratas, doenças, infestações e conflitos com os nativos dos locais visitados, cerca de 40% da tripulação morriam ao longo das viagens. Ocorriam, ainda, frequentes casos de depressão e de outras doenças psiquiátricas entre a tripulação e os passageiros, geradas, em sua maioria, pelas péssimas condições de vida nas embarcações e pelo isolamento da família e dos amigos.
A bordo dos navios, os sobreviventes ainda tinham de lidar com o insuportável mau cheiro e as acomodações precárias. As condições sanitárias estavam longes do ideal. A ideia de tomar banho, por exemplo, sequer se colocava. Os passageiros mais ricos faziam suas necessidades em penicos, que, depois, eram despejados no mar por seus encarregados. Já os mais pobres não tinham outra alternativa senão aliviar-se à frente de toda a gente, diretamente no mar, debruçando-se numa beira do navio, sob o alto risco de cair na água conforme a embarcação chacoalhava. A falta de higiene era causa de inúmeras doenças e mortes. Havia enorme carência de gêneros alimentares frescos. A carne e demais alimentos armazenados de maneira imprópria deterioravam rapidamente, levando à fome. A falta de água doce era outro terrível problema, já que a água do mar é inadequada para o consumo. A verdade é que as embarcações raramente portavam a quantidade ideal de comida, o que estimulava um mercado negro a bordo. Os oficiais mais graduados controlavam o negócio, e vendiam os alimentos disponíveis a quem pagasse mais. Aqueles que não tinham dinheiro, situação da maioria, se viravam à custa da caça de ratos e baratas, que infestavam os navios.
 
Médicos, religiosos e curandeiros
 
No ano de 1746, existia, ao todo, apenas seis médicos graduados em universidades europeias atuando nos territórios dos atuais estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e São Paulo. Os poucos profissionais que atuavam no país enfrentavam uma grande variedade de dificuldades. O território era imenso e o transporte, ineficiente. A população, em sua grande maioria, era bastante pobre e não tinha condições de pagar pela consulta. Além disso, o povo temia submeter-se aos tratamentos médicos. Na época, grande parte desses tratamentos empregava purgantes e sangrias, intervenções que frequentemente enfraqueciam os pacientes e causavam a morte daqueles em estado mais grave.
 
Nesse quadro, em vez de recorrer aos médicos de formação europeia, a população colonial, rica ou pobre, preferia utilizar os remédios indicados pelos curandeiros negros ou indígenas. Enquanto os boticários (espécie de farmacêuticos), físicos-mor e cirurgiões-mor eram raros e caros, os remédios populares e o curandeirismo estavam acessíveis a toda a população. A escassez de médicos, o alto preço das drogas e dos remédios oriundos de Portugal e do Oriente, bem como sua frequente deterioração nos navios e nos portos, também motivaram religiosos da Companhia de Jesus a se voltarem para os variados recursos naturais disponíveis no território brasileiro e para os saberes dos indígenas.
Nesse contexto, eles somaram-se aos curandeiros negros e indígenas na árdua tarefa de cuidar da saúde da população, mantendo em seus colégios boticas e enfermarias, além de terem atuado informalmente como físicos, sangradores e até cirurgiões. 
Os primeiros registros sobre as terras e os indígenas encontrados pelo navegador Pedro Álvares Cabral davam a ideia de um paraíso terreno. Do ponto de vista dos primeiros colonos, a beleza e a imponência das paisagens, a fartura de alimentos, a pureza das águas e o clima ameno combinavam com a saúde dos nativos. A pintura acima é de Victor Meireles e ilustra a primeira missa realizada no Brasil, em 26 de abril de 1500
Amplamente considerada a Certidão de Nascimento do Brasil, a famosa carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei Dom Manuel entre 26 de abril e 2 de maio de 1500 descreve com admiração a terra recém-descoberta:
 “Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados (...). Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!
 Nessa mesma linha, os primeiros registros sobre as terras e os indígenas encontrados pelo navegador Pedro Álvares Cabral davam a ideia de um paraíso terreno. Do ponto de vista dos primeiros colonos, a beleza e a imponência das paisagens, a fartura de alimentos, a pureza das águas e o clima ameno combinavam com a saúde dos nativos. Ainda traumatizados com a  Peste Negra, que, um século e meio antes do descobrimento, havia causado a morte de aproximadamente 50 milhões de pessoas, os europeus viam os índios brasileiros como robustos e ágeis, alheios às mortais enfermidades que ceifavam tantas vidas na Europa. Porém, esse forte encantamento que marcou a descrição das primeiras imagens do Brasil durou pouco.
 
Se, no século XVI, os primeiros marinheiros que retornavam a Portugal descreviam o Brasil como um paraíso. No século seguinte, a colônia portuguesa na América passou a ser identificada com o inferno. Aqui, os colonizadores brancos e os escravos africanos tinham poucas chances de sobrevivência. Os nativos também foram dizimados por doenças trazidas pelos europeus e com as quais ainda não haviam tido contato. Foram os casos, especialmente, da varíola, do sarampo e da gripe, que, juntas, foram responsáveis por dizimar números expressivos de índios.
 
Diante do dilema sanitário que colocava em xeque o projeto português de colonização e exploração econômica das terras brasileiras, o Conselho Ultramarino Português, órgão responsável por administrar as colônias, instituiu, ainda no século XVI, os cargos de cirurgião-mor e físico-mor. No entanto, incumbidas de zelar pela saúde da população sob domínio lusitano, essas funções permaneceram sem ocupantes no Brasil durante muito tempo. Raramente algum médico aceitava transferir-se para a colônia, dados os perigos que teria de enfrentar e os baixos salários que lhe seriam pagos.
O quadro "O Cirurgião Negro", de Debret, ilustra a aplicação da medicina popular por negros nas ruas do Rio de Janeiro, no início do século XIX
Os riscos da viagem ao Brasil
 
A própria viagem ao Brasil era uma aventura de grande risco. As viagens realizadas pelas barcas, caravelas, naus e galeões que partiam de Lisboa duravam seis meses de um continente a outro, mas, dependendo do caso, podia decorrer até um ano e meio. Nas embarcações, o espaço era exíguo, amontoando-se pessoas, cargas e animais vivos. Extremamente desconfortáveis, insalubres e perigosos, de cada três navios que zarpavam de Portugal naquela época, um afundava. Vítimas de naufrágios, motins, ataques piratas, doenças, infestações e conflitos com os nativos dos locais visitados, cerca de 40% da tripulação morriam ao longo das viagens. Ocorriam, ainda, frequentes casos de depressão e de outras doenças psiquiátricas entre a tripulação e os passageiros, geradas, em sua maioria, pelas péssimas condições de vida nas embarcações e pelo isolamento da família e dos amigos.
A bordo dos navios, os sobreviventes ainda tinham de lidar com o insuportável mau cheiro e as acomodações precárias. As condições sanitárias estavam longes do ideal. A ideia de tomar banho, por exemplo, sequer se colocava. Os passageiros mais ricos faziam suas necessidades em penicos, que, depois, eram despejados no mar por seus encarregados. Já os mais pobres não tinham outra alternativa senão aliviar-se à frente de toda a gente, diretamente no mar, debruçando-se numa beira do navio, sob o alto risco de cair na água conforme a embarcação chacoalhava. A falta de higiene era causa de inúmeras doenças e mortes. Havia enorme carência de gêneros alimentares frescos. A carne e demais alimentos armazenados de maneira imprópria deterioravam rapidamente, levando à fome. A falta de água doce era outro terrível problema, já que a água do mar é inadequada para o consumo. A verdade é que as embarcações raramente portavam a quantidade ideal de comida, o que estimulava um mercado negro a bordo. Os oficiais mais graduados controlavam o negócio, e vendiam os alimentos disponíveis a quem pagasse mais. Aqueles que não tinham dinheiro, situação da maioria, se viravam à custa da caça de ratos e baratas, que infestavam os navios.
 
Médicos, religiosos e curandeiros
 
No ano de 1746, existia, ao todo, apenas seis médicos graduados em universidades europeias atuando nos territórios dos atuais estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e São Paulo. Os poucos profissionais que atuavam no país enfrentavam uma grande variedade de dificuldades. O território era imenso e o transporte, ineficiente. A população, em sua grande maioria, era bastante pobre e não tinha condições de pagar pela consulta. Além disso, o povo temia submeter-se aos tratamentos médicos. Na época, grande parte desses tratamentos empregava purgantes e sangrias, intervenções que frequentemente enfraqueciam os pacientes e causavam a morte daqueles em estado mais grave.
 Nesse quadro, em vez de recorrer aos médicos de formação europeia, a população colonial, rica ou pobre, preferia utilizar os remédios indicados pelos curandeiros negros ou indígenas. Enquanto os boticários (espécie de farmacêuticos), físicos-mor e cirurgiões-mor eram raros e caros, os remédios populares e o curandeirismo estavam acessíveis a toda a população. A escassez de médicos, o alto preço das drogas e dos remédios oriundos de Portugal e do Oriente, bem como sua frequente deterioração nos navios e nos portos, também motivaram religiosos da Companhia de Jesus a se voltarem para os variados recursos naturais disponíveis no território brasileiro e para os saberes dos indígenas.
Nesse contexto, eles somaram-se aos curandeiros negros e indígenas na árdua tarefa de cuidar da saúde da população, mantendo em seus colégios boticas e enfermarias, além de terem atuado informalmente como físicos, sangradores e até cirurgiões. 

domingo, 14 de abril de 2013

Site faz internautas experimentarem a distância entre Marte e Terra com pixels

 

“Distance to mars” cria uma escala na tela do computador que revela (a longuíssima) distância para chegar ao Planeta Vermelho

por Redação Galileu

Editora Globo
Pelo atual estágio da tecnologia espacial, levaria em torno de 150 dias para chegar ao Planeta Vermelho / Créditos: Reprodução

Um site criativo propõe aos internautas experimentarem a distância entre a Terra e Marte por meio de pixels.
Para isso, o criador do site Distance to Mars, David Paliwoda, assume uma escala que coloca a Terra com 100 pixels de largura. Na realidade, o planeta possui 12.756,2 km aproximadamente de diâmetro.
Para uma primeira experiência da distância, por meio de page downs automáticos, quem acessar o site será levado à Lua, a qual, pelas correlações, encontra-se 3000 pixels abaixo.
Após isso, o internauta também é convidado a ir a Marte. Ao clicar no botão, uma descida bastante rápida pelas estrelas revela quão distante o planeta está de nós.
Se você decidir clicar para percorrer a distância, não desista no meio do caminho. Pode parecer que não mas, em algum momento, a viagem termina. Testamos por aqui e leva cerca de 1 minuto, pela escala, para chegar ao planeta, cerca de 428 mil pixels distante.
O caminho é percorrido a uma velocidade de 7 mil pixels por segundo. Enquanto você passeia até Marte, algumas informações aparecem na tela dizendo que, pelo atual estágio da tecnologia espacial, levaria em torno de 150 dias para chegar lá. Até o momento, o prazo estimado para que a primeira viagem tripulada ocorra é 2030.
 

domingo, 17 de março de 2013

Planta Carnívora morre depois de capturar pássaro


O especialista em plantas exóticas Nigel Hewitt-Cooper caminhava por seu viveiro, no sul da Inglaterra. Entre mais de 8.000 vegetais, viu uma coisa estranha: uma de suas plantas carnívoras tinha "engolido" um pássaro inteiro.
Cauda do pássaro capturado ficou para fora da planta
Cauda do pássaro capturado ficou para fora da planta
"Elas costumam comer insetos, pequenos animais. Foi a segunda vez que registramos uma planta carnívora capturando um pássaro em cativeiro [fora da natureza]", conta Nigel à "Folhinha", por e-mail.
Conhecida como "bolsa de estudante", a planta (espécie nepenthes) era pequena para comer o bicho. "Como não pôde digerir a presa, acabou apodrecendo poucos dias depois." Isso foi em agosto de 2011.
Para garantir a dieta de insetos, essa espécie produz um néctar doce que atrai os bichinhos. Segundo Nigel, o pássaro provavelmente ficou atraído pelos pequenos animais que boiavam no suco e acabou morrendo. "Na natureza, plantas maiores conseguem comer pássaros, sapos e até ratos!", diz.
Mas ninguém precisa se preocupar. "Elas não ferem os seres humanos. E funcinam com um ótimo inseticida."

BRUNO MOLINERO

domingo, 10 de março de 2013

Pesquisa descobre 2 espécies de mosca branca consideradas extintas

Pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista), do campus de Botucatu, no interior de São Paulo, constataram a existência de duas espécies da mosca branca, denominadas New World 1 e New World 2, possivelmente nativas do Estado de São Paulo.
A descoberta causou surpresa, pois acreditava-se que essas espécies haviam sido substituídas ou até mesmo extintas após a introdução do Biótipo B de mosca branca, conhecido como Middle East-Asia Minor 1 (MEAM1), que chegou ao país na década de 1990 e é altamente invasiva.
A mosca branca é um dos maiores pesadelos dos produtores de hortaliças, plantas ornamentais e outras culturas, pois, ao se alimentar da seiva da planta hospedeira, ela gera uma redução em seu vigor, além de induzir anomalias fisiológicas.
"Além de todos esses problemas, a mosca branca é transmissora de vírus, entre eles os begomovírus e crinivírus, que podem limitar o cultivo de hortaliças como o tomateiro", explica a professora Renate Krause Sakate, do departamento de Produção Vegetal da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp.
"Ela também deposita sobre as folhas grande quantidade de secreção açucarada, favorecendo a formação de fungos que impedem a fotossíntese e, assim, afetam o crescimento da planta e reduzem sua produtividade", completa a autora da pesquisa publicada no Journal of Applied Entomology, de alto impacto na área.
No Brasil, as principais vítimas das moscas brancas são o tomate, o feijão, o melão e a batata. Além delas, também a soja, a abóbora, a melancia, hortaliças diversas e plantas ornamentais têm sido afetadas.

Espécies mais antigas
A pesquisa fez um levantamento em mais de 40 municípios do Estado de São Paulo e 13 de Alagoas, usando um teste altamente sensível e específico para identificar essas espécies mais antigas.
A espécie New World 1 foi encontrada nas regiões de Registro, Iguape e Ilha Comprida, todas no Estado de São Paulo, colonizando jiló e corda-de-viola. Em Alagoas, esta espécie foi, curiosamente, achada em plantas de tomateiro.
"É possível que a New World 1 seja a espécie que existia no Brasil antes da entrada do Biótipo B. Porém, como não há material preservado dessa época, isto ainda é uma suposição", afirma Renata.
A New World 2 foi coletada em amendoim-bravo, uma planta daninha muito comum no campo e que é infectada por begomovírus. Trata-se do primeiro registro de sua existência no Brasil.
Um fato que surpreendeu foi ter localizado as duas espécies New World, que são supostamente mais antigas, em plantas colonizadas pela MEAM1, indicando a possibilidade de as várias espécies ocuparem o mesmo nicho ecológico.
As New World 1 e 2, no entanto, são mais frágeis e foram encontradas sempre em número reduzido. Além disso, o seu papel na transmissão de vírus, principalmente do begomovírus, ainda é desconhecido.
"Isolamos colônias da espécie New World 2, supostamente mais antiga, as infectamos com o begomovírus e estamos acompanhando, dia a dia, a reação das plantas hospedeiras, para saber se as espécies são ou não transmissoras", diz Renata, que vai continuar a pesquisa com esse novo foco.

Mosca branca
Com o nome científico de Bemisia tabaci, a mosca branca mede de 1 a 2 milímetros. Os adultos têm o dorso amarelo pálido e asas brancas, que cobrem quase todo o corpo - daí a denominação que lhe foi atribuída.
Sob condições que lhe são favoráveis, com temperatura em torno de 28 graus Celsius e umidade relativa do ar de 70%, a espécie MEAM1 pode ter de 11 a 15 gerações por ano – cada fêmea colocando de 100 a 300 ovos durante o seu ciclo de vida.
Sua ação traiçoeira deve-se ao fato de a mosca branca ser capaz de transmitir mais de 200 espécies de vírus, grande parte deles com significativo impacto econômico na produção de hortaliças.
"Os begomovírus são os mais importantes limitadores da produção de tomate, além de sua incidência ter sido verificada também em culturas de pimentão e batata. Eles ocasionam redução do crescimento, alterações fisiológicas e produção de frutos isoporizados e com amadurecimento irregular", diz Renata.

José Tadeu Arantes
Da Agência Fapesp

Terra está em fase mais quente em 11.300 anos; pico será em 2100

Veja os destaques de Meio Ambiente (2013)66 fotos

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Gráfico mostra a variação da temperatura na Terra nos últimos 11.300 anos. A Terra é hoje mais quente que em 90% deste período e pode ultrapassar a barreira de temperatura mais quente em 2100 Reprodução
O clima na Terra tem esquentando desde a revolução industrial, mas quão quente é a Terra agora, em comparação com os últimos 11 mil anos? Um novo estudo publicado nesta quinta-feira (7) na revista Science relata que a média global da temperatura do ar na superfície é mais quente hoje do que em 90% dos últimos 11.300 anos.
Usando dados de 73 locais em todo o mundo, cientistas da Universidade Estadual do Oregon e de Harvard reconstruíram um histórico da temperatura da Terra de hoje até o final da Idade do Gelo, período conhecido como holoceno. Este estudo volta muito mais no tempo do que os anteriores, que apenas iam até 2 mil anos atrás.
Para determinar a temperatura nos últimos 150 anos são usados instrumentos na superfície e satélites, mas para os anos anteriores são precisos dados indiretos. Geólogos têm capturado registros de temperaturas do passado baseados em amostras marinhas e terrestres, como em corais. Estes materiais têm assinaturas químicas e físicas que registram como era a temperatura.
O aumento da temperatura teria começado no final da Idade do Gelo e teria continuado até meados do holoceno, seguido por um período de resfriamento de 1.3 grau Fahrenheit nos 5 mil anos seguintes, o que culminaria em 200 anos atrás. Desde então, as temperaturas têm crescido vertiginosamente, em mais ou menos, 1.3ºF, deixando a Terra com uma temperatura maior do que 90% de todo o holoceno. Se os modelos atuais estiverem corretos, com o crescimento de mais 2º, o planeta irá superar em 2100 o pico mais quente já registrado.
"Nós já sabíamos que, em escala global, a Terra já está mais quente hoje do que na maioria dos últimos 2 mil anos. Agora, nós sabemos que ela também está mais quente que na maioria dos últimos 11.300 anos", disse Shaun Marcott, da Universidade do Oregon. "Este é um fato importante porque diz respeito a todo o período holoceno, em que houve civilização humana".
Um dos fatores que contribuiu para a variação de temperatura na Terra foi a mudança gradual da distribuição da incidência da luz solar associada à posição relativa da Terra em relação ao Sol. Já o aumento na temperatura nos últimos 50 anos tem sido atribuído à ação do homem e à emissão de gases do efeito estufa.
"Esta pesquisa mostra que temos experimentado praticamente a mesma variação de temperatura desde o início da revolução industrial quanto a presenciada nos 11 mil anos anteriores -- mas desta vez muito mais rápido", diz Candace Major, diretor da Divisão da Fundação Nacional de Ciências de Ciências Oceânicas, que co-financiou a pesquisa com a divisão do NSF de Ciências Atmosféricas e Geoespaciais.
"O clima na Terra é complexo e responde a múltiplos fatores, incluindo emissões de CO2 e insolação. Ambos mudaram vagarosamente nos últimos 11 mil anos. Mas nos últimos 100 anos, o aumento das emissões de CO2 tem sido significante. Esta é a única variável que pode explicar o rápido aumento nas temperaturas globais", disse Marcott.

Do UOL, em São Paulo

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Atividade sobre Bulling




Escola-Trabalho- Apelidar – Ameaçar-Xingar-Zoar-Agredir-Humilhar-Bater-Ofender-Chutar-Sacanear-Empurrar-Aterrorizar-Dominar -Difamar- Isolar-Excluir-Ignorar-Intimidar-Assediar-Discriminar


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